

23 de mar. de 2026
Cientistas brasileiros avançam na disputa global por diagnóstico precoce do Alzheimer
Pesquisadores Mychael Lourenço, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Wagner Brum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
MODO DE NAVEGAÇÃO
Pesquisadores brasileiros ganharam destaque internacional em março de 2026 ao receberem prêmios por avanços nas pesquisas sobre a doença de Alzheimer, evidenciando tanto o potencial científico do país quanto as desigualdades estruturais na produção de conhecimento global.
Mychael Lourenço, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi agraciado com o ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research, enquanto Wagner Brum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), recebeu o prêmio “Next One to Watch” da Alzheimer’s Association, sediada nos Estados Unidos.
As pesquisas conduzidas pelos dois cientistas abordam desde os mecanismos biológicos da doença até estratégias para diagnóstico precoce, considerado um dos principais desafios da medicina contemporânea. Segundo Lourenço, existem cerca de 40 milhões de pessoas com Alzheimer no mundo, sendo aproximadamente 2 milhões no Brasil, número possivelmente subestimado devido à falta de acesso a diagnóstico.
Ele destaca que a maioria dos estudos ainda é conduzida no Norte global, o que limita a compreensão das especificidades da doença em populações do Sul. Seus estudos investigam o acúmulo de proteínas como beta-amiloide e tau no cérebro, além de mecanismos de degradação celular que poderiam impedir a progressão da doença.
Paralelamente, Brum lidera pesquisas sobre biomarcadores sanguíneos, especialmente a proteína p-tau217, capaz de indicar a presença da doença com alto grau de precisão. Ele desenvolveu protocolos para viabilizar o uso clínico do exame, já adotado em países da Europa e nos Estados Unidos, mas ainda restrito a poucos laboratórios privados no Brasil.
Atualmente, o diagnóstico no país depende majoritariamente de análise clínica e exames de imagem, que não são específicos, enquanto métodos mais precisos, como PET-CT e análise de líquor, permanecem inacessíveis para grande parte da população. A incorporação de exames de sangue ao Sistema Único de Saúde (SUS) é apontada como objetivo central, mas exige validação em larga escala.
Testes já estão em andamento no Rio Grande do Sul, com previsão de expansão nacional. As pesquisas contam com financiamento de instituições como Faperj, Instituto Serrapilheira e Idor, demonstrando a importância do investimento público e independente em ciência.
O avanço brasileiro ocorre em um cenário global marcado por concentração de recursos e infraestrutura científica em países centrais, o que reforça a necessidade de soberania científica e produção local de conhecimento para enfrentar desafios de saúde pública que afetam de forma desigual diferentes regiões do mundo.
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