Chá contra o gelo: mães somalis enfrentam o ICE em Minneapolis
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Dezenas de mães somalis em Minneapolis organizam uma rede comunitária de resistência diante do aumento da presença do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) na cidade. A iniciativa ganhou força após agentes federais matarem dois cidadãos estadunidenses, Renee Good e Alex Pretti, em janeiro de 2026. Em temperaturas abaixo de zero, as mulheres distribuem chá tradicional com gengibre e sambusas enquanto monitoram operações migratórias. A ação combina cuidado coletivo, vigilância comunitária e denúncia política do aparato migratório estadunidense. O movimento ocorre em um estado que abriga a maior população somali do país, sob um governo federal que intensificou ataques retóricos à comunidade.
A mobilização se concentra no enclave somali de Cedar Riverside, em Minneapolis, onde mães se revezam para observar a atividade do ICE nas ruas e oferecer apoio a moradores. A organizadora comunitária Nasro Hassen relata que a distribuição de chá funciona como abrigo simbólico e prático contra o frio e contra o medo. “Nossos vizinhos nos deram um apoio inestimável durante os incidentes com o ICE. Eles nos apoiaram”, afirmou. “Eles vieram em nosso socorro e nos ofereceram proteção. Em troca, oferecemos a eles chá e sambusas.”
Os encontros também ocorrem em memoriais improvisados para Renee Good e Alex Pretti, mortos por agentes federais no mês anterior. Em 31 de janeiro de 2026, pessoas se reuniram em torno de um memorial para Pretti em Minneapolis, segundo registro da Associated Press. As mortes elevaram a tensão política local e levaram autoridades municipais e manifestantes a exigir a retirada do ICE da cidade, apontando a escalada de violência estatal contra civis.
Hassen descreve o impacto humano das ações federais. “Como mães, sentimos profunda tristeza pela mãe que foi assassinada, pois ela deixou filhos, e isso nos afetou profundamente”, disse. “Depois, o menino que era enfermeiro foi outra tragédia. Partiu nossos corações perder essas pessoas tão queridas.” As falas expõem o custo social de uma política migratória que, sob o discurso de “segurança”, produz luto e intimidação.
Apesar dos riscos, as mães organizam patrulhas comunitárias noturnas. “Nós nos revezamos para apoiar e proteger nossa vizinhança. Apitamos e ficamos vigilantes. Estamos em todos os lugares”, relatou Hassen. A prática responde à percepção de abandono e hostilidade por parte do Estado, substituindo a proteção pública por solidariedade organizada.
O contexto nacional agrava o cenário. Nos últimos meses, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou ataques verbais e ameaças contra a comunidade somali, reforçando um ambiente político que legitima operações agressivas do ICE. Minnesota concentra a maior população somali do país; dados do Departamento do Censo dos Estados Unidos indicam que quase 58% dos residentes somalis no estado nasceram nos EUA, desmontando a narrativa oficial que associa a comunidade à “ilegalidade”.









































