China acusa EUA de instrumentalizar “ameaça chinesa” como desculpa para anexar Groenlândia
- www.jornalclandestino.org

- 19 de jan.
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O governo da China criticou nesta segunda-feira (19), em Pequim, declarações e iniciativas dos Estados Unidos relacionadas à Groenlândia, classificando-as como tentativas de justificar interesses estratégicos por meio da chamada “ameaça chinesa”. Segundo Pequim, a postura de Washington afronta princípios do direito internacional e a soberania das nações do Ártico. Autoridades chinesas afirmam que suas atividades na região são transparentes, pacíficas e voltadas à cooperação científica e ambiental. O posicionamento ocorre após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo a necessidade de controle norte-americano sobre o território. O tema também provocou reações políticas na própria Groenlândia e entre países europeus.

Em coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, declarou que o Ártico envolve interesses coletivos da comunidade internacional e não deve ser tratado como espaço para ações unilaterais. De acordo com ele, a China atua na região com base no respeito às normas internacionais, priorizando a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável.
Guo afirmou ainda que a narrativa de uma suposta “ameaça chinesa” estaria sendo usada como pretexto para avanços estratégicos de outros países. Para o governo chinês, cada nação possui o direito soberano de decidir com quem mantém relações comerciais e científicas, sem sofrer pressões externas ou coerção econômica.
As declarações chinesas foram feitas após comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos quais sugeriu que Washington precisaria assumir o controle da Groenlândia, território autônomo do Reino da Dinamarca, para conter a influência da China e da Rússia no Ártico. Pequim avalia que esse tipo de discurso viola princípios de soberania, multilateralismo e liberdade comercial.
Na Groenlândia, as falas norte-americanas também geraram reação interna. O primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen participou de manifestações em Nuuk contra declarações e ações que indicariam uma possível tentativa de controle estrangeiro sobre o território. Os protestos reforçaram o debate sobre autodeterminação e segurança regional no contexto ártico.

Paralelamente, Washington anunciou planos para impor tarifas adicionais de 10% sobre importações de países europeus que mantêm relações econômicas com a Groenlândia, incluindo Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia. Segundo o governo dos Estados Unidos, a medida buscaria proteger interesses estratégicos, com a possibilidade de elevação das tarifas para até 25% a partir de junho de 2026, caso não haja acordo.
Governos europeus reagiram com críticas à proposta, interpretando-a como uma forma de pressão econômica que ameaça o comércio internacional e as regras multilaterais. Analistas apontam que o uso de tarifas como instrumento político pode ampliar tensões diplomáticas e afetar a estabilidade das relações econômicas globais.
A China sustenta que iniciativas desse tipo reforçam a necessidade de diálogo e cooperação internacional no Ártico. Em declaração anterior, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, afirmou que os direitos legais de todos os Estados de conduzir atividades na região devem ser plenamente respeitados e que nenhum país deveria usar terceiros como justificativa para buscar interesses próprios.
Pequim também destacou sua presença científica e cooperativa no Ártico. O país é observador do Conselho do Ártico desde 2013 e mantém expedições científicas na região desde 1999, incluindo o uso do navio-laboratório Xue Long. Entre as instalações de pesquisa, estão a Yellow River Station, em Svalbard, na Noruega, e o Observatório Científico Ártico China-Islândia, inaugurado em 2018.
Segundo documentos oficiais, os investimentos chineses concentram-se em estudos climáticos, monitoramento ambiental, biodiversidade e cooperação acadêmica internacional. Além da pesquisa científica, a China avalia oportunidades comerciais ligadas às rotas marítimas do Ártico, como a Rota Marítima do Norte, que pode reduzir distâncias entre a Ásia e a Europa.
Para o governo chinês, o futuro do Ártico deve ser pautado por governança multilateral, respeito ao direito internacional e decisões tomadas de forma coletiva. Pequim avalia que ações unilaterais e medidas coercitivas não contribuem para a estabilidade regional e podem aprofundar disputas geopolíticas em uma área considerada estratégica para o equilíbrio global.



















































