“O mundo enfrenta, pela primeira vez uma realidade sem quaisquer limites vinculativos para os arsenais nucleares.” Guterres
- www.jornalclandestino.org

- há 3 horas
- 2 min de leitura
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou na madrugada de quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, que o mundo entrou em um território inexplorado com o fim do Tratado Novo START. O acordo expirou à meia-noite GMT sem ser substituído, eliminando as últimas restrições juridicamente vinculantes sobre os arsenais nucleares da Rússia e dos Estados Unidos. Juntos, os dois países concentram a vasta maioria das armas nucleares existentes no planeta. Segundo Guterres, trata-se da primeira vez em mais de cinquenta anos que não há limites legais para arsenais nucleares estratégicos dessas potências. O colapso ocorre em meio à escalada de tensões globais e ao aumento do risco de uso de armas nucleares ao nível mais alto em décadas.

“O mundo enfrenta, pela primeira vez em mais de meio século, uma realidade sem quaisquer limites vinculativos para os arsenais nucleares estratégicos”, afirmou Guterres em comunicado divulgado no momento da expiração do tratado.
O Novo START, formalmente denominado Tratado sobre Medidas para a Redução e Limitação Adicional de Armas Ofensivas Estratégicas, foi assinado em 2010 e entrou em vigor em 2011, impondo um teto de 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas por cada lado.
Além do limite de ogivas, o acordo restringia sistemas de lançamento, como mísseis balísticos intercontinentais e bombardeiros pesados, e estabelecia mecanismos de verificação considerados centrais para a estabilidade estratégica. Esses instrumentos incluíam troca regular de dados, notificações obrigatórias e inspeções no local, desenhados para reduzir a desconfiança e minimizar o risco de erros de cálculo entre as duas potências nucleares.
Guterres destacou que décadas de acordos de controle de armas, desde as Conversações sobre Limitação de Armas Estratégicas da Guerra Fria até o Novo START, foram decisivas para evitar catástrofes globais.
“Durante toda a Guerra Fria e no período subsequente, o controle de armas nucleares entre esses governos ajudou a evitar uma catástrofe”, declarou, acrescentando que essas estruturas “construíram estabilidade” e “impediram erros de cálculo devastadores”.
O secretário-geral advertiu que a dissolução desse arcabouço ocorre em um momento especialmente perigoso, marcado pela deterioração do multilateralismo e pela normalização do discurso militarista nas grandes potências. Ainda assim, afirmou que a crise também expõe a necessidade de repensar o controle de armas em um ambiente de segurança em transformação, mencionando declarações recentes dos presidentes da Rússia e dos Estados Unidos que reconhecem os riscos de uma nova corrida armamentista nuclear.
“O mundo agora espera que a Federação Russa e os Estados Unidos transformem palavras em ações”, disse Guterres, ao cobrar a retomada imediata das negociações e a construção de um acordo sucessor. Segundo ele, qualquer novo marco deverá restaurar limites verificáveis, reduzir riscos estratégicos e reforçar a segurança global, hoje fragilizada pela combinação de arsenais sem freios e rivalidades geopolíticas alimentadas por décadas de hegemonismo e confrontação.









































