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As pessoas continuam a apoiar os refugiados, e a Geração Z demonstra a maior empatia.

O apoio ao direito de buscar refúgio permanece presente em diferentes países, apesar do avanço de discursos contra migrantes e solicitantes de asilo. Pesquisa divulgada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) em parceria com a empresa Ipsos mostrou que dois em cada três entrevistados em 29 países defendem que pessoas que fogem de perseguições ou conflitos devem ter acesso à proteção internacional. Os dados foram divulgados no aniversário de 75 da Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados, adotada em Genebra.


ACNUR: Uma refugiada sudanesa carregando seu filho em um centro de registro do ACNUR no Cairo, Egito.
ACNUR: Uma refugiada sudanesa carregando seu filho em um centro de registro do ACNUR no Cairo, Egito.

O levantamento do ACNUR indica que a percepção pública sobre refugiados permanece mais favorável do que o debate político costuma apresentar, mesmo com o crescimento de campanhas de desinformação e discursos de rejeição contra pessoas deslocadas. Dominique Hyde, diretora de Relações Externas do ACNUR, afirmou que esse apoio permaneceu estável durante anos “apesar da tensão política, da pressão econômica e, como todos vocês sabem muito bem, de um debate muito polarizado”.


A pesquisa também revelou uma contradição presente na opinião pública: ao mesmo tempo em que muitas pessoas defendem o direito ao refúgio, parte significativa demonstra dúvidas sobre a necessidade de proteção de alguns solicitantes. Trinh Tu, diretora-geral da Ipsos no Reino Unido, afirmou que “muitas dessas pessoas são as mesmas; elas sustentam ambas as opiniões simultaneamente”.


Segundo Tu, os resultados mostram uma tensão entre a defesa de pessoas em situação de vulnerabilidade e as dúvidas sobre o funcionamento dos sistemas de asilo, controle de fronteiras e integração social. “O que vemos neste momento é uma tensão entre pessoas que querem apoiar aqueles que estão em extrema necessidade e, ao mesmo tempo, têm dúvidas sobre se o sistema está funcionando como deveria”, declarou.


No Reino Unido, essa contradição aparece no debate sobre imigração. Trinh Tu afirmou que o país possui uma das menores taxas de migração líquida da Europa, mas parte da população considera que a imigração atingiu níveis fora de controle. “Temos a menor taxa de migração líquida da Grã-Bretanha, mas, ao mesmo tempo, metade da população acha que a imigração enlouqueceu”, afirmou.


Na Alemanha e na Suécia, países que receberam números elevados de refugiados, o ACNUR registrou manutenção de apoio aos pedidos de proteção. Na Turquia e na Polônia, a agência apontou redução no apoio em comparação com anos anteriores.


Dominique Hyde defendeu que o acolhimento de refugiados exige cooperação internacional e afirmou que a responsabilidade não pode ser transferida apenas para países que recebem grandes fluxos de deslocados. “A generosidade não pode substituir essa responsabilidade internacional”, declarou.


A diretora do ACNUR relatou uma visita ao campo de Busuma, no leste do Burundi, onde vivem mais de 57 mil refugiados congoleses que deixaram a República Democrática do Congo devido aos combates registrados no país. Segundo Hyde, apenas cerca de quatro em cada dez pessoas tinham um local adequado para permanecer, em uma região localizada a aproximadamente dois mil metros de altitude.


“Sentei-me com mães, sentei-me com pais que mal tinham o que comer”, afirmou Hyde. “Ouvi famílias descreverem seus abrigos superlotados, se é que tinham a sorte de ter um. Conversei com famílias sobre o quão inseguras se sentiam em relação à água. E não apenas insegura, mas insuficiente. E as noites passadas ao relento, no frio, por estarem a dois mil metros de altitude, e durante o dia, um calor insuportável.”


Os dados da pesquisa também indicaram diferenças entre gerações. Entre mais de 21.500 pessoas entrevistadas, os integrantes da Geração Z demonstraram maior apoio aos refugiados do que os membros da geração Baby Boomer.


Quase metade dos entrevistados da Geração Z, grupo formado por pessoas nascidas entre 1997 e 2012, afirmou acreditar que refugiados conseguem se integrar com sucesso, enquanto entre os Baby Boomers, nascidos entre 1946 e 1964, o índice foi de 39%.


O ACNUR informou que “os entrevistados da Geração Z demonstraram menor probabilidade de apoiar o fechamento de fronteiras ou expressar dúvidas sobre as motivações dos refugiados”. A agência acrescentou que preocupações relacionadas à integração, administração das fronteiras e avaliação dos pedidos de asilo permanecem presentes entre diferentes grupos etários.


A pesquisa ACNUR-Ipsos apontou que o maior nível de apoio aos refugiados foi registrado na Suécia e na Holanda, ambas com 78%, seguidas pela Espanha, com 76%. Austrália, Brasil e Estados Unidos apresentaram as avaliações mais positivas sobre os benefícios da integração de refugiados.


Alguns países registraram mudanças no período analisado. No Japão, o apoio às pessoas que buscam refúgio aumentou de 23% em 2019 para 74%. Na França, o índice passou de 43% para 68% no mesmo intervalo.


Ao serem questionados sobre respostas para situações de deslocamento forçado, os entrevistados priorizaram ações de assistência emergencial direta, iniciativas diplomáticas e medidas de proteção temporária. Os resultados indicaram que parte da população considera necessário ampliar alternativas de proteção além do reassentamento, embora esse mecanismo continue sendo utilizado para refugiados em situações de maior vulnerabilidade.


A Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados, adotada em Genebra há 75 anos, estabeleceu princípios internacionais para a proteção de pessoas perseguidas e deslocadas. Dominique Hyde afirmou que o desafio atual envolve garantir a aplicação dos compromissos estabelecidos pelo tratado. “O que sabemos é que muitas pessoas apoiam o direito de buscar segurança, ao mesmo tempo que questionam se os sistemas de asilo são justos, eficientes e bem administrados”, declarou. “Esta é uma mensagem importante para este aniversário, 75 anos depois: o desafio não é apenas defender a Convenção, mas também garantir que a promessa se concretize.”


Em 2025, conflitos, violência, perseguições, impactos climáticos, instabilidade econômica e fragilidade política ampliaram o número de pessoas necessitando de assistência internacional. O ACNUR estabeleceu como meta proteger e auxiliar aproximadamente 129 milhões de pessoas, número próximo ao registrado em 2024.


No mesmo período, os recursos disponíveis para a agência diminuíram em 1,2 bilhão de dólares, chegando a 3,9 bilhões de dólares. O ACNUR informou que precisou atender uma demanda semelhante à registrada anteriormente utilizando um orçamento equivalente ao de 2016, quando a população mundial de pessoas deslocadas à força e apátridas representava menos da metade do tamanho atual.


No campo do reassentamento, o ACNUR informou que apoiou, em 2025, a saída de mais de 37 mil refugiados para países terceiros. Os principais países de origem dos encaminhamentos foram Turquia, Líbano, Etiópia, Bangladesh e Ruanda.


A agência encaminhou 35 mil refugiados para programas de reassentamento em 23 Estados, incluindo 1181 vagas destinadas a pessoas que necessitavam de processamento acelerado ou que estavam em países com cotas reduzidas ou inexistentes.


O número de solicitações de reassentamento apresentadas pelo ACNUR aos Estados caiu em relação ao ano anterior, passando de 188.800 solicitações em 2024 para um volume menor em 2025.

 
 

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