

Universidade britânica promete retirar termo “Palestina Antiga” após pressão de lobby pró-Israel
segunda-feira, 9 de março de 2026
Palestina @PINTEREST
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Documentos obtidos por meio da Lei de Liberdade de Informação e analisados pelo veículo The New Arab revelaram que a Open University (OU), uma das maiores instituições de ensino a distância do Reino Unido, comprometeu-se internamente a remover o termo historicamente reconhecido “Palestina Antiga” de materiais didáticos após pressão do grupo de lobby pró-Israel UK Lawyers for Israel (UKLFI).
A revelação surgiu após um pedido de acesso à informação apresentado pelo Grupo de Solidariedade à Palestina da universidade. Em carta enviada em 30 de novembro de 2025 ao vice-reitor da instituição, professor David Phoenix, a UKLFI acusou a universidade de promover uma “declaração política moderna” ao se referir ao local de nascimento de Maria como estando na “Palestina Antiga” em um módulo de estudos religiosos.
O grupo alegou que o termo imporia “um rótulo político moderno a um território que não possuía tal identidade na época” e afirmou que essa terminologia poderia constituir assédio nos termos da Lei da Igualdade de 2010. A organização também sugeriu que a universidade substituísse a expressão por termos como “Judeia, Samaria e Galileia” ou “Levante Meridional”, expressões frequentemente promovidas por defensores do Estado israelense para evitar referências diretas à Palestina histórica.
Historiadores, entretanto, utilizam amplamente o termo “Palestina Antiga” para descrever a região do Mediterrâneo oriental habitada durante milênios e mencionada em fontes romanas e bizantinas. A Sociedade Britânica de Estudos do Oriente Médio (BRISMES) destacou que a palavra faz parte da terminologia arqueológica e historiográfica internacionalmente reconhecida. Em resposta à pressão do lobby, a chefe do Departamento de Artes e Ciências Sociais da universidade, professora Adrienne Scullion, escreveu em dezembro que o termo era academicamente apropriado e aparecia em “estudos acadêmicos revisados por pares”, mas prometeu revisar o material didático. “Não utilizaremos o termo ‘Palestina Antiga’ em nenhum material didático futuro”, escreveu Scullion, acrescentando que módulos existentes passariam a incluir notas explicando “os debates em torno de seu significado”.
Após a divulgação pública dos documentos em 4 de março de 2026, a Open University divulgou um comunicado afirmando que acadêmicos continuariam livres para usar o termo, alegando que decisões sobre terminologia pertencem ao julgamento acadêmico individual. No entanto, a correspondência revelada contradiz essa afirmação e indica que a instituição havia garantido ao lobby que deixaria de utilizar a expressão em novos conteúdos.
O episódio ocorre em meio a críticas crescentes ao papel da UKLFI em instituições culturais britânicas. Em 2025, o Museu Britânico removeu discretamente a palavra “Palestina” de uma exposição sobre geografia antiga após intervenções do mesmo grupo. A BRISMES afirmou que a interferência externa cria um “precedente perigoso” ao tentar influenciar materiais acadêmicos relacionados à história da Palestina-Israel.
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