O Irã adiou retaliação após ataque naval dos EUA para proteger os civis a bordo
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- 20 de abr.
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O Irã anunciou nesta segunda-feira, 20 de abril, que adiou sua resposta militar após um ataque dos Estados Unidos contra um navio comercial iraniano. A decisão foi confirmada pelo tenente-coronel Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbia das Forças Armadas iranianas. Segundo ele, a presença de civis a bordo impediu uma reação imediata. O ataque ocorreu no domingo, 19 de abril, no Mar de Omã, a cerca de 48 quilômetros da costa iraniana. Teerã classificou a ação como agressão direta e violação do direito internacional.

“Após a agressão declarada de comandos terroristas dos EUA contra um navio comercial iraniano nas águas do Mar de Omã, as Forças Armadas da República Islâmica declararam-se preparadas para responder firmemente aos agressores”, afirmou Zolfaqari.
Apesar disso, o porta-voz destacou que a presença de familiares da tripulação a bordo obrigou as forças iranianas a conter qualquer ação imediata, “a fim de preservar a vida e a segurança dos civis, que estavam em constante risco”.
Zolfaqari reiterou que a resposta militar não foi descartada, mas condicionada à segurança completa dos civis envolvidos. “Após garantir a segurança das famílias e da tripulação a bordo do navio, as poderosas Forças Armadas da República Islâmica do Irã tomarão as medidas necessárias contra os militares terroristas dos EUA”, declarou, indicando que a retaliação permanece apenas temporariamente suspensa.
O episódio ocorreu após forças navais estadunidenses interceptarem o navio porta-contêineres M/V Touska, pertencente à Companhia de Navegação da República Islâmica do Irã (IRISL). De acordo com informações divulgadas pela própria mídia estadunidense, o destróier USS Spruance disparou ao menos três vezes com seu canhão de 5 polegadas contra a casa de máquinas da embarcação, danificando seus motores sem afundá-la. Em seguida, fuzileiros navais da 31ª Unidade Expedicionária embarcaram no navio e assumiram seu controle.
Autoridades iranianas classificaram a operação como “ato de pirataria marítima”, destacando que a ação ocorreu em meio a um cessar-fogo já fragilizado e sob um contexto de bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos desde 13 de abril de 2026. A interceptação do Touska foi a primeira operação desse tipo desde a implementação formal do bloqueio, evidenciando a escalada da pressão militar estadunidense sobre rotas comerciais iranianas.
O incidente se insere em uma sequência de medidas coercitivas adotadas por Washington na região, incluindo tentativas de restringir o tráfego marítimo iraniano. Em resposta, Teerã havia reaberto o Estreito de Ormuz na sexta-feira anterior, como gesto de boa-fé para permitir a circulação de navios comerciais. No entanto, após o ataque ao Touska, o estreito foi novamente fechado no sábado, marcando uma rápida deterioração da situação.
O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica anunciou que a via estratégica permanecerá fechada até que o bloqueio naval estadunidense seja completamente suspenso. A força também emitiu um alerta direto: “Aproximar-se do Estreito de Ormuz será considerado cooperação com o inimigo, e a embarcação infratora será atacada”.
O fechamento do Estreito de Ormuz — por onde transita cerca de um quinto do petróleo e gás liquefeito consumido globalmente — eleva o risco de impacto imediato nos mercados energéticos e intensifica a militarização de uma das rotas mais sensíveis do comércio internacional.



































