Irã acusa Israel de buscar guerra regional e alerta para operações de falsa bandeira em países árabes
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O governo iraniano acusou nesta terça-feira (3) o regime de Israel de tentar deliberadamente ampliar a guerra iniciada contra o Irã em conjunto com os Estados Unidos. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, durante coletiva realizada dentro de uma escola atingida por bombardeios em Teerã. Segundo a Sociedade do Crescente Vermelho do Irã, 787 pessoas já morreram desde o início da ofensiva, incluindo mais de 160 crianças. Baghaei afirmou que há indícios de tentativas de sabotagem em países árabes vizinhos.

A coletiva ocorreu poucas horas após relatos de detenções de agentes do Mossad na Arábia Saudita e no Catar, acusados de planejar atentados a bomba. Para Baghaei, o objetivo seria criar pretextos para expandir o conflito para além das fronteiras iranianas. “O regime sionista buscará, sem dúvida, explorar a situação, expandir o alcance do fogo e realizar atos de sabotagem em países da região para transformar a guerra que iniciou junto com os Estados Unidos contra o Irã em um conflito regional amplo”, declarou.
O porta-voz afirmou que Teerã já havia advertido que qualquer nova agressão não ficaria restrita ao território iraniano. Ele recordou que o Líder da Revolução Islâmica, no martírio de Khamenei, havia alertado que um ataque ao Irã resultaria em guerra regional. “Foi enfatizado anteriormente que, se uma guerra fosse lançada contra o Irã, seu alcance se estenderia à região”, disse Baghaei, classificando o aviso como “responsável” e feito “nos mais altos níveis”.
Em contraposição às acusações de escalada, Baghaei declarou que as Forças Armadas iranianas têm como alvo exclusivamente instalações militares, incluindo locais onde estão estacionadas bases e guarnições militares estadunidenses. Segundo ele, os ataques iranianos não visam gerar instabilidade regional, mas responder a estruturas “utilizadas para atacar o Irã”.
A nova fase da ofensiva começou no sábado, segundo o governo iraniano, e atingiu inclusive estruturas policiais diplomáticas no país.
“Os mesmos indivíduos que atacaram a polícia diplomática não hesitarão em projetar operações de falsa bandeira contra instalações diplomáticas em países regionais para expandir sua guerra”, afirmou.
Baghaei classificou os ataques como tentativa de destruição sistemática da sociedade iraniana. “O que está acontecendo no Irã é um genocídio, ou seja, uma tentativa de destruir uma etnia: atingir meninas iranianas, as elites do país e tudo o que forma a base de uma nação não é nada além de um esforço para alterar o sonho de um povo”, declarou. Ele acrescentou: “Esse sonho não mudará. Eles não nos deixaram outro caminho senão a resistência”.
De acordo com a Sociedade do Crescente Vermelho do Irã, pelo menos 787 pessoas morreram até agora, entre elas mais de 160 crianças que teriam sido mortas durante um ataque a uma escola na província de Hormozgan, no sul do país. Autoridades locais afirmam que 165 crianças morreram apenas na cidade de Minab após bombardeio contra uma escola primária.
O porta-voz atribuiu o agravamento da situação à inação da comunidade internacional diante de crimes cometidos nos últimos dois anos e meio. Ele mencionou explicitamente o genocídio na Faixa de Gaza como exemplo de impunidade que, segundo o governo iraniano, encorajou novas ofensivas na região.
Questionado sobre as condições para o fim da guerra, Baghaei afirmou que o Irã não escolheu o confronto militar. “Essa agressão militar não foi nossa escolha. Nossa escolha sempre foi a diplomacia. Fizemos todo esforço até o último momento para evitar entrar em um processo de guerra, mas o outro lado decidiu travá-la”, disse.
Segundo ele, a única forma de encerrar o conflito é a cessação imediata dos ataques israelenses e estadunidenses. Baghaei declarou que o Conselho de Segurança das Nações Unidas tem o dever de agir, ainda que experiências anteriores demonstrem falhas na responsabilização de aliados estratégicos de Washington. “A comunidade internacional deve decidir, antes que seja tarde demais e a guerra se torne prolongada e expansiva, garantir que o Conselho de Segurança cumpra suas responsabilidades e, ao obrigar as partes agressoras a cessar sua agressão, restabeleça a segurança e a estabilidade na região”, afirmou.
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