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Documento vazado mostra estratégia israelense para cercar civis e segmentar Gaza em zonas controladas

Uma proposta militar de Israel, revelada por fontes diplomáticas ao jornal britânico The Sunday Times, expõe planos para reconfigurar a Faixa de Gaza em três zonas civis separadas, controladas por corredores militares israelenses. A medida seria implementada caso as negociações de cessar-fogo com o Hamas, atualmente em curso em Doha, no Catar, fracassem.



O primeiro-ministro da ocupação, Benjamin Netanyahu, visita o norte da Faixa de Gaza em meio à ofensiva militar no território, em 15 de abril de 2025 — Foto: GPO / AFP
O primeiro-ministro da ocupação, Benjamin Netanyahu, visita o norte da Faixa de Gaza em meio à ofensiva militar no território, em 15 de abril de 2025 — Foto: GPO / AFP


Segundo o documento, os palestinos seriam confinados a três áreas — norte, centro e sul de Gaza —, sem possibilidade de transitar entre elas sem autorização israelense. As zonas seriam isoladas por faixas de segurança militar, e a movimentação de mercadorias dependeria de rígidos sistemas de rastreamento, como leitores de código de barras.


O plano prevê ainda a construção de um novo corredor militar ligando o centro ao sul do território, mais estreito que o já existente corredor de Netzarim, com infraestrutura exclusiva para uso das forças israelenses. Escavadeiras estariam prontas para abrir caminho e instalar a nova rota, o que na prática bloquearia o acesso civil entre as regiões norte e sul da Faixa.


Na parte norte, áreas como Beit Lahia e Beit Hanoun seriam incorporadas a uma zona militar expandida. As Forças de Defesa de Israel (FDI) pretendem limpar completamente essa área em até três semanas, instalando novas estradas e bases operacionais. Uma ampla zona tampão ao redor de toda a Faixa também faz parte da proposta.


Além disso, doze pontos de distribuição de ajuda humanitária foram identificados no mapa vazado. Esses locais estariam vinculados a um sistema de entrega privatizado, supervisionado por empresas terceirizadas sob monitoramento militar israelense — modelo já aplicado nos postos de controle em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia ocupada.


Essa nova configuração geopolítica de Gaza insere-se em uma estratégia anunciada por Israel em julho do ano passado, de substituir o governo do Hamas por meio da criação de “enclaves humanitários” controlados por Tel Aviv.


O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu confirmou, no sábado (18), que negociações seguem em andamento em Doha, discutindo desde a possibilidade de um cessar-fogo temporário até um acordo abrangente que incluiria o desarmamento da Faixa de Gaza, a libertação de prisioneiros israelenses e o exílio de líderes do Hamas.


“Mesmo neste momento, a equipe de negociação está em Doha explorando todas as alternativas possíveis — seja com base na proposta Witkoff, seja com vistas ao fim da guerra, o que incluiria a libertação de todos os reféns, o exílio dos terroristas do Hamas e o desarmamento completo da Faixa”, afirmou o gabinete de Netanyahu em comunicado.


Na sexta-feira (17), as forças israelenses iniciaram uma nova ofensiva terrestre batizada de Operação Carruagens de Gideão, com o objetivo de reocupar Gaza pela força e pressionar a população civil a se deslocar para o sul, ao mesmo tempo em que destroem o que resta da infraestrutura local.


Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, 500 palestinos foram mortos em apenas três dias de ofensiva, com mais de 100 vítimas em uma única noite — um dos episódios mais violentos desde o início da campanha militar israelense.

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