

21 de mar. de 2026
“Falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas.” Lula
MODO DE NAVEGAÇÃO
O presidente Lula afirmou em 21 de março de 2026, durante reunião de chefes de Estado da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), em Bogotá, que o Sul Global não deve aceitar uma ordem internacional baseada na supremacia militar e econômica das potências.
Em discurso marcado por críticas diretas ao sistema multilateral, Lula declarou que o mundo enfrenta uma “falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas”, apontando o Conselho de Segurança como incapaz de cumprir sua função de manter a paz. “São eles que estão fazendo as guerras”, afirmou, referindo-se aos membros permanentes do órgão — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — que detêm poder de veto e bloqueiam decisões mesmo diante de maioria favorável.
O presidente questionou quando a comunidade internacional tomará medidas para impedir que países mais poderosos “se achem donos do mundo”, criticando a ausência de reformas que ampliem a representatividade de regiões como América Latina e África. Lula destacou que a atual estrutura do Conselho reflete a correlação de forças do pós-Segunda Guerra Mundial, tornando-se inadequada diante da realidade geopolítica contemporânea.
Ao mencionar conflitos recentes, incluindo o genocídio na Faixa de Gaza, as guerras no Iraque, Líbia, Ucrânia e EUA e Israel contra o Irã, o presidente expressou indignação com a incapacidade do sistema internacional de prevenir ou resolver crises. Ele também criticou diretamente a atuação dos Estados Unidos e da União Europeia em relação ao Irã, relembrando o acordo de 2010 mediado por Brasil e Turquia para limitar o enriquecimento de urânio, posteriormente desconsiderado com a imposição de sanções.
Lula reforçou que o Brasil rejeita soluções militares e destacou que sua prioridade histórica é o combate à fome. “A minha guerra é contra a fome”, afirmou, ao recordar conversa com o ex-presidente George W. Bush antes da invasão do Iraque.
O discurso também incluiu defesa da cooperação entre América Latina e África, com foco em energia, tecnologia e produção de alimentos, além do anúncio de uma reunião da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul marcada para 9 de abril. Para Lula, fortalecer essas alianças é essencial para enfrentar desigualdades globais e resistir à exploração externa de recursos naturais.
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