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Uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada em 14 de março de 2026 indica crescimento significativo do apoio popular à redução da jornada de trabalho no Brasil e ao fim da escala 6×1, modelo em que trabalhadores atuam seis dias consecutivos e descansam apenas um. Segundo o levantamento, 71% dos brasileiros defendem a redução da jornada semanal, percentual superior aos 64% registrados em pesquisa anterior realizada entre 12 e 13 de dezembro de 2024. Outros 27% dos entrevistados afirmaram ser contrários à mudança, enquanto 3% disseram não ter opinião formada.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas com idade a partir de 16 anos em 137 municípios brasileiros entre os dias 3 e 5 de março de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O debate sobre a jornada de trabalho ganhou centralidade no cenário político brasileiro e está em discussão no Congresso Nacional. A proposta também integra o debate programático do Partido dos Trabalhadores (PT) para as eleições presidenciais de 2026. O partido prepara um documento com diretrizes políticas que será apresentado e votado durante o 8º Congresso da legenda, previsto para ocorrer entre 23 e 26 de abril de 2026 em Brasília. Entre os temas em discussão estão o fim da escala 6×1, políticas de tarifa zero no transporte público e medidas voltadas à soberania nacional.
Os dados da pesquisa mostram diferenças relevantes de opinião entre grupos sociais e perfis de trabalhadores. Entre pessoas que trabalham seis ou sete dias por semana, o apoio ao fim da escala chega a 68%. Já entre trabalhadores que já possuem jornadas de cinco dias semanais — como o modelo 5×2 — o apoio sobe para 76%. De acordo com a interpretação apresentada pelo Datafolha, essa diferença pode estar associada à composição dos grupos ocupacionais: trabalhadores que atuam seis ou sete dias por semana incluem maior proporção de autônomos e empresários, para quem jornadas mais longas podem significar aumento direto de renda. Entre aqueles que trabalham até cinco dias por semana há maior presença de funcionários públicos e trabalhadores formais com jornada regulada.
A pesquisa também levantou dados sobre a duração diária da jornada. Entre os entrevistados, 66% afirmaram trabalhar até oito horas por dia. Outros 28% relataram jornadas entre mais de oito e até doze horas diárias, enquanto 5% disseram trabalhar mais de doze horas por dia. Cerca de 1% dos participantes não soube ou não quis responder.
Os entrevistados também foram questionados sobre os possíveis impactos da redução da jornada. Para 76% da população, o fim da escala 6×1 teria efeito ótimo ou bom para a qualidade de vida. Esse índice chega a 81% entre trabalhadores com jornada de cinco dias semanais e permanece elevado, com 77%, entre aqueles que trabalham seis ou sete dias.
Em relação à economia nacional, 50% dos entrevistados acreditam que a redução da jornada terá impacto positivo, enquanto 24% avaliam que o efeito será negativo ou muito negativo. Quando questionados sobre os impactos pessoais da medida, 68% afirmaram que a mudança seria positiva para suas próprias vidas. A pesquisa também revelou diferenças por faixa etária e gênero. O apoio é mais forte entre jovens de 16 a 24 anos, onde atinge 83%. Entre pessoas de 35 a 44 anos o índice cai para 75%, enquanto entre indivíduos com 60 anos ou mais o apoio é de 55%. Em relação ao gênero, 77% das mulheres defendem a redução da jornada, contra 64% dos homens.
O avanço do apoio popular ao fim da escala 6×1 ocorre em um contexto histórico de debate sobre direitos trabalhistas no Brasil, marcado por disputas entre movimentos sociais, sindicatos e setores empresariais sobre produtividade, qualidade de vida e distribuição do tempo de trabalho em uma economia marcada por profundas desigualdades sociais.
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