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Crise humanitária nos campos de refugiados rohingyas em Bangladesh atingiu novo patamar de horror




Crianças estão morrendo de fome a um ritmo alarmante, enfrentando os piores níveis de desnutrição desde o êxodo forçado de 2017. Segundo Rana Flowers, representante do UNICEF em Bangladesh, o número de internações por desnutrição aguda grave aumentou 27% apenas no último mês. Mais de 38 crianças com menos de cinco anos precisam de atendimento de emergência todos os dias.

Hanida Begum beija seu filho pequeno, Abdul Masood, que morreu quando seu barco virou perto da costa em Shah Porir Dwip, Bangladesh, em 14 de setembro. © Dar Yasin
Hanida Begum beija seu filho pequeno, Abdul Masood, que morreu quando seu barco virou perto da costa em Shah Porir Dwip, Bangladesh, em 14 de setembro. © Dar Yasin

A situação se deteriora rapidamente. "Se não houver novos recursos, metade das crianças que precisam de tratamento será deixada para morrer", alertou Flowers. A estimativa é que pelo menos 7.000 crianças estejam sob risco iminente de morte por inanição.


Bangladesh abriga mais de um milhão de rohingyas apátridas, expulsos de Mianmar após a brutal repressão militar de 2017. Desses, cerca de 500 mil são crianças vivendo em condições insalubres nos campos de Cox’s Bazar. Uma monção prolongada no ano passado piorou a crise, disseminando doenças como cólera e dengue, enquanto a escassez alimentar atinge níveis críticos.


O colapso do financiamento global de ajuda humanitária empurra os refugiados para um desespero extremo. "As rações alimentares atingiram um ponto crítico", denunciou Flowers. Segundo o Programa Mundial de Alimentos, sem novos financiamentos, as rações podem cair para menos da metade, reduzindo-se a apenas US$ 6 por mês por pessoa, uma quantia muito abaixo das necessidades básicas de sobrevivência. Grávidas e lactantes estão entre as mais vulneráveis.


Retornar a Mianmar é impossível. Apenas 10 dias atrás, Volker Türk, Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, declarou que o país segue mergulhado em uma das piores crises de direitos humanos do mundo, com os militares conduzindo uma campanha de terror brutal contra a população.


Para os refugiados em Bangladesh, o cenário não é menos cruel. Sem direitos trabalhistas, a sobrevivência depende exclusivamente da ajuda internacional, que está secando. "O apoio humanitário sustentado não é opcional. É uma questão de vida ou morte", disse Flowers.


A crise se agrava com o congelamento do financiamento dos Estados Unidos. O UNICEF conseguiu uma isenção humanitária para continuar distribuindo alimentos terapêuticos a crianças gravemente desnutridas, mas sem novos repasses, os serviços de emergência acabarão em junho de 2025. O Departamento de Estado dos EUA anunciou que 80% dos programas da USAID estão sendo encerrados, reduzindo drasticamente a resposta humanitária na região.


O corte nos recursos afeta áreas essenciais: clínicas estão fechando, vacinações foram interrompidas, e o fornecimento de água potável e saneamento está em colapso. "Sem ação imediata, surtos mortais se espalharão. Estamos falando de um genocídio por negligência", alertou Flowers.


António Guterres, Secretário-Geral da ONU, deve visitar Bangladesh ainda esta semana e se reunir com refugiados em Cox’s Bazar como parte de sua agenda de solidariedade no Ramadã. Mas visitas não alimentam crianças. E a cada dia de incerteza, mais vidas são enterradas sob os escombros de um mundo que optou por esquecer os rohingyas.

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