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A intensificação dos ataques do Hezbollah contra alvos militares israelenses no início de maio de 2026 expôs a fragilidade da narrativa promovida por Tel Aviv e amplificada por meios de comunicação ocidentais, que tentaram retratar o grupo como enfraquecido. A realidade no terreno, no entanto, indicou o contrário: a capacidade operacional do Hezbollah demonstrou crescimento significativo, levando até mesmo fontes israelenses, como o jornal Yediot Aharonot, a reconhecerem que “estão vendendo ilusões ao público”. O Centro de Informações sobre Inteligência e Terrorismo Meir Amit também admitiu que o grupo se reestruturou desde o cessar-fogo de 27 de novembro de 2024.
Nesse contexto, o governo de Benjamin Netanyahu enfrenta críticas internas por não ter conseguido desarmar o Hezbollah, apesar de promessas reiteradas, evidenciando o fracasso estratégico israelense semelhante ao ocorrido na tentativa de eliminar o Hamas. Paralelamente, Israel acumulou mais de 15.400 violações do cessar-fogo, resultando em centenas de mortos e expansão de sua ocupação territorial no sul do Líbano, aprofundando a crise humanitária e política.
Internamente, o Líbano passou por uma reconfiguração política com a ascensão de Joseph Aoun e do primeiro-ministro Nawaf Salam, ambos alinhados à política externa estadunidense. Salam implementou um plano para desarmar o Hezbollah, aprovado em agosto de 2025, provocando forte reação do grupo, cujo líder Naim Qassem rejeitou a medida e denunciou a incapacidade do governo em conter a agressão israelense. O próprio Hezbollah afirmou ter aguardado 15 meses por uma resposta estatal antes de retomar as hostilidades. A situação se agravou quando Salam declarou à CNN que desejava normalização imediata com Israel, declaração que gerou indignação em meio aos bombardeios. Em paralelo, autoridades estadunidenses, como o enviado Tom Barrack, chegaram a afirmar que o Exército Libanês estava sendo armado para “lutar contra seu próprio povo”, revelando a lógica de instrumentalização interna do aparato estatal.
O comandante das Forças Armadas Libanesas, Rudolphe Haykal, tornou-se peça central ao resistir à pressão para reprimir o Hezbollah, recusando-se a confiscar suas armas em meio ao conflito. Sua posição provocou pressão direta dos EUA, França e Arábia Saudita por sua destituição, enquanto o senador Lindsey Graham também defendeu sua remoção.
A eventual queda de Haykal pode desencadear fragmentação militar e guerra civil, considerando que o Exército possui cerca de 80 mil soldados e significativa presença de muçulmanos xiitas, com possíveis simpatias ao Hezbollah, que conta com cerca de 100 mil combatentes. Com mais de 800 mil deslocados desde a nova ofensiva israelense, a estratégia de Tel Aviv parece apostar na implosão interna do Líbano como forma indireta de derrotar a resistência, ignorando deliberadamente as consequências regionais de uma nova guerra civil.
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