top of page
  • LOGO CLD_00000

Assessores de Trump pressionam os Emirados a tomarem posse de ilha estratégica iraniana

Assessores do presidente estadunidense Donald Trump pressionaram os Emirados Árabes Unidos para ampliar a ofensiva diplomática contra a soberania iraniana sobre ilhas no Golfo Pérsico. A articulação envolve Abu Musa, Grande Tunb e Pequena Tunb, territórios administrados por Teerã desde novembro de 1971 e posicionados próximos ao Estreito de Hormuz. A movimentação ocorre durante nova etapa da pressão econômica, militar e diplomática conduzida por Washington contra a República Islâmica e insere a disputa territorial na estratégia estadunidense de contenção ao Irã.


Crédito da foto: WAM
Crédito da foto: WAM

Fontes ligadas à diplomacia regional afirmaram que integrantes próximos ao círculo político de Trump discutiram com autoridades emiradenses mecanismos para ampliar a contestação internacional sobre a soberania iraniana das ilhas. As conversas ocorreram em paralelo à manutenção da presença militar estadunidense no Golfo Pérsico, região onde Washington mantém bases, grupos navais, sistemas antimísseis e operações de vigilância sob o argumento de proteção da navegação marítima e do fluxo energético internacional.


Abu Musa, Grande Tunb e Pequena Tunb permanecem sob controle iraniano desde novembro de 1971, período anterior à fundação dos Emirados Árabes Unidos, proclamados em dezembro daquele ano. A retomada iraniana das ilhas ocorreu após a retirada britânica do Golfo Pérsico, encerrando décadas de presença colonial britânica sobre rotas marítimas e estruturas políticas locais. Desde então, Teerã sustenta que os territórios fazem parte do território iraniano e rejeita qualquer proposta de arbitragem internacional ou negociação sobre soberania.


Os Emirados Árabes Unidos passaram a reivindicar formalmente as ilhas após a criação da federação emiradense. Abu Dhabi utiliza fóruns diplomáticos regionais e organismos multilaterais para questionar o controle iraniano, enquanto Teerã responde classificando as reivindicações como violação da integridade territorial da República Islâmica.

As ilhas localizam-se próximas ao Estreito de Hormuz, corredor marítimo por onde transitam milhões de barris de petróleo exportados diariamente do Golfo Pérsico. O posicionamento geográfico permite monitoramento naval entre o Golfo e o Oceano Índico. O Irã mantém presença militar permanente nas ilhas por meio do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, incluindo estruturas de defesa costeira, radares e instalações de vigilância marítima.


A pressão estadunidense sobre a questão territorial ocorre durante aprofundamento da integração política e militar entre Emirados Árabes Unidos e Israel após os Acordos de Abraão, anunciados em setembro de 2020 pelo governo Trump. O acordo patrocinado por Washington consolidou relações diplomáticas, econômicas e militares entre Abu Dhabi e Tel Aviv, incluindo cooperação em inteligência, segurança cibernética, defesa aérea e monitoramento regional ligado ao Irã.


O governo iraniano reagiu em ocasiões anteriores a declarações emitidas por países árabes do Golfo e governos aliados de Washington sobre as ilhas. Em agosto de 2023, o Ministério das Relações Exteriores iraniano convocou o embaixador emiradense em Teerã após comunicado conjunto entre Rússia e Conselho de Cooperação do Golfo mencionar apoio a negociações sobre Abu Musa e as ilhas Tunb. Na ocasião, autoridades iranianas declararam que “as ilhas iranianas pertencem eternamente ao Irã” e classificaram qualquer contestação territorial como interferência externa em assunto soberano.


A disputa também aparece em comunicados conjuntos emitidos por Washington e monarquias do Golfo desde o governo Joe Biden. Em diferentes encontros diplomáticos, autoridades estadunidenses defenderam uma “solução pacífica” para o impasse territorial entre Emirados Árabes Unidos e Irã. Teerã respondeu afirmando que não existe disputa sobre soberania das ilhas e acusou Washington de utilizar a questão como instrumento de pressão geopolítica contra a República Islâmica.


A nova articulação envolvendo assessores ligados a Trump ocorre após anos de escalada estadunidense contra o Irã. Em maio de 2018, Trump retirou unilateralmente os Estados Unidos do Plano de Ação Conjunto Global, acordo nuclear firmado em julho de 2015 entre Teerã, Rússia, China, França, Reino Unido, Alemanha e União Europeia. A decisão abriu caminho para a política de “pressão máxima”, que impôs sanções contra exportações iranianas de petróleo, sistema bancário, transporte marítimo e setores industriais.


Durante o mandato Trump, Washington ampliou operações militares no Golfo Pérsico e enviou bombardeiros, destróieres, porta-aviões e sistemas antimísseis para bases instaladas na Arábia Saudita, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos. O governo estadunidense justificou a expansão militar alegando necessidade de conter ameaças iranianas à navegação comercial e à infraestrutura energética regional.


A questão das ilhas reaparece em meio à reorganização política do Oriente Médio ligada ao genocídio conduzido por Israel contra a população palestina desde outubro de 2023. O alinhamento entre Washington, Tel Aviv e monarquias do Golfo integra a arquitetura regional construída pelos Estados Unidos para ampliar presença militar, controlar corredores energéticos e conter alianças políticas e militares do Irã na Ásia Ocidental.


Até o momento, os Emirados Árabes Unidos mantêm reivindicação diplomática sobre Abu Musa, Grande Tunb e Pequena Tunb em reuniões do Conselho de Cooperação do Golfo e em organismos internacionais. O governo iraniano declarou que qualquer debate sobre soberania das ilhas é inaceitável e reiterou que os territórios pertencem ao Irã.

apoie a ampliação do nosso trabalho

Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.

Frequência

1 vez

Mensal

Anual

Valor

R$ 10

R$ 20

R$ 30

R$ 40

R$ 50

R$ 100

R$ 200

Outro

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

bottom of page