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Quem é Greg Bovino, o cão de caça da gestapo migratória de Trump

Ele não se esconde atrás de balaclavas, nem evita as câmeras. Ao contrário: Greg Bovino faz questão de ser visto. Tornou-se o rosto — duro, calculado, performático — da ofensiva do governo Donald Trump para caçar, deter e deportar imigrantes indocumentados pelos Estados Unidos.


Apelidado pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, de uma espécie de “comandante-em-chefe general” da Patrulha de Fronteira, Bovino saiu dos bastidores operacionais para o palco político. E parece confortável sob os holofotes. Ganhou projeção nacional ao liderar operações de imigração em Los Angeles, depois repetiu o roteiro em Chicago, Charlotte e Nova Orleans. Desde o começo do ano, circula também pela região de Minneapolis – St. Paul, onde sua presença — acompanhada de centenas de agentes federais — gerou tensão com autoridades locais. Diante da resistência, Trump chegou a ameaçar invocar a Lei da Insurreição. O recado era claro: se os governos locais não colaboram, Washington impõe.




A estética do poder

Bovino não chama atenção só pelas operações. Sua imagem virou parte da mensagem. Têmporas raspadas, postura rígida, e recentemente um longo casaco verde cáqui de corte militar, com insígnias espalhadas pelos ombros e braços. Nas redes sociais, a reação foi imediata. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, ironizou dizendo que o comandante parecia ter comprado “um uniforme da SS no eBay”. A comparação é provocativa — e revela o quanto a simbologia importa. Para críticos, é a encenação de autoridade, força e intimidação como linguagem política.


“Polícia secreta, exército particular, homens mascarados, pessoas desaparecendo sem o devido processo legal”, disparou Newsom em Davos.

Acusações e aplausos

Bovino também enfrenta dois processos judiciais que acusam agentes sob seu comando de ultrapassar limites legais, incluindo detenções baseadas em perfil racial. Seus críticos o veem como o arquiteto de uma cultura de força máxima, onde direitos civis se tornam detalhes incômodos. Seus defensores contam outra história: dizem que ele está tirando das ruas imigrantes indocumentados com histórico de crimes violentos. Para esse grupo, Bovino não é um vilão — é um executor eficiente de uma promessa de campanha.


E ele sabe que tem respaldo. O próprio Trump, segundo Bovino, telefonou para agradecer o trabalho da equipe em Los Angeles. A Casa Branca o descreve como peça-chave para “tornar a América segura novamente”.


Quem é o cão de caça da Gestapo de Trump

Nascido na Carolina do Norte, filho de uma família de imigrantes italianos – sério, não estamos inventando –, Bovino construiu carreira inteira na Patrulha de Fronteira, que ele chama de “Máquina Verde” — referência à cor dos uniformes e à engrenagem de prisões e deportações.


Passou por postos na fronteira com o México, subiu na hierarquia e, ao longo de quase três décadas, transformou a agência em sua identidade. Em entrevistas e podcasts, fala da Patrulha como quem fala de família — uma família armada, treinada e mobilizada.


O que o projetou nacionalmente foi a mudança de cenário: agentes tradicionalmente focados na fronteira passaram a atuar em cidades consideradas “santuário” para imigrantes. Em Los Angeles, Bovino divulgou vídeos promocionais das operações com trilha sonora de heavy metal. Em outro momento, declarou:


“Estamos tornando Los Angeles mais segura, já que não temos políticos cuidando disso.”


Em Chicago, liderou uma operação de um mês que resultou em milhares de prisões. Agentes patrulharam bairros majoritariamente hispânicos, subúrbios e centros de transporte. Houve relatos de janelas de carros quebradas e uso de gás lacrimogêneo contra manifestantes. Bovino celebrou os resultados. “Somos quebradores de santuário. Não há santuários. Não haverá santuários”, disse à Associated Press.


Sua liderança passou a ser observada de perto por tribunais federais. Uma juíza em Chicago determinou limites ao uso da força por agentes do ICE após concluir que Bovino deu um depoimento “simplesmente não crível” ao justificar o uso de gás lacrimogêneo. Ele não recuou. Disse que suas equipes usam “a menor força necessária” e, em outra declaração polêmica, afirmou que teria usado mais gás se tivesse.


Após a morte de Renee Nichole Good, baleada por um agente do ICE em Minneapolis, Bovino defendeu o subordinado e falou em legítima defesa.


Bovino nega que as operações tenham motivação política. Diz que o foco é “criminosos violentos” e que falhas das autoridades locais exigem presença federal. “A segurança pública em Minneapolis é inegociável”, afirmou. Enquanto isso, vídeos o mostram usando spray de pimenta contra manifestantes, avisando antes: “O gás está acabando!” — frase que soa menos como advertência tática e mais como deboche num cenário já inflamado.


O Departamento de Segurança Interna reforçou publicamente o apoio aos agentes, enquanto aliados de Trump falam em “imunidade” para que cumpram seus deveres sem interferência de autoridades locais ou manifestantes.


Do alto da política, o incentivo também é explícito. Trump chegou a escrever que “o dia do acerto de contas” estava chegando para Minnesota.

Hoje, Bovino não é apenas um comandante operacional. Virou símbolo de uma fase em que a política migratória se veste como operação militar e se comunica como espetáculo de força. Ao liderar comitivas de agentes mascarados, vestindo casacos militares até o joelho, ele encena algo maior que prisões: encena poder federal em marcha, autoridade sem pedido de licença.


Para uns, é ordem restaurada. Para outros, é o ensaio de um Estado que testa até onde pode ir.

E Greg Bovino, goste-se ou não, parece determinado a ir junto até o limite, como fez Goebbels.

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