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8 de mar. de 2026

Sudão do Sul ordena evacuação de Akobo e milhares fogem enquanto risco de nova guerra civil cresce

MODO DE NAVEGAÇÃO

Milhares de civis fugiram da cidade de Akobo, no estado de Jonglei, no leste do Sudão do Sul, depois que o exército do país ordenou a evacuação total da área para abrir caminho para uma ofensiva militar contra forças da oposição, segundo informações publicadas em 8 de março de 2026 por Al Jazeera, Associated Press e Reuters.

A cidade, localizada próxima à fronteira com a Etiópia, estava quase completamente deserta no domingo após as Forças de Defesa Popular do Sudão do Sul emitirem na sexta-feira um ultimato exigindo que civis, trabalhadores humanitários e forças de paz das Nações Unidas deixassem o local antes de um ataque planejado.

O prazo estipulado pelo exército deveria expirar na tarde de segunda-feira. De acordo com relatos de moradores e trabalhadores humanitários, a ordem provocou um êxodo imediato de milhares de pessoas. “A cidade está quase vazia”, afirmou Nhial Lew, funcionário humanitário local, em entrevista à Associated Press. “Mulheres, crianças e idosos foram embora e cruzaram para a Etiópia.” Lew relatou ainda que, no domingo à noite, os sinais da ofensiva militar já podiam ser ouvidos na região: “Estamos ouvindo o som de metralhadoras se aproximando.”

A operação militar amplia uma contraofensiva governamental lançada em janeiro sob o nome de Operação Paz Duradoura, que ocorre em resposta à tomada de posições do governo por forças da oposição em dezembro. Segundo dados citados por agências internacionais, mais de 280.000 pessoas foram deslocadas em todo o estado de Jonglei desde o início da escalada militar no final de 2025.

Akobo era considerada até recentemente um dos últimos refúgios relativamente seguros da região e abrigava mais de 82.000 pessoas deslocadas internamente. A cidade também é um dos últimos redutos do Movimento Popular de Libertação do Sudão na Oposição (SPLM-IO), grupo armado ligado ao ex-vice-presidente Riek Machar, que atualmente se encontra detido.

Diante da ordem de evacuação, as Nações Unidas iniciaram a retirada emergencial de seu pessoal. Dois voos da organização evacuaram a maior parte dos trabalhadores humanitários no domingo. No entanto, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha ainda mantinha profissionais na unidade cirúrgica do hospital local, onde pacientes feridos continuavam a receber tratamento. “Estamos preocupados com nossos pacientes”, declarou Dual Diew, diretor de saúde do condado. “Tentamos elaborar um plano para levá-los a um local mais seguro, mas não temos combustível suficiente.” Paralelamente, a Comissão de Direitos Humanos da ONU no Sudão do Sul alertou que o país pode caminhar para um retorno à guerra civil generalizada caso a liderança política não responda de forma urgente à crise.

Em relatório divulgado recentemente, o órgão afirmou que “prevenir novos crimes de atrocidades em massa, o colapso institucional e a destruição da frágil transição do Sudão do Sul exige um engajamento urgente e coordenado em nível nacional, regional e internacional”.

O Sudão do Sul, que se tornou independente em 2011 após décadas de conflito com o Sudão, permanece marcado por profundas divisões políticas e militares, e o atual agravamento da violência reacende temores de que o país volte a mergulhar em uma guerra civil em grande escala que já provocou centenas de milhares de mortes e milhões de deslocados na última década.

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