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Matéria completa: Conflito sobre o nome Black Panther Party e a carta pública de Aaron Dixon

Recentemente, o Jornal Clandestino publicou algumas matérias de notícia e artigos de opinião sobre a controvérsia envolvendo o uso do nome Black Panther Party por grupos contemporâneos. No entanto, como os fatos ainda estavam em pleno desenrolar e novas informações surgiam quase diariamente, é possível que a situação tenha sido parcialmente mal compreendida ou interpretada de forma incompleta. Diante disso, optamos por publicar esta matéria completa, reconstruindo os acontecimentos de maneira cronológica e contextualizada, com o objetivo de tornar o episódio mais transparente e oferecer ao leitor uma compreensão mais precisa do que está em disputa.



Nos Estados Unidos, um debate intenso sobre identidade, legitimidade e legado histórico surgiu em janeiro de 2026, envolvendo grupos que reivindicam o nome e o legado do Partido dos Panteras Negras (Black Panther Party, BPP) — icônica organização radical dos anos 1960–70 fundada por Bobby Seale e Huey Newton em Oakland, Califórnia, que defendia autodefesa armada e programas comunitários contra a injustiça racial.


Surgimento de um novo grupo e polêmica

Um grupo contemporâneo liderado por Paul Birdsong, denominado Black Panther Party for Self-Defense (Partido dos Panteras Negras pela Autodefesa), vinha ganhando visibilidade em cidades como Filadélfia por meio de ações comunitárias — como distribuição de alimentos — e discursos de resistência contra violência policial e imigração forçada.


Esse uso do nome histórico do BPP gerou forte reação de veteranos e figuras ligadas ao movimento original, que argumentam que a organização original acabou décadas atrás e que nenhum grupo atual pode simplesmente reivindicar o nome sem legitimidade histórica. Em resposta às controvérsias, alguns membros do grupo contemporâneo optaram por mudar o nome para Black Lion Party for International Solidarity (Partido do Leão Negro pela Solidariedade Internacional).




Rechaço direto de um líder histórico: Aaron Dixon

No contexto dessa disputa, em 27 de janeiro de 2026, circulou nas redes sociais uma declaração pública atribuída a Aaron Dixon, ativista e ex-capitão do capítulo de Seattle do Partido dos Panteras Negras, na qual ele retira qualquer apoio ao uso do nome “Black Panther Party” pelo grupo de Paul Birdsong e reafirma que o nome é sagrado e não deve ser usado por nenhuma organização atual sem consenso e legitimidade.


Importante destacar que essa declaração foi compartilhada publicamente por terceiros via redes sociais (Instagram, X, Reddit...) e atribuída a Elaine Brown — outra figura histórica do movimento — como quem a divulgou, mas não foi publicada em um grande veículo de imprensa ou site institucional no momento em que vazou.


A seguir, apresentamos a tradução completa do texto da carta atribuída a Aaron Dixon, conforme viralizou online:


Carta pública de Aaron Dixon – tradução completa

Declaração de Aaron Dixon (publicada por Elaine Brown — 27 de janeiro de 2026):


Nas últimas semanas, tem circulado muita conversa nas mídias sociais sobre Paul Birdsong, que tem chamado sua suposta organização de Black Panther Party for Self-Defense.


Normalmente, quando jovens me procuram querendo se chamar Partido dos Panteras Negras, eu peço que encontrem outro nome. Um grupo escolheu o nome “Open”. Outro grupo se chama “Elephant Party”. Ambos parecem fazer um bom trabalho.


Quando fui contatado por Paul Birdsong, embora ele estivesse operando em Filadélfia, ele me disse que havia “Panteras originais” em Los Angeles com quem ele trabalhava, e me deu nomes que, no entanto, eu não conhecia. Naquele momento eu deveria ter investigado mais, mas não o fiz. Estou corrigido.


Paul ofereceu voar comigo para Filadélfia, e eu concordei para poder conhecê-lo. Observei que ele estava fazendo muito trabalho com distribuição de alimentos e churrascos gratuitos semanais, além de visitar uma família que havia sido supostamente assediada pelos “porcos” (polícia). Ele também estava cuidando de um de nossos camaradas Panther, Stretch Peterson, que está bastante debilitado.


Logo, Birdsong estava obtendo uma grande exposição nas redes sociais, e sua imagem tornou-se mais performática. Vi seu ego crescer desproporcionalmente, assisti-o usar a palavra “eu” ao invés de “nós”. Era tudo teatro político.

Só existe um Black Panther Party, e foi o fundado por Huey P. Newton e Bobby Seale em 1966. Mais de 30 Panteras foram mortos, e muitos foram para a prisão, alguns dos quais ainda estão encarcerados. Alguns foram ao exílio, e ainda estão exilados. Os membros do partido pagaram um preço alto para avançar a luta pela libertação negra, nossas vidas totalmente dedicadas a “servir ao povo” 24 horas por dia.


O nome Black Panther Party é sagrado. E nenhum grupo está autorizado a usá-lo em nenhuma forma. Paul Birdsong não aceitou esse princípio, seu ego fora de controle.


Portanto, quero deixar claro aqui e agora que nem eu, nem Billy Che Brooks de Chicago, nem Bullwhip de Nova York apoiamos Paul Birdsong ou seu grupo de nenhuma maneira.


Conversei com minha camarada Elaine Brown, ex-presidente do partido, e ela concorda. Paul Birdsong, mantenha nossos nomes fora da sua boca, e não use novamente o nome Black Panther Party.


Todo poder ao povo!

Aaron Dixon

Co-fundador, Capítulo de Washington State, Black Panther Party


(tradução baseada em publicação de redes sociais)



Editorial do Jornal Clandestino:


Por fim, pedimos desculpas caso as matérias anteriores não tenham sido suficientemente específicas ou claras em relação a determinados pontos. Reforçamos que, embora a carta atribuída a Aaron Dixon seja central no debate e esteja amplamente circulando em redes sociais e meios alternativos, ela segue sem confirmação oficial coletiva por parte do conjunto dos antigos membros do Partido dos Panteras Negras, devendo, portanto, ser tratada com o devido rigor crítico e jornalístico.



Contexto histórico e fontes

Partido dos Panteras Negras (BPP): movimento radical de autodefesa e programas sociais comunitários, ativo principalmente de 1966 a 1982, fundado por Huey Newton e Bobby Seale.


©THE PHILADESLPHIA INQUIRIRER
©THE PHILADESLPHIA INQUIRIRER

Paul Birdsong: ativista contemporâneo que organizou um grupo usando o nome histórico Black Panther Party for Self-Defense, o qual passou por controvérsias públicas e mudou seu nome em parte das comunicações.


Uso de nomes e legitimidade: a controvérsia lembra outros casos de disputa de nomes, como a história do New Black Panther Party — grupo fundado nos anos 1980, que não tem reconhecimento oficial como sucessor do BPP original e foi amplamente condenado por figuras históricas.



Referências e links relevantes


Wikipedia – Aaron Dixon (bio e histórico): https://en.wikipedia.org/wiki/Aaron_Dixon

História do Partido dos Panteras Negras: https://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_dos_Panteras_Negras




New Black Panther Party (organização distinta dos originais): https://en.wikipedia.org/wiki/New_Black_Panther_Party

 
 

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