

28 de mar. de 2026
Israel bombardeia jornalistas no Líbano
©AL MAYADEEN
MODO DE NAVEGAÇÃO
Um ataque israelense matou dois jornalistas no sul do Líbano neste sábado, 28 de março de 2026. A correspondente Fatima Fatouni, da rede Al-Mayadeen, e o repórter Ali Shuaib, da Al-Manar TV, foram atingidos enquanto cobriam operações militares na região de Jezzine. A informação foi divulgada pela própria Al-Mayadeen Media Network às 13h53 (horário local). Segundo o comunicado, o grupo de jornalistas foi alvo direto de um bombardeio descrito como “traiçoeiro”. O ataque se soma a uma série de ações militares israelenses contra profissionais de imprensa na região desde 2023.
De acordo com a Al-Mayadeen, Fatima Fatouni atuava como correspondente de campo no sul do Líbano desde o início das operações militares intensificadas em outubro de 2023, período que coincide com o genocídio em curso contra o povo palestino. Sua cobertura incluía reportagens em áreas de confronto direto, onde documentava operações militares e desmentia informações divulgadas por canais israelenses. A emissora destacou que sua atuação foi marcada por “cobertura objetiva, precisa e corajosa”, especialmente ao refutar alegações sobre avanços terrestres das forças de ocupação.
No mesmo ataque, foi morto Ali Shuaib, descrito como um dos principais correspondentes de guerra da Al-Manar. Ele atuava nas zonas de fronteira, registrando confrontos em localidades como Kfarshouba e Khardala. Relatórios anteriores da imprensa israelense, incluindo o jornal Yedioth Ahronoth, reconheceram que Shuaib havia se tornado uma fonte estratégica de informação, classificando seu trabalho como tendo impacto “equivalente a armas militares”, evidenciando o nível de incômodo causado por sua cobertura.
Em outubro de 2024, forças israelenses atacaram uma residência que abrigava jornalistas em Hasbaya, também no sul do Líbano, matando o cinegrafista Ghassan Najjar e o engenheiro de transmissão Mohammad Reda, ambos da Al-Mayadeen, além do cinegrafista Wissam Qassem, da Al-Manar. Já em novembro de 2023, a correspondente Farah Omar e o cinegrafista Rabih Al-Maamari foram mortos em um ataque aéreo israelense na cidade de Tayr Harfa.
A repetição desses ataques evidencia um padrão sistemático: jornalistas que atuam fora da órbita da narrativa dominante são tratados como alvos militares. Ao transformar profissionais de imprensa em inimigos diretos, Israel amplia a lógica de guerra para o campo da informação, buscando controlar não apenas territórios, mas também o fluxo de relatos sobre suas operações. Nesse contexto, a morte de Fatouni e Shuaib não representa apenas uma tragédia individual, mas um ataque deliberado à possibilidade de documentar, em tempo real, os efeitos da ocupação e da violência militar na região.
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