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Base nuclear secreta dos EUA, descoberta pela NASA, pode ser interesse de Trump na Groenlândia

Em abril de 2024, a NASA revelou a localização precisa da antiga base militar estadunidense Camp Century, construída sob o gelo da Groenlândia durante a Guerra Fria. Enterrada a cerca de 30 metros abaixo da superfície, a estrutura foi identificada com o uso de um radar de penetração no solo (UAVSAR), reacendendo preocupações tanto ambientais quanto geopolíticas.


A base fazia parte do Projeto Iceworm, um plano sigiloso do governo dos Estados Unidos que visava instalar mísseis nucleares em túneis secretos no Ártico. Embora tenha sido oficialmente desativada em 1967, Camp Century ainda abriga resíduos perigosos, incluindo diesel, PCBs e água radioativa. O derretimento acelerado das calotas polares, intensificado pela crise climática, levanta temores de contaminação do ecossistema local.


Construção da trincheira do Camp Century
Construção da trincheira do Camp Century

A revelação ocorreu poucos meses antes da eleição presidencial nos EUA. Em dezembro de 2024, logo após confirmar sua vitória, o ex-presidente Donald Trump voltou a defender a compra da Groenlândia, afirmando que a aquisição seria “necessária para a segurança nacional”. A declaração provocou reações diplomáticas imediatas, reacendendo alarmes na Europa e no Ártico.


Donald Trump é empossado como 47º presidente dos EUA enquanto Melania Trump segura a bíblia.
Donald Trump é empossado como 47º presidente dos EUA enquanto Melania Trump segura a bíblia.

Com a redescoberta de Camp Century e a confirmação de seu objetivo nuclear no passado, analistas políticos passaram a especular que o interesse renovado dos EUA pela ilha pode estar menos ligado à exploração de recursos naturais e mais à recuperação de uma posição estratégica na região polar — agora exposta pela ciência e ameaçada pelas mudanças climáticas.


Em março de 2025, durante um pronunciamento ao Congresso, Trump reforçou que os Estados Unidos irão “adquirir a ilha de qualquer forma” e mencionou negociações com a OTAN, citando o secretário-geral Mark Rutte como possível aliado. No mesmo mês, o vice-presidente J.D. Vance visitou a Base Espacial Pituffik e acusou a Dinamarca de negligência na proteção da Groenlândia, endossando a narrativa trumpista sobre a necessidade de controle direto dos EUA.


A resposta groenlandesa foi imediata. Os líderes dos cinco partidos representados no parlamento da ilha emitiram uma carta conjunta classificando qualquer tentativa de anexação como “inaceitável” e “desrespeitosa à soberania do povo groenlandês”.


Pesquisas realizadas em janeiro de 2025 mostram que 85% da população da Groenlândia rejeita a união com os Estados Unidos, enquanto o debate sobre a independência do território, atualmente autônomo sob a soberania dinamarquesa, ganha novo fôlego diante da crise.


Diante desse cenário, a redescoberta de Camp Century emerge como um catalisador de tensões geopolíticas contemporâneas, onde ciência, soberania e ambições estratégicas colidem em meio ao colapso climático. A Groenlândia, antes vista como uma fronteira gelada e distante, assume agora o centro de um tabuleiro global em que os interesses militares e ambientais se entrelaçam perigosamente — e cujo desfecho pode redefinir o equilíbrio de poder no Ártico.

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