
30 de mar. de 2026
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A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura anunciou em 27 de março de 2026 um novo programa voltado ao combate ao racismo na Europa, inserido na Estratégia Antirracismo 2026 da Comissão Europeia, em uma tentativa institucional de responder ao avanço de discursos de ódio e discriminação que têm se intensificado no continente em paralelo ao endurecimento de políticas migratórias e ao crescimento de forças políticas de extrema-direita.
O projeto, com duração prevista de 24 meses, será implementado em parceria com o Escritório para as Instituições Democráticas e os Direitos Humanos e financiado pela Comissão Europeia, com o objetivo declarado de engajar sistemas educacionais na promoção de ambientes inclusivos e na prevenção de ideologias racistas.
Segundo a Unesco, o racismo representa um “profundo ataque aos valores universais dos direitos humanos” e tem historicamente funcionado como motor de guerras e destruição, sendo necessário fortalecer a educação como ferramenta de transformação social.
A iniciativa prevê a realização de uma consulta global com participação de educadores, representantes de grupos vulneráveis e vítimas de discriminação, buscando atualizar abordagens pedagógicas diante das novas formas de disseminação do racismo, especialmente nas plataformas digitais.
A agência destacou que o fenômeno racista se adapta e se propaga como um “vírus”, explorando tecnologias como algoritmos, deepfakes e desinformação para amplificar narrativas polarizadoras. Entre os grupos mais afetados mencionados estão pessoas de ascendência africana, muçulmanos, povos Roma e Sinti e comunidades judaicas, refletindo a diversidade das manifestações de racismo no contexto europeu contemporâneo.
A Unesco também pretende capacitar educadores com ferramentas baseadas em alfabetização midiática e informacional e competências digitais, além de incorporar diretrizes sobre ética da inteligência artificial. No entanto, a iniciativa levanta questionamentos sobre os limites de abordagens institucionais que, embora reconheçam os efeitos do racismo, frequentemente evitam confrontar suas raízes estruturais ligadas ao legado colonial europeu, às políticas de exclusão social e ao papel das potências ocidentais na produção de desigualdades globais.
Ao focar predominantemente na dimensão educacional e comportamental, o programa corre o risco de despolitizar um fenômeno profundamente enraizado em estruturas históricas de poder, exploração e hierarquização racial que continuam a moldar as relações sociais e econômicas dentro e fora da Europa.
Ainda assim, a iniciativa representa um reconhecimento formal de que o racismo permanece um problema sistêmico no continente, exigindo respostas que ultrapassem discursos institucionais e enfrentem diretamente suas causas históricas e materiais.
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