Democratas dizem que acordo com Irã encerra conflito “desnecessário”
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O anúncio do memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos provocou reações favoráveis entre parlamentares democratas no Senado estadunidense. Apesar de saudarem o fim das hostilidades, os legisladores afirmaram que a guerra lançada contra a República Islâmica era desnecessária e produziu custos políticos, econômicos e militares para Washington. As declarações ocorreram após a confirmação de que o texto do acordo será assinado na Suíça na próxima sexta-feira.

Senadores do Partido Democrata avaliaram que o acordo firmado entre Teerã e Washington representa o encerramento de um confronto que poderia ter sido evitado. Em manifestações públicas divulgadas nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, os parlamentares argumentaram que a campanha militar conduzida pela coalizão formada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã não produziu os objetivos anunciados por seus defensores e terminou com um entendimento que, na prática, restaura condições que existiam antes do início das operações militares.
O senador Chris Coons afirmou, em publicação divulgada em sua conta na rede X, que o cessar-fogo e a retomada das negociações constituem um passo positivo. Ao mesmo tempo, declarou que a guerra tornou militares e cidadãos estadunidenses menos seguros e deixou uma série de questões sem definição.
Coons também advertiu que diferentes interpretações sobre os termos acordados podem gerar novos riscos. Segundo o parlamentar, diversos pontos permanecem sem esclarecimento, o que exige acompanhamento do processo de implementação do memorando negociado entre Teerã e Washington.
O senador Chris Murphy adotou posição semelhante ao comentar o acordo. Em suas declarações, classificou o entendimento como uma "rendição ao Irã", mas acrescentou que os Estados Unidos deveriam receber o resultado de forma positiva diante dos custos produzidos pelo prolongamento das hostilidades.
"Quanto mais guerra houver, pior será a situação", afirmou Murphy. O senador sustentou que cada dia adicional de confronto enfraquecia os Estados Unidos política e economicamente.
Murphy observou ainda que a principal concessão obtida por Washington foi a reabertura do Estreito de Ormuz. O parlamentar ressaltou que a passagem marítima permanecia aberta antes da escalada militar entre as partes e destacou que o Irã já havia assumido compromissos relacionados ao seu programa nuclear por meio do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), firmado em 2015.
O senador recordou que o acordo nuclear estabelecia limites e mecanismos de monitoramento para o programa atômico iraniano e destacou que a retirada unilateral dos Estados Unidos do JCPOA ocorreu durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump.
Outro integrante da bancada democrata, Ro Khanna, declarou na plataforma X que a guerra contra o Irã representou uma "lição cara" para Washington. O parlamentar afirmou que a operação não alcançou uma mudança de governo em Teerã, objetivo que vinha sendo defendido por setores favoráveis à escalada militar contra a República Islâmica.
As críticas democratas surgem após meses de confrontação militar entre Estados Unidos, Israel e Irã. O confronto produziu impactos sobre o comércio marítimo regional, afetou rotas estratégicas de transporte de energia e elevou preocupações sobre seus efeitos na economia estadunidense.
O desgaste político interno também foi apontado por parlamentares oposicionistas. Segundo as declarações divulgadas por representantes democratas, parte da população estadunidense demonstrou insatisfação com os custos financeiros da campanha militar e com o envolvimento do país em mais uma guerra no Oriente Médio, em contraste com promessas feitas durante a campanha presidencial de evitar novos conflitos externos.
Na manhã desta segunda-feira, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciou que as negociações mediadas por Islamabad resultaram em um acordo entre os Estados Unidos, Israel e o Irã para encerrar as operações militares.
Poucas horas depois, o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Qaribabadi, confirmou que o texto do memorando de entendimento entre Teerã e Washington foi finalizado e informou que a assinatura oficial do documento ocorrerá na Suíça na próxima sexta-feira.












































