Conselho de Segurança da ONU inicia 2026 com novos membros em meio a divisões geopolíticas e aumento de vetos
- @clandestino_jornal

- há 5 dias
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Cinco países iniciaram em janeiro seus mandatos como membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU, em um momento marcado por tensões geopolíticas persistentes e dificuldades para decisões consensuais. Bahrein, Colômbia, República Democrática do Congo, Letônia e Libéria passam a integrar o órgão responsável pela paz e segurança internacionais.

A partir deste mês, Bahrein, Colômbia, República Democrática do Congo, Letônia e Libéria assumiram assentos no Conselho de Segurança das Nações Unidas para mandatos de dois anos, substituindo Argélia, Guiana, República da Coreia, Serra Leoa e Eslovênia, cujos períodos se encerraram em dezembro.
Os novos integrantes se unem aos demais membros não permanentes — Dinamarca, Grécia, Paquistão, Panamá e Somália — que permanecerão no órgão até o fim de 2026, além dos cinco membros permanentes: China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. Esses últimos formam o chamado P5 e detêm o poder de veto, capaz de barrar qualquer resolução substancial, independentemente do apoio majoritário.
De acordo com a Carta das Nações Unidas, o Conselho de Segurança tem a responsabilidade primordial de manter a paz e a segurança internacionais. Trata-se do único órgão da ONU cujas decisões são juridicamente vinculativas para todos os Estados-membros, podendo autorizar sanções, missões de paz e, em situações excepcionais, o uso da força.
O trabalho do Conselho ocorre tanto em sessões públicas, abertas a outros países, à imprensa e ao público, quanto em consultas fechadas, nas quais diplomatas negociam temas sensíveis. Além do calendário regular, o órgão pode convocar reuniões de emergência com pouco aviso, diante de crises internacionais.
Os membros não permanentes são eleitos anualmente pela Assembleia Geral da ONU, composta por 193 países, por meio de votação secreta. As vagas são distribuídas por grupos regionais, e os candidatos precisam obter maioria de dois terços. A participação implica custos elevados com equipes diplomáticas, logística e presença contínua em Nova York. Mais de 50 países nunca integraram o Conselho; a Letônia, por exemplo, assume o assento pela primeira vez em sua história.
A chegada dos novos membros ocorre em um contexto de crescente impasse político. Conflitos como os da Ucrânia e do Oriente Médio aprofundaram divisões entre as grandes potências, reduzindo a capacidade de ação conjunta do Conselho. Esse cenário se reflete no aumento do uso do veto: após a Guerra Fria, o recurso era raro, mas passou a ser acionado com maior frequência desde meados da década de 2010, somando sete vetos em 2023 e oito em 2024.
Diplomatas apontam que essa tendência evidencia o agravamento das disputas geopolíticas e dificulta respostas rápidas e eficazes a crises globais. Ainda assim, o Conselho continua sendo o principal fórum internacional para decisões sobre guerra, paz e segurança coletiva.
Em janeiro, a presidência rotativa do Conselho está sob responsabilidade da Somália. O país conduz os trabalhos do mês, define a agenda e representa o órgão oficialmente, exercendo um papel que combina neutralidade institucional e defesa de posições nacionais.
Após um ano de 2025 marcado por conflitos armados intensificados e restrições orçamentárias, 2026 será um teste para a capacidade do Conselho de Segurança de superar divisões, fortalecer a diplomacia e adotar medidas eficazes em um cenário internacional cada vez mais polarizado.



















































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