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  • O "presidente da Somalilândia" se reúne com seu "homólogo israelense" em sua primeira visita a Jerusalém

    O presidente da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdullahi, tornou-se em 14 de junho de 2026 o primeiro dirigente do território separatista a realizar uma visita oficial a Israel. A viagem ocorre meses após Israel reconhecer unilateralmente a independência da região, rompendo com a posição adotada pela ONU, pela União Africana e pela maioria dos governos do mundo. O encontro reforça uma aproximação que envolve interesses militares, comerciais e estratégicos em uma das principais rotas marítimas do planeta. O presidente de Israel, Isaac Herzog, e o presidente da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdullahi, na residência presidencial em Jerusalém, 14 de junho de 2026 (Ronen Zvulun/Reuters) Recebido em Jerusalém pelo presidente israelense Isaac Herzog, Abdullahi classificou a visita como um marco nas relações entre o território separatista e Tel Aviv. Em mensagem publicada na plataforma X, o dirigente, conhecido como Cirro, afirmou sentir-se “honrado pela calorosa recepção” e declarou que a visita representa “um marco histórico” para a Somalilândia. “Durante trinta e cinco anos, o povo da Somalilândia construiu uma nação pacífica, democrática e resiliente. Perguntamos ao mundo: Vocês nos veem? Israel foi o primeiro a responder”, escreveu Abdullahi. O presidente acrescentou: “Hoje, a história está sendo escrita, e a Somalilândia está pronta para forjar um futuro compartilhado, baseado na amizade, na cooperação e no respeito mútuo”. Segundo o jornal israelense Maariv, Abdullahi deverá reunir-se durante a visita de dois dias com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e com o ministro das Relações Exteriores Gideon Saar. Os encontros ocorrem em um contexto de aprofundamento das relações políticas entre Israel e a administração instalada em Hargeisa, capital da Somalilândia. A Somalilândia declarou independência da Somália em 1991 após o colapso do governo central somali. Apesar de manter instituições próprias, forças de segurança e administração autônoma, o território continua reconhecido internacionalmente como parte integrante da Somália. A ONU, a União Africana e a maioria dos Estados mantêm essa posição. Em dezembro de 2025, Israel tornou-se o primeiro Estado-membro das Nações Unidas a reconhecer oficialmente a Somalilândia como país independente. A decisão inseriu Tel Aviv em uma disputa geopolítica que envolve o controle de corredores marítimos, instalações militares e influência política no Chifre da África e na entrada sul do Mar Vermelho. A posição geográfica da Somalilândia ocupa lugar central nesse processo. O território está localizado próximo ao Estreito de Bab el-Mandab, passagem marítima que conecta o Golfo de Aden ao Mar Vermelho e por onde transita parcela do comércio marítimo mundial. A distância entre a costa da Somalilândia e o estreito é de aproximadamente 30 quilômetros. O reconhecimento israelense ocorreu em um momento marcado pelo aumento das tensões no Mar Vermelho, onde o movimento Ansar Allah, do Iêmen, tem realizado operações contra embarcações ligadas a Israel e seus aliados. O grupo afirma que as ações constituem resposta ao genocídio israelense contra os palestinos em Gaza. A aproximação entre Tel Aviv e Hargeisa também ocorre após anos de presença dos Emirados Árabes Unidos na região. Em 2017, a administração da Somalilândia aceitou uma proposta dos Emirados para estabelecer uma base militar no porto de Berbera. Na ocasião, autoridades locais declararam que a parceria poderia fortalecer sua busca por reconhecimento internacional. Desde o reconhecimento israelense, autoridades da Somalilândia passaram a discutir a possibilidade de instalação de uma base militar israelense no território. Embora o Ministério das Relações Exteriores da Somalilândia tenha negado anteriormente a existência de um plano formal nesse sentido, o tema permanece presente nos debates políticos relacionados à cooperação entre as duas partes. Uma eventual presença militar israelense na Somalilândia colocaria Israel próximo ao território controlado pelo Ansar Allah no Iêmen. O posicionamento permitiria monitoramento de uma das principais rotas marítimas internacionais e ampliaria a capacidade de projeção militar israelense na região do Mar Vermelho e do Golfo de Aden. Durante o encontro em Jerusalém, Isaac Herzog afirmou esperar ampliação da cooperação bilateral. “Ambos buscamos segurança e estabilidade na região e no Chifre da África. Ambos reconhecemos a importância de proteger a liberdade marítima”, declarou o presidente israelense. O fortalecimento das relações entre Israel e a Somalilândia também coincide com a ampliação da cooperação entre Tel Aviv e os Emirados Árabes Unidos, que apoiam a administração separatista desde a última década por meio de investimentos em infraestrutura portuária e projetos de segurança. Em entrevista à agência Reuters no início de fevereiro de 2026, Abdullahi afirmou esperar a assinatura de um acordo comercial com Israel. Na ocasião, declarou que sua administração estaria disposta a conceder direitos de exploração sobre depósitos minerais localizados na Somalilândia como parte de futuras negociações econômicas. Além dos interesses comerciais, dirigentes da Somalilândia avaliam que os vínculos com Israel podem contribuir para o fortalecimento de suas forças de segurança. Autoridades do território manifestaram preocupação após a decisão da ONU de suspender parcialmente, em 2023, o embargo de armas imposto à Somália, medida vista pela administração separatista como fator de alteração do equilíbrio militar na região.

  • As Brigadas Al-Quds alvejam tropas israelenses durante ataque no sul da Cisjordânia

    Combatentes das Brigadas Al-Quds anunciaram ter realizado um ataque contra uma força de infantaria israelense durante uma incursão militar em Al-Dhahiriya, ao sul de Al-Khalil (Hebron), na Cisjordânia ocupada. O Hamas saudou a ação e afirmou que ela integra a resposta palestina ao genocídio em Gaza e às operações militares israelenses nos territórios palestinos ocupados. O episódio ocorreu enquanto forças israelenses ampliavam incursões e detenções em diversas cidades, vilas e campos de refugiados da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental ocupada. Abu Hamza, porta-voz das Brigadas al-Quds | Foto: Mustafa Hassona/Anadolu Agency via Getty Images As Brigadas Al-Quds, braço armado do Movimento Jihad Islâmica Palestina, divulgaram comunicado no domingo informando que seus combatentes abriram fogo contra uma unidade de infantaria israelense que participava de uma incursão em Al-Dhahiriya. Segundo o grupo, os combatentes dispararam uma "forte saraivada de tiros diretos" contra a força de ocupação, causando baixas entre os militares israelenses. A operação ocorreu durante uma nova rodada de ações militares israelenses na Cisjordânia ocupada. Nas últimas semanas, tropas israelenses intensificaram incursões em áreas urbanas palestinas, acompanhadas por operações de detenção, buscas domiciliares e mobilização de unidades militares em diferentes províncias do território ocupado. Em comunicado divulgado após o ataque, o Hamas afirmou que a operação demonstra a continuidade das ações de resistência palestina diante da expansão das operações militares israelenses. O movimento elogiou os combatentes envolvidos na ação e também aqueles que enfrentam as incursões israelenses em cidades, vilas e campos de refugiados palestinos. O Hamas declarou que a operação integra uma resposta mais ampla às ações militares israelenses em Gaza, na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental ocupada. O movimento também convocou os palestinos da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental a ampliarem diferentes formas de resistência contra as forças de ocupação israelenses. A ação em Al-Dhahiriya ocorreu em um contexto marcado pelo aumento de confrontos armados, ataques a tiros, atropelamentos e ataques com faca contra soldados israelenses na Cisjordânia ocupada. Organizações palestinas afirmam que essas operações surgem em resposta às incursões militares, detenções e expansão dos assentamentos israelenses em território palestino ocupado. Enquanto o ataque era reivindicado pelas Brigadas Al-Quds, forças israelenses realizavam novas operações de incursão e prisão em diferentes localidades da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental ocupada. Fontes locais relataram a detenção de diversos palestinos durante operações conduzidas ao longo da noite e da madrugada. Na área de Dahiyat Al-Salam, localizada em Anata, a leste de Jerusalém Oriental ocupada, tropas israelenses detiveram um palestino e seus quatro filhos durante uma operação de busca. Outros dois jovens palestinos também foram presos após revistas realizadas na região. Na província de Jenin, militares israelenses detiveram uma mulher palestina e seu filho durante uma incursão ao Bairro Alemão. Unidades militares também entraram na aldeia de Siris, situada ao sul da cidade, como parte das operações conduzidas na província. Em Jericó, forças israelenses prenderam o ex-detento Loay al-Najjar após invadirem e revistarem a residência de sua família no campo de refugiados de Aqabat Jaber. Outra detenção foi registrada no campo de refugiados de Al-Jalazone, ao norte de Ramallah, onde um jovem palestino foi levado pelas tropas israelenses. Moradores de Al-Dhahiriya relataram que a incursão militar israelense na cidade foi acompanhada pelo uso de munição real, gás lacrimogêneo e substâncias descritas por fontes locais como gás tóxico. Os residentes também informaram que soldados israelenses realizaram buscas em residências e promoveram saques durante a operação. O ataque reivindicado pelas Brigadas Al-Quds ocorreu durante essa mesma incursão militar israelense na cidade.

  • CICV: Milhares de palestinos soterrados sob os escombros de Gaza podem nunca ser identificados

    Trabalhadores de resgate e familiares de desaparecidos continuam procurando restos mortais sob os escombros acumulados pelo genocídio israelense em Gaza, enquanto o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) alerta que milhares de vítimas podem jamais ser identificadas. Autoridades de saúde do enclave estimam que pelo menos 10 mil pessoas permanecem soterradas, número que alguns especialistas elevam para até 14 mil. A deterioração dos corpos, associada aos obstáculos impostos à recuperação dos restos mortais, ameaça privar milhares de famílias do direito de conhecer o destino de seus parentes. Destruição em Gaza | Foto: mahmoudhamda Em relatório citado pelo jornal britânico The Guardian em 14 de junho de 2026, o CICV informou que os trabalhos de busca e recuperação seguem em ritmo reduzido, apesar do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos que entrou em vigor em outubro de 2025. Segundo a organização, o avanço do tempo reduz as possibilidades de identificação das vítimas, uma vez que a decomposição dos restos mortais compromete evidências utilizadas em exames forenses. Pat Griffiths, porta-voz do CICV em Jerusalém Oriental ocupada, afirmou que a situação se agrava a cada dia de atraso. “Não há dúvida de que esses corpos poderão em breve se tornar difíceis de identificar”, declarou. Segundo ele, quanto mais tempo os restos mortais permanecerem sob os escombros, maior será a probabilidade de serem encontrados em estágios avançados de decomposição ou já reduzidos a esqueletos. Griffiths acrescentou que o prolongamento das operações também reduz a disponibilidade de elementos capazes de confirmar a identidade das vítimas. “Os peritos forenses perdem o acesso a provas circunstanciais que podem ser usadas para corroborar a identidade das vítimas”, disse. Após mais de dois anos e meio de genocídio, os palestinos iniciaram a tarefa de vasculhar aproximadamente 61 milhões de toneladas de escombros espalhados por Gaza. A destruição acumulada durante a campanha militar israelense atingiu áreas residenciais, hospitais, escolas, edifícios públicos e redes de infraestrutura civil, transformando extensas regiões do enclave em campos de ruínas. De acordo com autoridades de saúde de Gaza, pelo menos 10 mil pessoas permanecem desaparecidas sob os destroços. Algumas avaliações apresentadas por especialistas apontam que o total pode alcançar 14 mil vítimas ainda não recuperadas. A dimensão da tarefa impõe dificuldades operacionais e amplia os riscos de perda definitiva de evidências que poderiam permitir a identificação dos mortos. O The Guardian relatou que as equipes de resgate vêm trabalhando com recursos limitados. Grande parte das operações depende do uso de pás, picaretas, ancinhos, enxadas, carrinhos de mão e do trabalho manual dos próprios socorristas. A ausência de maquinário pesado reduz a velocidade das buscas em áreas onde edifícios inteiros colapsaram sobre seus ocupantes. Segundo o CICV, pedidos repetidos para permitir a entrada de escavadeiras e outros equipamentos necessários às operações de recuperação não receberam autorização. A organização afirma que a falta dessas máquinas impede a ampliação das buscas e prolonga a permanência dos corpos sob os escombros. “As equipes de busca e resgate precisam ter acesso a todos os locais onde se acredita que estejam encontrados restos mortais”, afirmou Griffiths. Ele acrescentou que equipamentos essenciais continuam sem acesso ao território palestino. “Sabemos que grande parte dessas máquinas e equipamentos continua sendo praticamente impossível de levar para Gaza neste momento. E permanece nosso apelo, e parte do nosso diálogo direto em andamento com as autoridades competentes, para que permitam a entrada desses itens e equipamentos em Gaza.” Autoridades israelenses consultadas pelo The Guardian informaram que não existe autorização para a entrada em Gaza de equipamentos destinados à recuperação de corpos. A restrição mantém limitadas as capacidades das equipes encarregadas de localizar desaparecidos e recuperar restos mortais. O CICV alertou que os atrasos afetam não apenas a recuperação dos corpos, mas também as possibilidades futuras de identificação. Segundo a organização, fatores ambientais, deslocamentos provocados por desabamentos adicionais e a perda de objetos pessoais podem eliminar elementos utilizados por especialistas para estabelecer a identidade das vítimas. “Nós vemos a dimensão da tarefa e vemos o que está em jogo. Milhares de famílias ainda buscam respostas dessa maneira. É isso que está em jogo: o direito delas de saber o destino daqueles que amam”, declarou Griffiths. Os ataques de Tel Aviv contra Gaza continuaram mesmo após a entrada em vigor do cessar-fogo de outubro de 2025. O acordo tinha como objetivo encerrar o genocídio iniciado em outubro de 2023, que, segundo autoridades de Gaza, resultou na morte de cerca de 73 mil palestinos e deixou mais de 173 mil feridos, além de destruir ou danificar aproximadamente 90% da infraestrutura civil do enclave palestino.

  • Irã e EUA concluem acordo para encerrar guerra após meses de negociações

    O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã anunciou um memorando de entendimento com a parte estadunidense para encerrar o estado de guerra e declarou superioridade política e militar sobre o eixo estadunidense-sionista. O comunicado afirma que o texto final das negociações de Islamabad foi concluído na noite de 14 de junho e estabelece medidas sobre cessação de operações militares em múltiplas frentes, incluindo o Líbano. O anúncio ocorre em meio a declarações do primeiro-ministro do Paquistão e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a conclusão do acordo. Donald Trump declarou: “o acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído” O Conselho estabelece que o cessar das operações militares e do bloqueio marítimo contra o Irã integra os termos do memorando, com assinatura prevista para 19 de junho na Suíça. O texto também condiciona a negociação de um acordo final ao cumprimento das obrigações pela parte estadunidense. O governo do Paquistão atua como mediador entre Teerã e Washington durante o processo de negociação. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou em comunicado: “A República Islâmica do Irã, sob a liderança de seu líder mártir, consolidou sua superioridade sobre o inimigo americano-sionista e, sob a orientação da alta liderança do sistema (que Deus o proteja), com o apoio da população e o esforço combativo dos combatentes do Islã, após um período de negociações difíceis e intensas de vários meses e em virtude da resolução do Conselho Supremo de Segurança Nacional, finalizou na noite de 14 de junho o texto do memorando de entendimento referente às negociações para o fim da guerra (negociações de Islamabad) entre o Irã e os Estados Unidos”. O comunicado acrescenta: “De acordo com os entendimentos alcançados, a guerra e as operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, terminarão imediata e permanentemente a partir desta noite, e o bloqueio marítimo imposto contra o Irã também será suspenso imediata e completamente”. O texto informa que “a assinatura deste memorando de entendimento ocorrerá na sexta-feira, 19 de junho”, na Suíça, e que “as negociações para um acordo final serão adiadas até que a outra parte cumpra suas obrigações nos termos do memorando de entendimento”. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Qaribabadi, afirmou que o texto do acordo foi finalizado e confirmou a previsão de assinatura na Suíça, conforme informado pela diplomacia iraniana. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, declarou que, após negociações, foi alcançado um “acordo de paz” entre a República Islâmica do Irã e a parte estadunidense. Donald Trump declarou em publicação na rede Truth Social: “o acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído”. O processo de negociação ocorre após semanas de violações de um cessar-fogo vigente desde abril, segundo registros das partes envolvidas. O início da guerra de agressão atribuída às forças estadunidenses e israelenses ocorreu em 28 de fevereiro, com impactos sobre infraestrutura civil e científica e registro de milhares de mortes, conforme declarações iranianas. O cessar-fogo de duas semanas foi anunciado no início de abril após apresentação de plano iraniano de dez pontos que inclui fim da guerra, levantamento de sanções, compensação por danos e reconhecimento de direitos sobre o Estreito de Ormuz.

  • Lula participa do G7 e busca fortalecer parceria estratégica com o Japão

    O presidente Lula participa da Cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, entre 15 e 17 de junho de 2026. O Brasil integra a lista de países convidados e participa das discussões sem direito a decisão. A agenda inclui reuniões bilaterais e negociações comerciais com foco em tarifas impostas pelos Estados Unidos.A reunião ocorre em meio à ampliação de medidas tarifárias dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. O governo brasileiro relaciona essas medidas a articulações de setores políticos ligados a Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro com o governo estadunidense de Donald Trump. O Itamaraty mantém tratativas técnicas para resposta às tarifas. A participação do Brasil no G7 ocorre pela décima vez no atual mandato de Lula A delegação brasileira é chefiada pelo presidente Lula, que viaja com escala em Cabo Verde e participa de encontros com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Também está prevista participação em debates sobre pobreza, crescimento econômico, terras raras e inteligência artificial. O secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Philip Fox-Drummond Gough, informa que o Brasil apresenta posições nos debates sem função de deliberação. O G7 reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil participa como convidado junto de Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito, além de instituições como Banco Mundial e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. A agenda brasileira inclui discussão sobre um acordo entre Mercosul e Japão. O governo brasileiro vincula a negociação ao aumento de barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. O Mercosul mantém tratativas também com o Canadá em acordo de livre-comércio em fase avançada. O encontro entre Lula e Sanae Takaichi ocorre dentro da programação da cúpula. O governo brasileiro registra abertura da autoridade japonesa para negociação comercial. O Mercosul mantém previsão de reunião de chefes de Estado em Assunção, Paraguai, em 30 de junho de 2026, com avaliação das negociações em andamento. A participação do Brasil no G7 ocorre pela décima vez no atual mandato de Lula. O governo brasileiro menciona ampliação de mercados externos após medidas tarifárias dos Estados Unidos em 2025, com aumento de exportações para a China e outros destinos.

  • Netanyahu tenta limitar o envolvimento de Ben-Gvir na Mesquita Al-Aqsa

    O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu rejeitou restrições internas que buscavam limitar a atuação do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, em decisões relacionadas ao complexo da Mesquita de Al-Aqsa. A decisão foi relatada pelo jornal Haaretz no domingo e envolve disputas jurídicas sobre a gestão de políticas no local sagrado em Jerusalém. ministro da Segurança Nacional israelense, Itamar Ben-Gvir Benjamin Netanyahu decidiu não exigir mais que decisões relacionadas à Mesquita de Al-Aqsa passem por aprovação direta do gabinete ou dele próprio. A informação foi atribuída ao secretário do gabinete, Yossi Fuchs, em comunicação enviada à procuradora-geral Gali Baharav-Miara. Itamar Ben-Gvir é citado no relatório como responsável por incursões frequentes ao complexo de Al-Aqsa sob proteção das forças israelenses. A Jordânia, responsável pela administração religiosa do local, mantém posição de contestação às ações, enquanto lideranças palestinas afirmam que as medidas alteram o status quo que restringe o culto no espaço a muçulmanos. Mesquita de Al-Aqsa está no centro das disputas políticas e religiosas mencionadas no relatório do Haaretz, que descreve negociações entre representantes do gabinete e a procuradoria-geral sobre limites administrativos à atuação de Ben-Gvir. O debate envolveu propostas para exigir aprovação governamental em decisões classificadas como sensíveis. O documento analisado pela procuradora-geral Gali Baharav-Miara foi elaborado no ano anterior e tratava do retorno de Ben-Gvir ao governo após renúncia em protesto contra o cessar-fogo em Gaza. Juízes do Supremo Tribunal de Israel analisaram em abril petições que pediam a destituição do ministro sob alegação de interferência em operações policiais e violação de normas institucionais. Segundo o Haaretz, após as negociações, o controle sobre decisões ligadas ao complexo de Al-Aqsa e outras áreas sensíveis permaneceu sob responsabilidade direta de Ben-Gvir, em coordenação com a polícia do distrito de Jerusalém. O relatório indica que esse arranjo inclui decisões operacionais sobre acesso e segurança no local. O texto registra que a polícia israelense deixou de aplicar restrições à exibição de bandeiras israelenses no complexo, medida associada ao aumento de tensões com a população palestina. Também há menção a pressões para permitir orações judaicas no local, prática proibida por acordos anteriores. Relatos citados pelo Haaretz indicam que incursões de grupos israelenses ao complexo aumentaram nos últimos anos, com registros de orações religiosas no interior do espaço. Ben-Gvir é descrito como participante direto de algumas dessas visitas, enquanto forças policiais restringem acesso de fiéis muçulmanos em determinados períodos. Palestinos e autoridades religiosas da Jordânia afirmam que as mudanças no acesso ao local fazem parte de uma tentativa de alterar o status do complexo, comparando a situação a processos de divisão de espaços religiosos ocorridos em Hebron na década de 1990. Desde abril, o ministro realizou visitas ao complexo durante o período do Eid al-Fitr sob escolta de forças israelenses, episódio que gerou reações do Hamas, que classificou a ação como escalada. O grupo afirmou que medidas do governo israelense buscam alterar a configuração religiosa do local. Desde o início da ofensiva em Gaza em 2023, organizações de direitos humanos registram aumento de operações militares e incursões na Cisjordânia ocupada, em paralelo ao aumento de episódios de tensão em Jerusalém ligados ao complexo religioso.

  • A Síria rejeita a interferência no Líbano e adia a demarcação da fronteira

    O presidente sírio Ahmed Al-Sharaa declarou a rejeição de acusações de interferência nos assuntos internos do Líbano e anunciou o adiamento das negociações sobre a demarcação da fronteira bilateral. A decisão foi comunicada em 14 de junho de 2026, durante encontro político em Damasco com lideranças comunitárias e representantes de áreas rurais. O governo sírio vinculou a medida à continuidade das ações militares israelenses na região. O presidente sírio Ahmed al-Sharaa, à esquerda, fala com o ex-general do Exército dos EUA David Petraeus durante a Cúpula Anual Concordia em Nova York em 22 de setembro de 2025 ©Andres Kudacki I AP Damasco sediou a reunião em que Al-Sharaa afirmou que o território libanês atravessa uma situação ligada à guerra e às operações militares atribuídas a Israel. O presidente sírio declarou que essas ações afetam a estabilidade regional e interferem em mecanismos de cooperação nas áreas fronteiriças entre os dois países. Ahmed Al-Sharaa afirmou que a demarcação de fronteiras entre Síria e Líbano permanece em aberto desde a formação administrativa do Estado libanês moderno. Ele classificou o tema como questão técnica vinculada à necessidade de condições sem operações militares em curso. Durante o encontro, o governo sírio registrou que a disputa em torno das Fazendas de Shebaa permanece sem definição territorial final, com áreas sob controle militar israelense. O debate inclui divergências sobre o estatuto jurídico do território e sobreposição de reivindicações administrativas na região. O presidente sírio declarou que o histórico das relações bilaterais inclui intervenções recíprocas e afirmou que o governo atual mantém posição de cooperação baseada em autodeterminação e benefício mútuo entre os dois Estados. A agenda bilateral mencionada pelo governo sírio inclui prioridades econômicas e projetos de infraestrutura, com foco em comércio e integração entre regiões fronteiriças. O governo indicou que a instabilidade regional afeta a implementação desses mecanismos. O tema dos refugiados sírios no Líbano foi incluído na pauta, com registro de aproximadamente 1.400.000 pessoas deslocadas em território libanês. O governo sírio indicou que a gestão desse contingente faz parte das discussões entre os dois países. Al-Sharaa afirmou que a continuidade da cooperação depende de condições de segurança regional e mencionou a necessidade de interromper interferências externas nos processos políticos e econômicos do Oriente Médio.

  • A luta para acabar com a mutilação genital feminina na Colômbia

    Bogotá formalizou a aprovação de uma lei nacional que proíbe a mutilação genital feminina após votação unânime no Congresso. O texto foi aprovado no quarto e último debate do Projeto de Lei 440 e segue para sanção presidencial. A decisão encerra um processo legislativo de dois anos centrado em comunidades indígenas onde a prática ainda ocorre. Claudia Quiragama em frente ao Congresso colombiano em 10 de junho | Foto: Euan Wallace/Al Jazeera A aprovação ocorreu no Senado colombiano em sessão na qual lideranças indígenas acompanharam a votação no plenário. A legislação estabelece diretrizes nacionais para a erradicação da prática e inclui ações de prevenção e registro de casos em todo o território. O projeto aguarda assinatura do presidente Gustavo Petro. Colômbia passou a ser o primeiro país da América Latina a adotar uma proibição nacional da mutilação genital feminina. O debate legislativo ocorreu em Bogotá e envolveu o Projeto de Lei 440, conhecido como “Niñas sin Ablación”. Durante a sessão, a líder indígena Embera Claudia Quiragama ocupou a tribuna do Senado e declarou: “Sou grata a todos os legisladores. É disso que precisamos - que as necessidades que enfrentamos em nosso território sejam atendidas.” A intervenção ocorreu durante a votação final do texto. A prática da mutilação genital feminina é registrada principalmente em comunidades Embera nos departamentos de Chocó e Risaralda. Dados apresentados no debate indicam que entre janeiro de 2024 e março de 2026 foram registrados 98 casos no país, sendo 70% em meninas com menos de um ano de idade. A Organização Mundial da Saúde classifica a prática como violação de direitos humanos e a define como remoção total ou parcial dos órgãos genitais femininos sem indicação médica. Estimativas globais indicam que cerca de 230 milhões de mulheres e meninas passaram por algum tipo de procedimento semelhante. Na Colômbia, registros anteriores indicam que em 2007 duas meninas morreram após complicações decorrentes do procedimento em comunidades indígenas, com infecção das lesões. Esses casos foram os primeiros documentados no país na história recente e reativaram o debate sobre a prática. A deputada Carolina Giraldo, autora do projeto, afirmou que há subnotificação nos registros oficiais. Segundo ela, a falta de coordenação entre instituições estatais compromete o mapeamento dos casos. Giraldo declarou: “É claro que temos uma enorme subnotificação.” Relatos de lideranças indígenas apontam que o registro limitado está relacionado ao sigilo dentro das comunidades e ao medo de intervenção estatal. Em áreas do Chocó, casos recentes incluem situações em que famílias evitaram atendimento médico por receio de ações de proteção à infância. Juliana Domico aguarda o resultado do debate de 10 de junho na varanda acima da câmara do Senado | Euan Wallace/Al Jazeera Sebastiana Pepe Batesa, parteira Embera, relatou que a prática ainda ocorre em territórios isolados e descreveu efeitos físicos graves em crianças submetidas ao procedimento. Ela afirmou que uma de suas filhas foi afetada quando bebê, com sintomas prolongados após o procedimento. O texto aprovado determina prazo de 12 meses para que o governo elabore uma política pública nacional de erradicação da prática. A estratégia inclui campanhas educativas, capacitação em saúde e melhoria dos sistemas de registro, sem previsão de medidas penais diretas. A deputada Jennifer Pedraza afirmou que a abordagem punitiva poderia afastar famílias dos serviços de saúde. Ela declarou: “Estamos falando de algo muito íntimo. Isso exige apoio, não perseguição.” Lideranças indígenas apontam dificuldades logísticas para ações em comunidades remotas, onde o acesso depende de deslocamentos por rios, trilhas e transporte animal. Essas regiões também enfrentam impactos do conflito armado interno, que limita a presença estatal. Juliana Domicó, da Confederação Nacional dos Povos da Grande Nação Embera da Colômbia, afirmou que iniciativas anteriores falharam por falta de recursos para alcançar territórios isolados. Ela declarou que a nova legislação cria condições para ampliar o alcance das políticas públicas. O Projeto de Lei 440 foi aprovado após duas décadas de debates envolvendo lideranças indígenas, parlamentares e organizações sociais. O texto aguarda sanção presidencial para entrar em vigor.

  • Israel mantém ataques no sul do Líbano apesar de acordo entre Irã e EUA

    Israel realizou ataques contra o sul do Líbano após o anúncio de um memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos. As operações ocorreram na madrugada de segunda-feira e atingiram múltiplas cidades libanesas. O episódio ocorreu em meio a negociações que incluem cessação de hostilidades na região. ARQUIVO A mídia libanesa registrou que aviões de guerra israelenses atingiram a cidade de Majdal Zoun em duas ações aéreas durante a madrugada de segunda-feira. Um drone atingiu áreas de Kfar Tebnit. Não houve registros imediatos de mortos ou extensão dos danos. Israel realizou também bombardeios de artilharia contra Nabatieh, Kfar Remman, Nabatieh al-Fawqa e Kfar Tebnit. Outros ataques atingiram Jiam e Markaba, no sul do país, além de Haris, no distrito de Bint Jbeil, província de Nabatieh. Os subúrbios do sul de Beirute sofreram ataques aéreos no domingo. Líbano mantém mobilização de defesa civil após os ataques. A Defesa Civil da Autoridade Islâmica de Saúde libanesa orientou moradores a não retornarem às aldeias sem confirmação de cessar-fogo, com instrução para evitar deslocamentos noturnos e aguardar verificação de segurança de estradas e áreas atingidas. Irã e Estados Unidos finalizaram no domingo o texto de um memorando de entendimento com objetivo de encerrar a guerra. O documento prevê cessação de operações em todas as frentes, incluindo o Líbano, e suspensão de bloqueio naval estadunidense contra o Irã. A assinatura está prevista para 19 de junho na Suíça. O vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Qaribabadi, declarou que negociações para acordo final sobre programa nuclear iraniano, levantamento de sanções e revogação de resoluções da ONU ocorrerão após cumprimento de compromissos pela outra parte, incluindo liberação de ativos iranianos. O mesmo funcionário afirmou que compromissos do Irã permanecem em nível inferior em relação às medidas já adotadas pelo país e que as forças armadas mantêm preparação para resposta a ameaças. Relatos indicam que Washington acusa Israel de ações voltadas a comprometer o acordo em negociação entre Irã e Estados Unidos. Um diplomata estadunidense envolvido nas tratativas declarou à Fox News que o bombardeio contra Beirute impactou etapas finais do entendimento. Teerã declarou que resposta ao ataque não ficará impune. O major-general Mohamad Jafar Asadi, vice-inspetor do quartel-general central de Khatam al-Anbiya do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, fez a declaração. Hezbollah mantém confrontos com forças israelenses no sul do Líbano em meio às operações militares em curso. Desde 2 de março, a ofensiva israelense contra o Líbano registra 3.613 mortos, 11.072 feridos e cerca de 1,6 milhão de deslocados.

  • Teerã reforça responsabilidade dos EUA na implementação de acordo de paz

    O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, realizou conversas telefônicas com chanceleres da Arábia Saudita, Turquia, Iraque e Egito nesta segunda-feira. Ele informou os quatro países sobre os termos do acordo firmado com os Estados Unidos para encerrar a guerra imposta ao Irã. O processo prevê uma etapa inicial de 60 dias rumo a um entendimento definitivo. Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi | Foto: Arif Hudaverdi Yaman/Anadolu Irã informou que o documento foi acordado com os Estados Unidos como primeiro passo de um processo de negociação destinado a uma paz definitiva, com revisão prevista após 60 dias. Araghchi afirmou que a responsabilidade pela implementação correta das disposições recai sobre os Estados Unidos e vinculou o cumprimento do acordo à cessação completa da agressão do regime sionista contra o Líbano. Nas mesmas conversas, o chanceler iraniano tratou da necessidade de interromper operações militares em todas as frentes, incluindo o território libanês, e informou que autoridades de ambos os lados declararam o fim imediato e permanente das ações militares. O acordo inclui o Líbano como um dos eixos do cessar-fogo. Araghchi expressou reconhecimento pelo papel da Arábia Saudita, Turquia, Iraque e Egito no processo diplomático ligado ao fim da guerra imposta pelos Estados Unidos e pelo regime sionista contra o Irã, e afirmou a necessidade de continuidade das consultas entre os países da região. O entendimento, denominado memorando de entendimento de Islamabad, foi finalizado na noite de domingo e terá assinatura oficial na sexta-feira na Suíça. O texto estabelece uma etapa inicial de sessenta dias para definição de um acordo final, condicionado ao cumprimento dos compromissos atribuídos aos Estados Unidos. Durante o processo de negociação, ataques atribuídos a Israel contra o Líbano foram mencionados como fator de tensão que afetou o andamento das conversas entre Washington e Teerã. O texto registra que incursões israelenses continuam no sul do Líbano. O ministro iraniano e seus homólogos também abordaram a necessidade de intensificar coordenação diplomática sobre desenvolvimentos regionais e a ampliação de esforços para estabilização regional.

  • Pesquisa mostra apoio ao Likud de Netanyahu em nível mais baixo em um ano

    O partido Likud, liderado pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, registrou seu pior desempenho em pesquisas eleitorais desde agosto de 2025. Levantamento divulgado em 12 de junho pelo Instituto de Pesquisa Lazar para o jornal Maariv indica queda da legenda em um cenário marcado pelo genocídio contra a população palestina em Gaza, disputas internas e impasses na formação de futuras coalizões. Os números também mostram que dois dos principais adversários de Netanyahu superam o atual chefe de governo em confrontos diretos pela liderança do Estado israelense. Benjamin Netanyahu, primeiro ministro de Israel A pesquisa aponta que o Likud conquistaria 22 assentos no Knesset caso as eleições fossem realizadas agora. O resultado representa perda de três cadeiras em relação ao levantamento anterior e constitui o menor nível de apoio eleitoral ao partido em quase um ano. A queda ocorre enquanto o governo enfrenta disputas sobre a manutenção das isenções do serviço militar concedidas a judeus ultraortodoxos. O tema provocou divergências dentro da base governista e ampliou tensões entre partidos que sustentam a coalizão liderada por Netanyahu. O levantamento também foi divulgado após novas especulações sobre o futuro político do primeiro-ministro. As discussões ganharam força depois de declarações do presidente estadunidense Donald Trump relacionadas ao cenário político israelense, alimentando debates sobre a continuidade da liderança de Netanyahu em meio à crise política e militar que se prolonga desde o início do genocídio em Gaza. Os dados do Instituto Lazar mostram crescimento do apoio a Gadi Eisenkot, ex-chefe militar israelense. Seu partido, Yashar, alcançou projeção de 20 assentos no Parlamento. Ao mesmo tempo, o partido Juntos, liderado pelo ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, aparece com 21 cadeiras projetadas, apesar de registrar recuo em comparação com levantamentos anteriores. Nas simulações de disputa direta para a chefia do governo, tanto Eisenkot quanto Bennett aparecem à frente de Netanyahu. Eisenkot obteve 44% das preferências contra 40% atribuídos ao atual primeiro-ministro. Bennett registrou 43%, enquanto Netanyahu alcançou 39%. Mesmo com a perda de apoio ao Likud, a pesquisa indica que o sistema político israelense continua sem uma maioria parlamentar definida. Os partidos alinhados a Netanyahu somariam 50 assentos no Knesset, número abaixo dos 61 necessários para controlar a maioria da casa legislativa. Os partidos da oposição judaica alcançariam 60 cadeiras segundo o levantamento. Os partidos árabes conquistariam outras 10. A distribuição mantém o cenário de bloqueio político que marca sucessivos ciclos eleitorais israelenses nos últimos anos. A dificuldade para a formação de um novo governo não se limita à perda de apoio ao Likud. Embora os partidos de oposição apareçam com números superiores aos da coalizão governista, as principais legendas da oposição judaica continuam rejeitando a possibilidade de construir uma aliança parlamentar sustentada por partidos árabes. Esse posicionamento reduz as alternativas para a composição de uma maioria estável no Knesset e mantém indefinido o caminho para a formação de um futuro governo, independentemente do resultado eleitoral. A atual legislatura israelense deverá encerrar seu mandato em outubro de 2026. As próximas eleições estão previstas para ocorrer entre setembro e outubro, período que poderá redefinir a correlação de forças dentro do Parlamento. Os resultados divulgados pelo Instituto Lazar para o Maariv indicam que Netanyahu entra no período pré-eleitoral enfrentando o menor nível de apoio ao Likud desde agosto de 2025, enquanto Eisenkot e Bennett ampliam espaço na disputa pelo comando do governo israelense.

  • A Índia bloqueou o Starlink devido a preocupações com a segurança

    Nova Délhi recusou autorizar a operação comercial da Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX, citando preocupações ligadas à segurança nacional. A decisão, divulgada em 12 de junho, representa um revés para os planos de expansão de Elon Musk em um dos maiores mercados de telecomunicações do planeta. Autoridades indianas afirmam que a rede controlada por uma empresa dos Estados Unidos cria vulnerabilidades que o país não está disposto a aceitar em áreas consideradas estratégicas. Elon Musk ©INFOMONEY O governo da Índia negou a aprovação regulatória necessária para o funcionamento comercial da Starlink após avaliações realizadas por agências de inteligência vinculadas ao Ministério do Interior. Segundo informações publicadas pela Pravda.ru em 12 de junho, os órgãos de segurança identificaram três conjuntos de preocupações relacionados à capacidade do Estado indiano de controlar o uso da rede e monitorar comunicações realizadas por meio do sistema de satélites da SpaceX. Entre os fatores apontados pelas autoridades está o uso de terminais Starlink no Irã durante o confronto militar envolvendo os Estados Unidos e Israel. De acordo com a avaliação indiana, a SpaceX não possuía autorização oficial para operar em território iraniano, mas os equipamentos continuaram sendo utilizados, levantando dúvidas sobre a capacidade da empresa de impedir a circulação de terminais e o tráfego de dados em regiões onde não possui licença formal. O relatório citado pela publicação sustenta que Nova Délhi considera tanto a possibilidade de falhas técnicas quanto a existência de interesses políticos por trás da operação da rede. As autoridades indianas observam que Washington apoiou iniciativas destinadas a ampliar o acesso à internet para cidadãos iranianos fora dos mecanismos de controle estabelecidos por Teerã. Também foram mencionados métodos supostamente desenvolvidos por engenheiros iranianos para contornar restrições impostas à utilização da Starlink. Entre eles estariam o envio de coordenadas falsas de GPS por meio de chips de modulação específicos, o uso de serviços VPN associados a terminais registrados em outros países e a instalação de antenas em áreas elevadas próximas a fronteiras internacionais, permitindo que o sistema identificasse os equipamentos como localizados fora do território iraniano. Outro ponto destacado pelas autoridades indianas diz respeito à possibilidade de crises futuras envolvendo o Paquistão ou a China. Segundo a avaliação dos serviços de inteligência, a Índia não possui garantias de que conseguiria manter controle operacional sobre uma infraestrutura de comunicação pertencente a uma companhia sediada nos Estados Unidos. A preocupação central é que decisões tomadas em Washington possam afetar diretamente a conectividade em regiões consideradas sensíveis para a segurança indiana. Funcionários do governo argumentam que, caso autoridades estadunidenses determinem alterações na cobertura da rede ou estabeleçam restrições operacionais, a Índia poderia ficar exposta a riscos estratégicos sem possuir mecanismos próprios para impedir tais medidas. As discussões sobre localização do tráfego de dados e acesso das agências indianas às informações transmitidas pela rede também permanecem sem solução. Segundo a publicação, as negociações não produziram garantias consideradas suficientes pelas autoridades de Nova Délhi. Os órgãos de segurança ainda manifestaram preocupação com a possibilidade de grupos armados e organizações classificadas como terroristas utilizarem terminais Starlink em áreas remotas de fronteira. Nessas regiões, o acesso a canais de comunicação independentes das redes nacionais poderia reduzir a capacidade de monitoramento dos serviços de inteligência indianos. A discussão ganhou dimensão adicional devido às experiências registradas na Ucrânia desde o início da operação militar russa em fevereiro de 2022. O caso ucraniano é citado por setores da segurança indiana como exemplo das limitações enfrentadas por governos que dependem de uma infraestrutura privada estrangeira para manter comunicações em larga escala. Segundo relatos mencionados pela Pravda.ru, Kiev não conseguiu eliminar totalmente o uso transfronteiriço dos terminais Starlink. A avaliação apresentada afirma que equipamentos registrados em listas autorizadas poderiam continuar funcionando caso fossem capturados por forças russas, pelo menos até que as autoridades ucranianas identificassem a perda e cancelassem o acesso do dispositivo. Outra possibilidade levantada envolve o registro de terminais em nome de terceiros dentro de áreas controladas pela Ucrânia e sua posterior revenda para regiões próximas às linhas de combate. Para os defensores dessa interpretação, tais situações demonstrariam as dificuldades existentes para controlar totalmente a circulação dos equipamentos. A decisão indiana também possui implicações econômicas. Com mais de 1,4 bilhão de habitantes, a Índia representa um dos maiores mercados potenciais para serviços de internet via satélite. O bloqueio impede a SpaceX de acessar uma parcela significativa desse mercado e fortalece empresas nacionais que disputam espaço no setor de telecomunicações espaciais. A medida é interpretada por setores políticos indianos como uma ação destinada a proteger a soberania digital do país e preservar interesses econômicos locais diante da expansão de grandes empresas tecnológicas dos Estados Unidos. A decisão também ocorre em um contexto de competição internacional crescente pelo controle de infraestrutura de comunicação, dados e sistemas espaciais. A Rússia é citada no artigo como outro exemplo de país que acelerou investimentos em programas nacionais de satélites com o objetivo de reduzir dependências externas. O desenvolvimento de sistemas domésticos de comunicação é apresentado como parte de uma estratégia voltada para ampliar autonomia tecnológica em setores considerados estratégicos. O caso da Ucrânia também é utilizado para ilustrar os limites do controle exercido pelos usuários da rede. A publicação recorda episódios nos quais Elon Musk rejeitou pedidos das forças ucranianas para ativação da cobertura Starlink sobre a Crimeia durante operações militares, alegando preocupação com uma ampliação do confronto. Para os defensores dessa avaliação, esses episódios demonstram que as decisões finais sobre a operação da rede permanecem concentradas na empresa e, em última instância, dentro da estrutura de poder dos Estados Unidos, independentemente das necessidades dos governos que utilizam o serviço. O precedente criado pela Índia pode influenciar debates semelhantes em outros países. Segundo a análise publicada pela Pravda.ru, governos do Brasil, da Indonésia e de diversos países africanos poderão considerar regras mais restritivas para redes de satélites controladas por empresas estrangeiras, utilizando argumentos ligados à segurança nacional, ao controle de dados e à soberania tecnológica. A mesma tendência poderá estimular investimentos em programas regionais de satélites e em alternativas nacionais de conectividade espacial, em um cenário marcado pela disputa crescente entre Estados e corporações pelo controle das infraestruturas que sustentam as comunicações globais.

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