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Agronegócio lidera lista de empresas ligadas ao trabalho escravo

O Ministério Público do Trabalho divulgou em 29 de abril de 2026 dados do projeto Reação em Cadeia que mapeia cadeias produtivas associadas a trabalho análogo à escravidão no Brasil. O levantamento indica ligação de mais de 50 empresas com fluxo econômico superior a R$ 48 bilhões em cadeias com registros de exploração laboral. O estudo aponta ações civis, acordos e fiscalização sobre fornecedores ao longo dessas cadeias.


Trabalho escravo - Arquivo
Trabalho escravo - Arquivo

O Ministério Público do Trabalho afirma que o objetivo das medidas envolve responsabilização de empresas ao longo da cadeia econômica. O órgão relaciona empresas como Cargill, JBS, Brasil Global Agroindustrial Ltda, C M Distribuidora de Alimentos Ltda e RRX Comércio de Carnes Eireli a ações civis públicas. O relatório registra termos de ajuste de conduta com Agropecuária Nova Gália, Âncora Siderúrgica Ltda., Balbinos Agroindustrial Eireli, Bonna Vitta Indústria e Comércio Ltda., Gol Combustíveis S/A, municípios de Soledade e Taperoá, Sidermin Siderúrgica Mineira Ltda. e Viena Siderúrgica.


O MPT afirma no relatório: “A responsabilização precisa alcançar toda a cadeia, desde o fornecedor até a empresa líder, para garantir a erradicação de práticas ilegais”. O documento estabelece exigência de auditorias, visitas técnicas semestrais, mecanismos de diligência em direitos humanos e inclusão de protocolos sobre trabalho infantil, trabalho análogo à escravidão, tráfico de pessoas e segurança laboral. O texto também determina integração de especialistas em direitos humanos em setores de compras e suprimentos.

O projeto Reação em Cadeia identifica empresas com faturamento superior a R$ 1 bilhão com fluxo superior a R$ 14,4 bilhões e participação de 19,25% nos processos analisados. O levantamento indica concentração de casos no meio rural em pecuária, produção de carvão vegetal, cafeicultura, corte de cana-de-açúcar, soja, sisal e mandioca, e no meio urbano em indústria têxtil e construção civil. O relatório afirma: “O trabalho escravo contemporâneo no Brasil não conhece fronteiras entre o rural e o urbano. Ele se adapta às características de cada setor econômico”.


O estudo registra transações de redes supermercadistas com fornecedores ligados a trabalho análogo à escravidão em valor superior a R$ 40 bilhões. O setor de combustíveis registra aquisição superior a R$ 1,8 bilhão em etanol de usinas autuadas. O setor siderúrgico registra transações superiores a R$ 1,2 bilhão. O setor da moda registra movimentação superior a R$ 126 milhões. A agropecuária registra valor superior a R$ 3,2 bilhões.


O Ministério Público do Trabalho afirma ampliação da fiscalização para cadeias produtivas e identificação de beneficiários econômicos finais. O procurador Irlan Fonseca afirma: “A intensificação das ações de fiscalização tem revelado a real dimensão do problema: quanto mais o Estado está presente, mais trabalhadores são encontrados em condições degradantes”. O órgão registra falhas em mecanismos de diligência e substituição de fornecedores após autuações sem alteração das condições de trabalho.


O relatório registra a expressão “cegueira deliberada” para práticas empresariais que mantêm relações comerciais diante de indícios de irregularidades. O texto afirma: “A simples substituição de fornecedores, sem enfrentar as condições que viabilizam a exploração, perpetua o problema e mantém intacta a lógica que sustenta essas violações”.


A vice-procuradora-geral do Trabalho, Teresa Basteiro, afirma: “É preciso avançar em um projeto civilizatório que alcance toda a sociedade, especialmente os trabalhadores mais vulneráveis”. O texto do MPT registra 30 anos desde o primeiro resgate de trabalhadores em condições análogas à escravidão em carvoaria no Mato Grosso do Sul.

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