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Netanyahu transfere culpas por 7 de outubro enquanto bloqueia investigação sobre o genocídio em Gaza

O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta semana que houve uma “falha grave ao nível das informações” no dia 7 de outubro de 2023. Em depoimento à Comissão de Negócios Estrangeiros e Defesa do parlamento israelense, o premiê acusou o então chefe do serviço de segurança interna, Ronen Bar, de falsificar atas de uma reunião realizada no dia do ataque. Netanyahu declarou esperar que seja afastada qualquer suspeita de “traição”, segundo relato do jornal The Times of Israel.


Primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu
Primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu

Segundo Netanyahu, “ninguém imaginava” que o Hamas lançaria ataques naquele dia, e a avaliação dominante entre as lideranças israelenses era de que o grupo havia sido dissuadido. O premiê citou conversas mantidas com Ronen Bar, com o então ministro da Defesa Benny Gantz e com o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett para sustentar a tese de erro coletivo de avaliação. “Todos pensavam que o Hamas tinha sido dissuadido”, afirmou, numa tentativa explícita de redistribuir a responsabilidade institucional pelo colapso da inteligência.


Os ataques de 7 de outubro de 2023 resultaram em cerca de 1.200 mortos em Israel e captura de 251 colonos ilegais, segundo dados oficiais israelenses, episódio usado como justificativa para a ofensiva militar subsequente. A resposta israelense deu início ao genocídio contra a população palestina da Faixa de Gaza, marcado por destruição em massa, mortes de civis e colapso humanitário, em violação reiterada do direito internacional. Desde 10 de outubro de 2025, vigora um cessar-fogo no território, sem que as responsabilidades políticas e militares tenham sido apuradas.


Durante a sessão no Knesset, deputados do partido Yesh Atid, liderado pelo ex-primeiro-ministro Yair Lapid, abandonaram a audiência em protesto. Em nota publicada na rede social X, o partido afirmou que não participaria de “um circo midiático, que visa fugir à responsabilidade e transformar a comissão num espetáculo vazio de relações públicas”. A legenda acusou Netanyahu de chegar com “mensagens pré-preparadas” para “manipular a opinião pública e reescrever a história”, acrescentando que “nenhuma manobra retórica irá obscurecer o fracasso” das autoridades israelenses em 7 de outubro de 2023.


Apesar da pressão interna, Netanyahu continua rejeitando a criação de uma comissão independente de inquérito, alegando que a prioridade era “derrotar o Hamas” e neutralizar ameaças a partir de Gaza. Em novembro, o Supremo Tribunal de Israel exigiu explicações formais do governo sobre a ausência de uma investigação conduzida de forma “independente, profissional e sem dependência” política. Ainda assim, o Conselho de Ministros anunciou apenas a criação de um comitê ministerial para discutir o mandato de um eventual órgão investigativo, que, segundo o The Jerusalem Post, reuniu-se apenas uma vez desde sua criação, reforçando a percepção de obstrução deliberada da apuração dos fatos.

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