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"Relatório da inteligência americana: Ataque militar em larga escala dificilmente derrubará o regime iraniano" The Washington Post

Um relatório confidencial do Conselho Nacional de Inteligência dos Estados Unidos concluiu que mesmo um ataque militar em larga escala contra o Irã dificilmente resultaria na queda do governo iraniano. O documento, revelado pelo The Washington Post em 7 de março de 2026, foi concluído apenas uma semana antes da atual escalada militar iniciada no sábado anterior.


Segundo o The Washington Post, o relatório foi elaborado pelo Conselho Nacional de Inteligência, órgão que reúne analistas seniores responsáveis por sintetizar avaliações estratégicas da comunidade de inteligência estadunidense e apresentá-las aos formuladores de política externa e segurança nacional. De acordo com pessoas familiarizadas com o conteúdo do documento ouvidas pelo jornal, a avaliação central é que a liderança política e militar do Irã possui protocolos institucionais para manter o controle do Estado mesmo em cenários extremos, incluindo a eliminação do líder supremo.


O relatório analisa possíveis cenários de sucessão política no país, incluindo operações de assassinato direcionadas contra altos dirigentes ou campanhas militares mais amplas destinadas a enfraquecer a liderança iraniana. Ainda assim, a avaliação da inteligência indica que, mesmo após o martírio de Khamenei, a cúpula do Estado iraniano acionaria mecanismos previamente estabelecidos para preservar a continuidade do governo e da cadeia de comando do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica e das demais instituições estatais.


A divulgação do relatório ocorre em meio à retórica agressiva do governo estadunidense. Na quarta-feira anterior, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou que as forças armadas do país “apenas começaram” a desmantelar as capacidades militares do Irã. No dia seguinte, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou à NBC News que Washington pretende garantir um “novo futuro de governança” para o Irã, dizendo que o objetivo seria entrar no país para “limpar tudo”.


Na sexta-feira, Trump voltou a elevar o tom ao exigir a “rendição incondicional” do Irã. Em entrevista posterior ao portal Axios, o presidente esclareceu que essa rendição significaria, na prática, a destruição total das capacidades militares iranianas, e não necessariamente uma capitulação formal do governo de Teerã.

Apesar da ofensiva militar e da pressão política, o relatório destaca que não há sinais de uma insurreição interna capaz de derrubar o governo iraniano. O documento observa que as estruturas estatais continuam capazes de controlar o território nacional e conter movimentos de oposição.


Suzanne Maloney, vice-presidente da Brookings Institution e especialista em Irã, afirmou ao The Washington Post: “Não existe nenhuma outra força dentro do Irã capaz de confrontar o poder remanescente do regime. Mesmo que não consigam projetar esse poder de forma muito eficaz contra seus vizinhos, certamente podem dominar o cenário interno do país.”


O relatório foi concluído antes do início da atual campanha militar, e o próprio jornal observa que não está claro se o cenário analisado corresponde exatamente às operações iniciadas no sábado. Também não se sabe se o documento levou em consideração hipóteses mais radicais, como uma invasão terrestre com tropas estadunidenses ou uma rebelião armada envolvendo minorias étnicas, incluindo grupos curdos no território iraniano.


Outro fator central discutido no documento é o processo de sucessão após o martírio de Khamenei. A escolha do novo líder supremo cabe à Assembleia de Peritos do Irã, um órgão clerical composto por 88 membros responsável constitucionalmente por eleger o chefe máximo do Estado.


Segundo informações divulgadas por agências iranianas, o processo foi interrompido após um ataque israelense atingir o edifício onde os membros da assembleia estavam reunidos para discutir a sucessão. As autoridades iranianas afirmaram que o prédio foi “arrasado” pelo bombardeio.


Apesar da intensificação dos ataques aéreos e das declarações de Washington sobre a possibilidade de remodelar o sistema político iraniano pela força, o próprio relatório da inteligência estadunidense sugere que tal objetivo permanece, no mínimo, altamente improvável.

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