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Flávio Bolsonaro promete levar embaixada brasileira para Jerusalém

O pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro afirmou que pretende transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém caso seja eleito nas eleições de 2026. A declaração foi feita no sábado, 11 de julho de 2026, durante entrevista ao Canal 14, emissora israelense ligada à extrema direita. O parlamentar também defendeu uma aproximação política com Israel e afirmou que adotaria uma agenda alinhada às posições do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.


Flavio Bolsonaro em Jerusalém
Flavio Bolsonaro em Jerusalém

Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro apresentou Israel como principal parceiro estratégico de um eventual governo sob sua liderança e declarou: “A partir de 2027, o Brasil terá um presidente que reconhece Israel, que ama o povo judeu”. A promessa repete uma pauta defendida pela extrema direita internacional desde o primeiro mandato de Donald Trump nos Estados Unidos.


A proposta de transferir a representação diplomática brasileira para Jerusalém foi criticada por organizações ligadas à defesa da soberania palestina e por setores que apontam a medida como uma aproximação da política externa brasileira às posições estadunidenses e israelenses sobre o status da cidade.


Flávio Bolsonaro também afirmou apoio aos chamados “Acordos de Isaac”, iniciativa apresentada como uma continuidade dos Acordos de Abraão, articulados durante o governo de Donald Trump para ampliar relações políticas, econômicas e militares entre Israel e países aliados.


Na mesma entrevista, o pré-candidato elogiou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que possui mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional por acusações relacionadas a crimes cometidos no contexto do genocídio em Gaza. “Netanyahu é uma pessoa inteligente e extraordinariamente corajosa. É preciso alguém com esse perfil, com mão forte, para enfrentar o terrorismo”, declarou.


Para José Reinaldo Carvalho, presidente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), a proposta representa uma aproximação com a agenda do trumpismo. “Flávio Bolsonaro está fazendo todos os esforços possíveis e impossíveis para parecer ser o melhor amigo do Trump. E faz parte desses esforços adotar toda a agenda trumpista. Essa é uma das propostas mais clássicas desde o primeiro mandato de Trump”, afirmou ao Portal Vermelho.


A transferência da embaixada brasileira para Jerusalém é uma reivindicação defendida por setores da extrema direita internacional desde que Donald Trump, em 2017, reconheceu Jerusalém como capital de Israel e determinou a transferência da embaixada estadunidense de Tel Aviv para a cidade.


A decisão do governo estadunidense rompeu décadas de posição diplomática adotada por diversos países e foi rejeitada por resoluções das Nações Unidas, que consideram o status de Jerusalém uma questão pendente e defendem que sua definição ocorra por negociações entre israelenses e palestinos.


Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental, ocupada por Israel desde 1967, como capital de um futuro Estado palestino. Segundo José Reinaldo Carvalho, a cidade possui importância política e territorial para a construção de uma soberania palestina.


“Jerusalém Oriental não é apenas um símbolo religioso ou cultural. Ela possui centralidade política, significado histórico profundo e importância territorial objetiva para a constituição de um Estado palestino independente e viável”, afirmou.


O presidente do Cebrapaz declarou que o reconhecimento de Jerusalém como capital exclusiva de Israel não contribui para uma solução política. “Uma paz verdadeira só pode ser construída mediante a vontade coletiva e o exercício pleno dos direitos do povo palestino, jamais pela imposição da vontade da potência ocupante, ainda mais quando essa potência ocupante é uma potência criminosa e genocida”, disse.


A tentativa de aproximar o Brasil dessa política já ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro. Após assumir a Presidência em 2019, Bolsonaro defendeu a transferência da embaixada brasileira para Jerusalém, mas encontrou resistência de setores diplomáticos e representantes do agronegócio, que alertaram para possíveis impactos nas relações comerciais com países árabes.


Diante da pressão, o governo brasileiro abriu apenas um escritório comercial em Jerusalém, sem alterar a localização da embaixada. Na época, Eduardo Bolsonaro e Benjamin Netanyahu apresentaram a medida como uma etapa para uma futura transferência da representação diplomática.


José Reinaldo Carvalho afirmou que a proposta defendida por Flávio Bolsonaro contraria normas internacionais relacionadas ao status da cidade. “O que Flávio Bolsonaro está propondo demonstra sua incompatibilidade com o direito internacional, com o consenso democrático internacional, com uma política externa independente e soberana e com o próprio multilateralismo”, declarou.


Segundo ele, a posição do parlamentar segue uma orientação de alinhamento com o imperialismo estadunidense e com a política do governo israelense. “Flávio Bolsonaro, tal como seu pai, que tentou fazer o mesmo quando esteve na Presidência, tem uma orientação de submissão completa aos ditames do imperialismo estadunidense, do trumpismo e do sionismo israelense. Ao defender essa proposta, mostra-se cúmplice do genocídio e de todos os crimes que Israel cometeu e continua cometendo contra o povo palestino”, afirmou.


O dirigente do Cebrapaz citou a Resolução 478 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, aprovada em 1980, que rejeitou a tentativa israelense de alterar o status de Jerusalém e recomendou aos países que retirassem suas missões diplomáticas da cidade.


“Nós consideramos indispensável preservar esse marco jurídico internacional porque ele impede que a força militar, a prepotência, a arrogância e o crime internacional se transformem na fonte da soberania. A fonte da soberania é o direito. Em primeiro lugar, o direito do povo daquela nação. Em segundo lugar, o direito internacional construído sobre essa realidade”, afirmou.

Carvalho também declarou que a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial, incorporada à Carta das Nações Unidas, rejeita a aquisição de territórios por ocupação militar ou violação da soberania de outros povos.


“Reconhecer Jerusalém como israelense significa premiar a política de ocupação e anexação”, afirmou. “A medida proposta por Flávio Bolsonaro colocaria o Brasil em rota de colisão com o sistema multilateral e com a legalidade internacional.”


O presidente do Cebrapaz lembrou que o Brasil reconhece oficialmente o Estado da Palestina desde 2010, dentro das fronteiras anteriores à Guerra de 1967. Para ele, a mudança da embaixada representaria uma ruptura com essa posição diplomática.


“Transferir a embaixada brasileira para Jerusalém significaria contradizer esse reconhecimento e enfraquecer as bases territoriais da soberania palestina”, declarou.


Segundo Carvalho, o status de Jerusalém deve ser definido por negociações entre israelenses e palestinos, e uma alteração unilateral reduziria a capacidade brasileira de atuar diplomaticamente com diferentes governos.


“A mensagem enviada ao povo palestino seria a de que o Brasil abandonou a causa palestina”, afirmou.


Para ele, a medida também representaria uma legitimação da ocupação israelense em Jerusalém Oriental. “Como essa ocupação hoje se dá através do genocídio, seria também uma mensagem de adesão ao genocídio”, declarou.


O dirigente acrescentou que, para palestinos que vivem em Jerusalém Oriental, Cisjordânia e Gaza, a transferência da embaixada significaria a negação do direito a um Estado soberano e a uma capital própria.

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