Após ofensiva relâmpago de Israel, Irã reage com poder de fogo e unidade popular
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- 7 de jul. de 2025
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O recente conflito entre Israel e Irã foi marcado por uma ofensiva surpresa e de curta duração, mas com efeitos duradouros. O ataque israelense, que visava alvos estratégicos e incluiu o assassinato de altos oficiais militares, cientistas nucleares e civis iranianos, provocou uma resposta contundente menos de 12 horas depois. O que se seguiu foi uma sucessão de ataques balísticos que atingiram profundamente cidades e instalações militares israelenses.
A retaliação iraniana, iniciada em 13 de junho, consistiu em mais de 21 lançamentos de mísseis, que causaram danos significativos à infraestrutura estratégica de Israel. Segundo autoridades iranianas, a ofensiva causou pânico entre colonos e civis israelenses e forçou o recuo tático das forças inimigas.
O conflito, que terminou de forma tão repentina quanto começou no dia 24 de junho, não teria alcançado os objetivos centrais do governo israelense: desmantelar o programa nuclear do Irã e enfraquecer o regime em Teerã. A ofensiva, segundo analistas, foi substituída por uma nova fase de guerra psicológica, centrada em campanhas de desinformação e tentativas de enfraquecer a imagem da liderança iraniana.
Uma das narrativas propagadas por veículos aliados a Israel sugeria que o Líder Supremo do Irã, Aiatolá Seyyed Ali Khamenei, teria se ausentado da esfera pública por medo de ser alvo de um atentado. A mídia persa no exterior chegou a afirmar que ele havia deixado de governar o país. A resposta a essa alegação, no entanto, foi dada de forma simbólica e poderosa.
Em 5 de junho, o Aiatolá Khamenei participou publicamente de uma cerimônia de luto pelo Imam Hussein no Imam Khomeini Hussainie, em Teerã. Sua presença foi recebida com entusiasmo por centenas de presentes, que entoaram o slogan religioso “Haidar, Haidar”, exaltando a figura do Imam Ali — uma referência direta ao papel espiritual e político do Líder.

Durante o evento, o aiatolá também solicitou a execução da canção patriótica “Ey Iran”, interpretada pelo recitador de elegias convidado. A inclusão dessa música em uma cerimônia tradicionalmente religiosa foi vista por especialistas como um gesto calculado de unidade nacional e resistência política.
“Essa foi uma mensagem clara ao Ocidente: o Irã não está dividido, e sua liderança continua firme diante de ameaças externas”, avaliou um analista político iraniano à TV estatal.
O impacto do gesto foi imediato. Nas redes sociais, mesmo iranianos com pouca ligação com rituais religiosos elogiaram a presença pública do Líder. Uma jovem de Teerã escreveu no X: “A recente aparição do aiatolá Khamenei me trouxe uma sensação de alívio e orgulho.” Seus posts anteriores indicavam uma postura secular.
Contexto e implicações
O confronto direto entre Israel e Irã ocorre num momento de instabilidade crescente no Oriente Médio, e marca uma mudança de fase na confrontação entre os dois países, com o Irã demonstrando capacidade de resposta estratégica e resiliência popular diante de ataques.
Embora o conflito tenha cessado formalmente em 24 de junho, o clima de tensão permanece, com o Irã prometendo manter sua postura defensiva e Israel recorrendo a meios não convencionais para tentar minar a coesão interna do país adversário.
A cerimônia no Imam Khomeini Hussainie, com sua simbologia híbrida de religião e patriotismo, pode ter marcado o início de uma nova etapa na narrativa política iraniana: a reafirmação do nacionalismo como eixo da resistência.





















































