Voltando na horizontal: EUA anuncia envio de mais tropas ao Oriente Médio
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O secretário de Defesa estadunidense, Pete Hegseth, anunciou nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, o envio de mais forças ao Oriente Médio, afirmando que a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã “está apenas começando”. Em coletiva no Pentágono, em Washington, Hegseth declarou que a campanha militar será intensificada com a chegada imediata de novos bombardeiros e caças. Segundo a agência semioficial iraniana Tasnim, ao menos 1.045 pessoas morreram no Irã desde o início dos ataques, no sábado, 29 de fevereiro. O secretário afirmou que Washington utilizará um estoque “quase ilimitado” de bombas de 226 kg, 453 kg e 900 kg.

Durante a coletiva no Pentágono, Hegseth foi explícito quanto à ampliação da ofensiva. “Estamos acelerando, não desacelerando… Mais bombardeiros e mais caças estão chegando hoje mesmo”, afirmou. Em tom ainda mais direto, declarou que Estados Unidos e Israel semeariam “morte e destruição do céu, o dia todo”, sinalizando uma estratégia de bombardeio contínuo e de alta intensidade contra alvos em território iraniano.
A declaração oficial confirma a ampliação formal de uma campanha militar iniciada cinco dias antes, no sábado, 29 de fevereiro, e que já deixou mais de mil mortos em solo iraniano, de acordo com a Tasnim. O número não distingue combatentes de civis. De Teerã, o repórter Mohamed Vall, da Al Jazeera, relatou que “os civis estão sofrendo o impacto mais severo” dos ataques conjuntos, acrescentando que três quartos da população da capital teriam deixado a cidade diante das ofensivas aéreas contínuas.
“As greves são contínuas”, afirmou Vall na noite de quarta-feira, observando que autoridades iranianas acusam forças estadunidenses e israelenses de conduzirem ataques “caóticos” e sem precisão clara quanto aos alvos declarados. A ausência de transparência sobre critérios operacionais e listas públicas de objetivos militares amplia as críticas de que a ofensiva ignora princípios básicos de distinção e proporcionalidade previstos na Carta das Nações Unidas e no direito internacional humanitário.
A resposta de Teerã também ampliou o alcance regional da guerra. Mísseis e drones iranianos atingiram alvos militares na região, resultando na morte de ao menos seis militares estadunidenses e 11 pessoas em Israel, segundo informações divulgadas por autoridades locais e reproduzidas pela Al Jazeera. Instalações de petróleo e gás no Golfo passaram a ser atingidas com maior frequência, elevando o risco de desestabilização nos mercados globais de energia.
Em comunicado divulgado também em 4 de março, o Conselho Norueguês para Refugiados alertou para o impacto “forte” da guerra sobre civis em todo o Oriente Médio. O secretário-geral da organização, Jan Egeland, afirmou que “essa escalada mortal está agravando o sofrimento de pessoas já feridas ou empobrecidas por conflitos anteriores” e apelou para que as partes “reduzam a tensão, protejam os civis e as infraestruturas civis, incluindo escolas e hospitais, respeitem as suas obrigações ao abrigo do direito internacional humanitário e permitam o acesso humanitário seguro e sem entraves”.

























