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Irã e Estados Unidos retomam confronto após trégua

O confronto entre Irã e Estados Unidos atingiu novo nível nesta terça-feira, 14 de julho de 2026, após ataques envolvendo mísseis balísticos iranianos contra uma base militar estadunidense na Jordânia e bombardeios estadunidenses contra alvos no território iraniano. A escalada ocorreu após o rompimento de uma trégua recente e ampliou as tensões em torno do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo. A crise provocou reação nos mercados internacionais, com alta nos preços do petróleo e novos receios sobre impactos inflacionários.


Foto: Nurphoto/Getty Images
Foto: Nurphoto/Getty Images

A nova etapa do confronto teve início no sábado, 11 de julho, quando Teerã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz após disparos de advertência contra um navio comercial. Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou a retomada de um bloqueio naval contra a navegação iraniana além de propor uma tarifa de 20% sobre cargas que atravessam a região sob justificativa de financiar a proteção militar da rota.


A escalada ocorre em uma área que concentra interesses militares e econômicos de diferentes potências. O Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito, tornando qualquer interrupção da circulação marítima um fator de pressão sobre os mercados internacionais.


Segundo o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, uma base militar estadunidense localizada na Jordânia foi atingida por mísseis balísticos iranianos. As forças armadas jordanianas afirmaram ter interceptado e destruído quatro projéteis que entraram em seu espaço aéreo.


Em resposta, meios de comunicação estatais iranianos informaram que forças estadunidenses realizaram ataques contra diferentes cidades do Irã durante cinco horas consecutivas. Os relatos indicaram pelo menos quatro pessoas feridas após os bombardeios.


A crise também envolveu países do Golfo. O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos afirmou que mísseis de cruzeiro iranianos atingiram dois navios-tanque pertencentes ao país em águas territoriais de Omã. O ataque provocou a morte de um tripulante indiano e deixou outros oito feridos.


O Irã confirmou a imobilização de dois superpetroleiros no Estreito de Ormuz e afirmou que as embarcações ignoraram alertas emitidos pelas autoridades iranianas e navegavam com sistemas de localização desligados.


O pesquisador sênior do Carnegie Middle East Center, Yezid Sayigh, avaliou os riscos políticos da escalada e afirmou que uma retomada de operações militares em grande escala poderia gerar custos internos para os envolvidos. “Duvido que os dois lados retomem uma guerra em larga escala, especialmente porque Trump sairia prejudicado - embora também exista uma possibilidade real de que os iranianos exagerem na dose. O mesmo vale para Trump, é claro”, declarou.


A tensão militar provocou reação nos mercados financeiros. O petróleo Brent registrou alta de 4,33%, alcançando 86 dólares por barril, enquanto o petróleo WTI avançou 3,17%, chegando a 80 dólares.


Os valores representaram os maiores patamares desde meados de junho. Antes do início das operações militares em fevereiro, o Estreito de Ormuz concentrava cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito.


A proposta estadunidense de cobrança de uma tarifa de proteção sobre cargas que atravessam a região foi rejeitada pelo ministro iraniano das Relações Exteriores, Seyed Abbas Araghchi. Em publicação na rede social X, o ministro afirmou que o Irã é o responsável pela segurança da passagem marítima e contestou o valor anunciado.


“20% é, obviamente, demais. Seremos justos”, escreveu Seyed Abbas Araghchi. A agência marítima da Organização das Nações Unidas também se posicionou contra a cobrança, afirmando que não existe base jurídica para tarifas obrigatórias em rotas marítimas internacionais.


No campo político, Donald Trump enviou uma notificação ao Congresso dos Estados Unidos informando a retomada das operações militares contra o Irã a partir de 7 de julho. O documento utiliza a Lei dos Poderes de Guerra para estabelecer um novo período de 60 dias em que a Casa Branca pode conduzir ações militares sem autorização legislativa.


“Ordenei essa ação militar em consonância com minha responsabilidade de proteger os norte-americanos e a segurança nacional dos Estados Unidos, bem como os interesses de política externa do país”, afirmou Trump na carta enviada ao Congresso, datada de 10 de julho.


A medida foi apresentada como uma interpretação da legislação estadunidense para ampliar a margem de atuação presidencial. Parlamentares de oposição questionaram o uso da norma e afirmaram que a iniciativa busca limitar a participação do Congresso em decisões sobre operações militares.


A escalada também afetou o acordo de paz preliminar firmado em 17 de junho, que havia reduzido temporariamente as tensões entre as partes. O novo confronto prolongou uma crise iniciada há mais de 4 meses.

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