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25 de mar. de 2026

Emirados Árabes Unidos ampliam rede clandestina de armas para milícia no Sudão, revela Le Monde

Elementos pertencentes as Forcas de Apoio Rápido - Arquivo

MODO DE NAVEGAÇÃO

Um relatório publicado pelo jornal francês Le Monde em 24 de março de 2026 revelou que os Emirados Árabes Unidos reorganizaram suas redes logísticas para fornecer armamentos às Forças de Apoio Rápido (RSF) no Sudão, utilizando rotas alternativas através de países africanos como Etiópia e República Centro-Africana.

A investigação aponta que aeronaves de carga vinculadas a empresas emiradenses realizaram voos frequentes para regiões da África Oriental e Central, em alguns casos desativando sistemas de rastreamento para evitar detecção internacional, antes de transportar os armamentos para territórios sob controle da milícia sudanesa.

Segundo o jornal, foi estabelecida uma nova infraestrutura logística que inclui centros de apoio e campos de treinamento, além da utilização de aeroportos estratégicos como pontos de trânsito para o envio de armas.

As rotas também atravessam Líbia e Chade, apesar das pressões regionais e do aumento das tensões fronteiriças, que levaram alguns países a reduzir sua participação nas operações. O fornecimento de armas ocorre em um contexto de intensificação do conflito sudanês, iniciado em abril de 2023, quando confrontos eclodiram entre o exército liderado por Abdel Fattah al-Burhan e as Forças de Apoio Rápido comandadas por Mohamed Hamdan Dagalo.

Desde então, tentativas de mediação internacional falharam em estabelecer um cessar-fogo duradouro, enquanto a RSF expandiu sua presença territorial com apoio de redes transfronteiriças de abastecimento. O envolvimento dos Emirados Árabes Unidos, conforme detalhado pela investigação, evidencia o caráter cada vez mais internacionalizado da guerra no Sudão, marcada pela atuação indireta de potências regionais que alimentam o conflito por meio de apoio logístico e militar.

Essa dinâmica reforça padrões históricos de intervenção externa no continente africano, onde disputas internas são frequentemente instrumentalizadas por interesses geopolíticos e econômicos externos. Ao utilizar rotas clandestinas e mecanismos de ocultação, os Emirados demonstram a existência de uma estrutura paralela de abastecimento que opera à margem de mecanismos internacionais de controle, contribuindo para prolongar o conflito e agravar a crise humanitária no país.

O caso também expõe a fragilidade das estruturas internacionais de fiscalização e a persistência de práticas que remontam a lógicas coloniais de exploração e desestabilização regional, agora reconfiguradas sob novas alianças e interesses estratégicos.

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