

27 de mar. de 2026
MODO DE NAVEGAÇÃO
A abertura da II Feira da Reforma Agrária e Agricultura Familiar do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizada em 27 de março de 2026 no Espaço Cultural de Palmas, no Tocantins, consolidou-se como um ato político de resistência contra o modelo dominante do agronegócio no Brasil, reunindo mais de 200 expositores e projetando um público de aproximadamente 5 mil pessoas até o encerramento em 29 de março.
O evento, que superou a primeira edição de 2025, quando cerca de 3 mil visitantes participaram, articula assentamentos, acampamentos, movimentos sociais e órgãos do governo federal em torno de práticas de produção baseadas na agroecologia, no cooperativismo e na economia solidária. Desde a abertura, marcada por atividades simbólicas e culturais, a feira denunciou os impactos do latifúndio, do uso intensivo de agrotóxicos e da monocultura sobre os biomas do Cerrado e da Amazônia, ao mesmo tempo em que apresentou alternativas concretas de produção alimentar voltadas ao bem viver e à soberania alimentar.
A programação inclui atividades como quebra de coco babaçu, farinhada, culinária tradicional e debates políticos, entre eles o seminário sobre os desafios do cooperativismo na reforma agrária e a roda de conversa “Corpo-Território”, que aborda a violência contra mulheres no campo e na cidade, destacando o protagonismo feminino na organização social e produtiva.
Segundo os organizadores, a feira não se limita à comercialização de produtos, mas constitui um espaço de disputa política e simbólica sobre o território, reforçando a legitimidade histórica das populações camponesas na região. Natal Alves, da Cooperamazônia, destacou que “é muito importante dar visibilidade para o que nós produzimos nos nossos territórios”, ressaltando ainda a realização de um ato de solidariedade com a doação de 10% da produção para famílias em situação de vulnerabilidade.
A diversidade de produtos expostos, incluindo alimentos, artesanato e derivados do babaçu, evidencia a capacidade produtiva da agricultura familiar, frequentemente marginalizada pelas políticas públicas voltadas ao agronegócio exportador.
Ao ocupar o centro urbano de Palmas, o MST reafirma sua estratégia histórica de tensionar a concentração fundiária e denunciar a lógica de produção orientada exclusivamente pelo lucro, que frequentemente ignora impactos sociais e ambientais. A feira também se insere em um contexto mais amplo de mobilização nacional em defesa da reforma agrária popular, destacando a necessidade de políticas estruturais que garantam acesso à terra, incentivo à produção sustentável e fortalecimento das economias locais.
Ao combinar produção, cultura e debate político, o evento evidencia que a disputa pelo modelo agrícola no Brasil permanece central, colocando em confronto projetos antagônicos: de um lado, o agronegócio intensivo e concentrador; de outro, iniciativas populares que articulam produção, justiça social e preservação ambiental.
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