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ONU administra retirada sul-africana da MONUSCO enquanto fracasso estrutural no Congo segue intocado

A África do Sul iniciou a retirada de suas tropas da Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO) após quase três décadas de presença militar, informou a ONU em 9 de fevereiro de 2026. A decisão foi comunicada pelo presidente sul-africano Cyril Ramaphosa ao secretário-geral da ONU, António Guterres, em 12 de janeiro. Segundo Ramaphosa, a medida responde à necessidade de “consolidar e realinhar os recursos das Forças de Defesa Nacionais da África do Sul, após 27 anos de apoio da África do Sul aos esforços de manutenção da paz da ONU na República Democrática do Congo”. A MONUSCO afirmou que conduzirá o processo de transição de forma “segura, ordenada e responsável”. A retirada ocorre em meio à persistência da instabilidade no leste congolês, apesar de mais de uma década de operações internacionais.


MONUSCO ©AFRICA CENTER FOR STRATEFIC STUDIES
MONUSCO ©AFRICA CENTER FOR STRATEFIC STUDIES

Em comunicado oficial, Ramaphosa destacou que a África do Sul está entre os dez maiores contribuintes de tropas da MONUSCO, com mais de 700 soldados destacados no país. A MONUSCO respondeu elogiando o “firme compromisso ao longo de várias décadas” do governo e do povo sul-africano e a “dedicação demonstrada pelos soldados de paz sul-africanos em apoio ao mandato da Missão”. A operação da ONU afirmou ainda que manterá diálogo com Pretória sobre “lições aprendidas” e eventual apoio futuro às missões de manutenção da paz.


O porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, declarou em Nova York que António Guterres agradeceu à África do Sul “por seu compromisso e sacrifício de longa data”. A missão também prestou homenagem aos soldados sul-africanos mortos em serviço, lembrando que atuaram “sob a bandeira das Nações Unidas a serviço da paz na República Democrática do Congo”.


A MONUSCO opera na RDC desde julho de 2010, sucedendo uma missão anterior criada para supervisionar acordos de cessar-fogo após a guerra no leste do país, desdobramento direto do genocídio de 1994 em Ruanda. O conflito envolveu múltiplos Estados da região e dezenas de grupos armados, episódio conhecido como a chamada Grande Guerra da África. O mandato atual da missão inclui a proteção de civis e o apoio à estabilização política em um país marcado por décadas de pilhagem de recursos naturais e interferência externa.


Em outubro de 2025, a MONUSCO contava com mais de 12.400 integrantes, sendo 9.177 soldados e 926 policiais de mais de 50 países, segundo dados da própria ONU. Desde sua criação, foram registradas 304 mortes entre os integrantes da missão. Apesar do discurso institucional de “serviço e sacrifício”, a presença prolongada da ONU não conseguiu neutralizar a violência crônica no leste congolês.


O chefe das Operações de Paz da ONU, Jean-Pierre Lacroix, está atualmente na RDC e reuniu-se na segunda-feira com o presidente Félix Tshisekedi, a primeira-ministra Judith Suminwa Tuluka e outros membros do governo. Segundo a ONU, as discussões abordaram a implementação do mandato da MONUSCO e o apoio a um cessar-fogo permanente. Lacroix seguirá para Beni, em Kivu do Norte, antes de participar da cúpula anual da União Africana, em Adis Abeba, enquanto a retirada sul-africana expõe, mais uma vez, os limites das missões internacionais em um país transformado em laboratório permanente de intervenções externas.

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