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15 de mar. de 2026

1 milhão de idiotas em um mês: Modelo gerada por IA acumula seguidores de Trump nas redes

MODO DE NAVEGAÇÃO

Uma conta do Instagram dedicada à personagem fictícia Jessica Foster acumulou mais de um milhão de seguidores em poucos meses, apesar de a suposta modelo ser inteiramente criada por inteligência artificial. A conta, lançada em dezembro de 2025, apresenta Foster como uma jovem loira que supostamente serviria nas forças armadas dos EUA, frequentemente exibindo imagens em uniformes militares ou em ambientes ligados ao nacionalismo estadunidense.

Em fotografias compartilhadas na plataforma, a personagem aparece ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump, do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy e do influenciador Darren “IShowSpeed” Jason Watkins Jr., criando a aparência de legitimidade política e social. Em outras imagens, Foster surge em cenários militares, incluindo a cabine de veículos táticos, ou posa em fotografias que enfatizam fetiche por pés, elemento que atraiu comentários recorrentes de seguidores. “Jessica, que pezinhos lindos!”, escreveu um usuário em uma publicação amplamente compartilhada.

Apesar da narrativa visual aparentemente convincente, a personagem não existe fora de algoritmos de geração de imagens. Cada fotografia foi criada digitalmente, embora o nível de realismo tenha dificultado a identificação da manipulação para grande parte do público. A conta também direciona seguidores para um perfil associado na plataforma OnlyFans, onde a biografia da personagem afirma: “Funcionária pública de dia, encrenqueira de noite. Sou nova nisso, então, por favor, não sejam rudes. Aliás, respondo a todas as mensagens, mas tenham paciência, pois não sou um robô, haha.”

O perfil exige apenas cadastro gratuito, sem assinatura paga, o que levanta dúvidas sobre o objetivo financeiro direto da operação. Ainda assim, a estratégia demonstra como conteúdos gerados por inteligência artificial podem funcionar como ferramenta de construção de influência política e cultural nas redes sociais. Segundo reportagem da Fast Company, a popularidade da conta foi impulsionada por publicações oportunistas que afirmavam que a personagem havia participado de eventos de grande repercussão, incluindo o Super Bowl ou operações militares fictícias na Groenlândia.

O comentarista político Ara Rubyan declarou à revista que o fenômeno revela mais sobre o público do que sobre a tecnologia: “O mais perigoso em relação a Jessica Foster não é o fato de ela ser falsa; é o quanto milhões de pessoas precisavam que ela fosse real.” O episódio evidencia a crescente capacidade de sistemas de geração de imagem por inteligência artificial de produzir personagens convincentes capazes de manipular audiências em larga escala — um fenômeno que expõe tanto vulnerabilidades tecnológicas quanto fragilidades políticas em comunidades digitais mobilizadas por narrativas nacionalistas.

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