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Milhares protestam enquanto Trump e outros líderes mundiais se preparam para se reunir na cúpula do G7

Milhares de manifestantes ocuparam as ruas de Genebra em 14 de junho, na véspera da cúpula do G7 realizada em Évian-les-Bains, na França. Os protestos reuniram organizações palestinas, movimentos feministas, grupos ambientalistas e entidades sociais que denunciaram as políticas econômicas, militares e diplomáticas defendidas pelas potências que compõem o bloco. A mobilização ocorreu em meio ao aumento das críticas internacionais ao papel do G7 em temas como o genocídio em Gaza, a crise climática, as desigualdades econômicas e as disputas geopolíticas lideradas por potências ocidentais.


Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A manifestação foi organizada pela coalizão "Não ao G7", formada por mais de 60 associações e movimentos. O ato ocorreu um dia antes do início da reunião dos chefes de governo e chefes de Estado do grupo, marcada para os dias 15 a 17 de junho na cidade francesa de Évian-les-Bains, localizada às margens do Lago Léman, próximo à fronteira suíça.


Entre os participantes estavam organizações de solidariedade à Palestina, coletivos feministas, entidades sindicais, movimentos ambientais e grupos anticapitalistas. Cartazes exibidos durante o protesto criticavam o papel do G7 na economia global, nas intervenções militares e na condução das políticas ambientais. Uma das faixas carregadas pelos participantes afirmava: "Só existe um planeta, não sete".


Françoise Nyffeler, porta-voz da coalizão organizadora, declarou que a mobilização buscava expressar oposição às políticas adotadas pelos governos integrantes do bloco. "Temos muito medo da política e das manobras políticas do Sr. Trump, assim como dos outros líderes do G7, porque eles estão brigando, fazendo guerra por todos os lados", afirmou.


Nyffeler também relacionou as críticas ao bloco às questões ambientais. "O planeta está em perigo, e estamos muito assustados com isso. Queremos protestar e dizer que os povos do mundo são contra as políticas deles", acrescentou.


Segundo estimativas da polícia suíça, cerca de 20 mil pessoas participaram da manifestação. O protesto percorreu áreas centrais de Genebra e ocorreu sob forte presença policial. Autoridades suíças e francesas mobilizaram milhares de agentes para acompanhar os eventos relacionados à cúpula do G7.


As medidas de segurança incluíram bloqueios de estradas, restrições a concentrações não autorizadas e a implementação de esquemas especiais de vigilância em regiões próximas ao local da reunião dos líderes do bloco. Governos locais também anunciaram programas de compensação financeira para empresas que pudessem ser afetadas por transtornos decorrentes das operações de segurança.


O reforço policial foi influenciado pela memória dos protestos realizados durante a cúpula do G8 em Évian, em 2003. Na ocasião, confrontos e atos de vandalismo ocorreram em diversas áreas de Genebra. Em preparação para o encontro deste ano, dezenas de estabelecimentos comerciais e edifícios reforçaram fachadas e vitrines com painéis de madeira.


Durante a cobertura do ato para a Al Jazeera, a jornalista Natacha Butler relatou que muitos participantes acusavam o G7 de representar interesses econômicos concentrados em um grupo restrito de países industrializados. Segundo os manifestantes entrevistados pela emissora, as decisões adotadas pelo bloco produzem impactos globais relacionados à pobreza, às desigualdades econômicas e às políticas climáticas.


Butler informou que diversos participantes afirmavam que o grupo "serve apenas para os ricos ficarem mais ricos e os pobres ficarem mais pobres". Os manifestantes também argumentavam que o bloco não representa a composição demográfica nem os interesses da maior parte da população mundial.


Ao longo do dia, ocorreram confrontos entre grupos de manifestantes e forças policiais. Unidades de choque utilizaram gás lacrimogêneo e canhões de água durante a noite. Parte dos manifestantes, muitos vestidos de preto e utilizando máscaras, lançou garrafas, pedras, blocos de cimento e fogos de artifício contra os agentes de segurança.


Diversos edifícios foram atingidos durante os confrontos. Entre eles estavam escritórios da União Internacional de Telecomunicações da ONU e uma instalação da empresa PricewaterhouseCoopers localizada nas proximidades do trajeto da manifestação.


Os protestos ocorreram em um momento de questionamentos sobre a influência e a representatividade do G7. O grupo reúne Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. Quando foi consolidado como principal fórum das economias industrializadas ocidentais, seus integrantes respondiam por aproximadamente 70% do Produto Interno Bruto mundial. Atualmente, essa participação está próxima de 40%.


Ao mesmo tempo, o bloco representa cerca de um décimo da população global. A redução de sua participação econômica ocorre paralelamente ao crescimento de agrupamentos como o BRICS, que ampliou sua composição de cinco para onze países, incorporando novos membros e expandindo seu alcance político e econômico.


A edição de 2026 da cúpula também ocorre em meio a críticas internacionais dirigidas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relacionadas às tarifas comerciais, ao apoio estadunidense a Israel durante o genocídio contra os palestinos em Gaza e às negociações envolvendo o Irã.


As mobilizações começaram antes da manifestação principal de domingo. No sábado, uma flotilha formada por aproximadamente 20 embarcações navegou pelo Lago Léman próximo à costa de Évian exibindo faixas contra o G7 e em apoio à Palestina. Na noite de sexta-feira, cerca de 20 manifestantes foram detidos pelas autoridades suíças, segundo relatos divulgados pela imprensa local.


 
 

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