Netanyahu tenta limitar o envolvimento de Ben-Gvir na Mesquita Al-Aqsa
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O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu rejeitou restrições internas que buscavam limitar a atuação do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, em decisões relacionadas ao complexo da Mesquita de Al-Aqsa. A decisão foi relatada pelo jornal Haaretz no domingo e envolve disputas jurídicas sobre a gestão de políticas no local sagrado em Jerusalém.

Benjamin Netanyahu decidiu não exigir mais que decisões relacionadas à Mesquita de Al-Aqsa passem por aprovação direta do gabinete ou dele próprio. A informação foi atribuída ao secretário do gabinete, Yossi Fuchs, em comunicação enviada à procuradora-geral Gali Baharav-Miara.
Itamar Ben-Gvir é citado no relatório como responsável por incursões frequentes ao complexo de Al-Aqsa sob proteção das forças israelenses. A Jordânia, responsável pela administração religiosa do local, mantém posição de contestação às ações, enquanto lideranças palestinas afirmam que as medidas alteram o status quo que restringe o culto no espaço a muçulmanos.
Mesquita de Al-Aqsa está no centro das disputas políticas e religiosas mencionadas no relatório do Haaretz, que descreve negociações entre representantes do gabinete e a procuradoria-geral sobre limites administrativos à atuação de Ben-Gvir. O debate envolveu propostas para exigir aprovação governamental em decisões classificadas como sensíveis.
O documento analisado pela procuradora-geral Gali Baharav-Miara foi elaborado no ano anterior e tratava do retorno de Ben-Gvir ao governo após renúncia em protesto contra o cessar-fogo em Gaza. Juízes do Supremo Tribunal de Israel analisaram em abril petições que pediam a destituição do ministro sob alegação de interferência em operações policiais e violação de normas institucionais.
Segundo o Haaretz, após as negociações, o controle sobre decisões ligadas ao complexo de Al-Aqsa e outras áreas sensíveis permaneceu sob responsabilidade direta de Ben-Gvir, em coordenação com a polícia do distrito de Jerusalém. O relatório indica que esse arranjo inclui decisões operacionais sobre acesso e segurança no local.
O texto registra que a polícia israelense deixou de aplicar restrições à exibição de bandeiras israelenses no complexo, medida associada ao aumento de tensões com a população palestina. Também há menção a pressões para permitir orações judaicas no local, prática proibida por acordos anteriores.
Relatos citados pelo Haaretz indicam que incursões de grupos israelenses ao complexo aumentaram nos últimos anos, com registros de orações religiosas no interior do espaço. Ben-Gvir é descrito como participante direto de algumas dessas visitas, enquanto forças policiais restringem acesso de fiéis muçulmanos em determinados períodos.
Palestinos e autoridades religiosas da Jordânia afirmam que as mudanças no acesso ao local fazem parte de uma tentativa de alterar o status do complexo, comparando a situação a processos de divisão de espaços religiosos ocorridos em Hebron na década de 1990.
Desde abril, o ministro realizou visitas ao complexo durante o período do Eid al-Fitr sob escolta de forças israelenses, episódio que gerou reações do Hamas, que classificou a ação como escalada. O grupo afirmou que medidas do governo israelense buscam alterar a configuração religiosa do local.
Desde o início da ofensiva em Gaza em 2023, organizações de direitos humanos registram aumento de operações militares e incursões na Cisjordânia ocupada, em paralelo ao aumento de episódios de tensão em Jerusalém ligados ao complexo religioso.












































