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No Mês da História Negra ‘Americana’: A Casa Branca se Torna Cada Vez Mais a Casa dos Brancos

Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, proclama fevereiro de 2025 como o Mês Nacional da História Negra, celebrando as contribuições de figuras icônicas como Frederick Douglass e Harriet Tubman, ele, sendo Trump, teve a cara de pau de colocar Tiger Woods, que não fez uma única contribuição legítima à resistência antirracista, no mesmo patamar que Douglass e Tubman, rebaixando assim o contexto e a história de dois verdadeiros abolicionistas. Só faltou mencionar O.J. Simpson. Mas compreendo que o presidente acredite no que vomita publicamente, afinal, Tiger Woods é quase tão branco quanto Trump.


Péssima hora para ser negro na terra do “sonho americano”... Justamente em um momento em que a desigualdade racial persiste em todas as suas formas, em que imigrantes — os mesmos que construíram esse sonho “americano” — estão sendo acorrentados e deportados para que racistas de lençóis brancos desfilem pela capital sob escolta da polícia. Ao que parece, esse sonho é só para os brancos, isso se não forem brancos imigrantes.


A proclamação presidencial, repleta de elogios aos "patriotas negros americanos" — eufemismo para negros obedientes — e suas conquistas, não passa de uma piada de péssimo gosto. Trump fala sobre uma "Idade de Ouro" para os Estados Unidos; mas para quem? Certamente não é para nenhum não branco, já que os negros americanos continuam a enfrentar barreiras sistêmicas que limitam seu acesso à justiça, educação, saúde e oportunidades econômicas.


Infelizmente, os estadunidenses negros, cuja herança de luta remonta a ícones como Martin Luther King Jr., Malcolm X, Muhammad Ali, Angela Davis e tantos outros, incluindo, obviamente, Douglass e Tubman, vão ter que lutar novamente contra a casa-grande para se livrar dos grilhões, já que a retórica de Trump sobre a "igualdade sob a lei" ignora as disparidades raciais que persistem no sistema de justiça criminal, na educação e no acesso à saúde. Enquanto o presidente celebra os "heróis americanos" do passado, muitos negros americanos no presente continuam a lutar contra a brutalidade policial, o encarceramento em massa e a segregação econômica.


A história negra americana realmente reverbera bravura e honra, como a de Harriet Tubman, que arriscou sua vida para libertar escravizados, ou Frederick Douglass, que lutou incansavelmente pela abolição e, ao que parece, precisará ser novamente lembrada para vencer o governo racista que se instalou mais uma vez. Sob o governo Trump, a Casa Branca continuará sendo a "Casa dos Brancos", um espaço onde as vozes negras são ouvidas apenas na cozinha.




 
 

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