Unicef diz que existe avanço iminente do ebola entre crianças na RD Congo
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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou em 12 de junho que o surto de ebola no leste da República Democrática do Congo pode registrar aumento de casos entre crianças nos próximos dias. Dados das autoridades sanitárias congolesas- apontam 676 casos confirmados e 136 mortes até 11 de junho. O avanço da doença ocorre em uma região marcada por conflitos armados, limitações estruturais do sistema de saúde e dificuldades para a resposta humanitária.

As crianças já representam entre 14% e 17% das infecções registradas, segundo estimativas do Unicef. A agência das Nações Unidas afirma que o receio da população de procurar hospitais e centros médicos pode ampliar a transmissão dentro das residências, alterando o perfil atual do surto, concentrado entre adultos.
O alerta foi divulgado enquanto equipes sanitárias tentam ampliar o rastreamento de contatos, a testagem de casos suspeitos e o trabalho junto às comunidades afetadas. O Unicef informou que mobilizou suprimentos médicos, equipes de saúde, apoio psicossocial e estruturas de assistência voltadas para crianças.
O surto já alcançou 34 zonas de saúde distribuídas pelas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a área afetada cobre aproximadamente mil quilômetros. A expansão territorial da doença ocorre em uma das regiões mais instáveis da África Central, onde décadas de guerra, deslocamentos populacionais e disputas por recursos minerais deixaram estruturas públicas fragilizadas.
As condições enfrentadas pelas crianças na região incluem desnutrição, cobertura vacinal insuficiente, deslocamentos provocados por confrontos armados e acesso limitado a serviços médicos. Esses fatores aumentam a exposição da população infantil tanto ao ebola quanto a outras enfermidades.
O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, destacou a cooperação entre a organização e o Programa Mundial de Alimentos (WFP) para garantir logística e abastecimento às equipes de resposta. Segundo a agência, a manutenção das cadeias de suprimento tornou-se elemento central para a continuidade das operações em áreas onde estradas, comunicações e serviços públicos enfrentam interrupções.
O Unicef sustenta que a contenção da epidemia depende do fortalecimento da confiança da população nos serviços de saúde, da identificação precoce dos casos e da obtenção de novos recursos financeiros para sustentar as operações de emergência.
O impacto da epidemia já ultrapassou as fronteiras congolesas e alcançou Uganda, onde autoridades sanitárias iniciaram medidas de contenção e monitoramento.
Após visita à cidade de Bunia, considerada o epicentro do surto, Douglas Noble, líder global do Unicef para Emergências de Saúde Pública e gerente global de incidentes relacionados ao ebola, relatou que profissionais do Hospital de Rwampara observaram uma redução na procura por atendimento médico. Segundo ele, moradores deixaram de buscar consultas e tratamentos por receio de contaminação.
Noble afirmou que a interrupção do atendimento médico rotineiro produz consequências que vão além do próprio ebola. Quando famílias deixam de frequentar unidades de saúde, campanhas de vacinação são interrompidas e doenças tratáveis deixam de receber acompanhamento. O representante do Unicef resumiu esse processo afirmando que o “surto começa a ceifar vidas que ele sequer tocou diretamente”.
Segundo Noble, a maior parte dos casos registrados até o momento ocorreu entre adultos inseridos em atividades econômicas e sociais. Ele advertiu, porém, que a evolução da epidemia pode alterar esse cenário. “É preciso estar preparados para um aumento na transmissão domiciliar, o que significa que se poderá ver mais crianças afetadas nos próximos dias”, declarou.
A OMS também expressou preocupação com a dimensão real da epidemia. Olivier le Polain, especialista da organização, informou que o surto continua crescendo tanto em número de casos quanto em alcance geográfico.
A entidade identificou 17 zonas consideradas de alto impacto que necessitam de apoio imediato. Para a OMS, os números conhecidos podem representar apenas parte da disseminação efetiva do vírus, uma vez que persistem lacunas na vigilância epidemiológica e dificuldades para monitorar áreas afetadas por confrontos armados.
Entre os obstáculos apontados pelas agências internacionais estão a mobilidade da população, os deslocamentos provocados pela insegurança e a capacidade limitada dos sistemas de saúde locais. Organizações humanitárias também relatam dificuldades de acesso a determinadas áreas devido à situação de segurança.
As agências das Nações Unidas defendem a ampliação do acesso humanitário às regiões atingidas como condição para interromper a cadeia de transmissão do vírus e ampliar a capacidade de atendimento às populações afetadas.












































