Crise humanitária nos campos de refugiados rohingyas em Bangladesh atingiu novo patamar de horror
- www.jornalclandestino.org

- 11 de mar. de 2025
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Crianças estão morrendo de fome a um ritmo alarmante, enfrentando os piores níveis de desnutrição desde o êxodo forçado de 2017. Segundo Rana Flowers, representante do UNICEF em Bangladesh, o número de internações por desnutrição aguda grave aumentou 27% apenas no último mês. Mais de 38 crianças com menos de cinco anos precisam de atendimento de emergência todos os dias.

A situação se deteriora rapidamente. "Se não houver novos recursos, metade das crianças que precisam de tratamento será deixada para morrer", alertou Flowers. A estimativa é que pelo menos 7.000 crianças estejam sob risco iminente de morte por inanição.
Bangladesh abriga mais de um milhão de rohingyas apátridas, expulsos de Mianmar após a brutal repressão militar de 2017. Desses, cerca de 500 mil são crianças vivendo em condições insalubres nos campos de Cox’s Bazar. Uma monção prolongada no ano passado piorou a crise, disseminando doenças como cólera e dengue, enquanto a escassez alimentar atinge níveis críticos.
O colapso do financiamento global de ajuda humanitária empurra os refugiados para um desespero extremo. "As rações alimentares atingiram um ponto crítico", denunciou Flowers. Segundo o Programa Mundial de Alimentos, sem novos financiamentos, as rações podem cair para menos da metade, reduzindo-se a apenas US$ 6 por mês por pessoa, uma quantia muito abaixo das necessidades básicas de sobrevivência. Grávidas e lactantes estão entre as mais vulneráveis.
Retornar a Mianmar é impossível. Apenas 10 dias atrás, Volker Türk, Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, declarou que o país segue mergulhado em uma das piores crises de direitos humanos do mundo, com os militares conduzindo uma campanha de terror brutal contra a população.
Para os refugiados em Bangladesh, o cenário não é menos cruel. Sem direitos trabalhistas, a sobrevivência depende exclusivamente da ajuda internacional, que está secando. "O apoio humanitário sustentado não é opcional. É uma questão de vida ou morte", disse Flowers.
A crise se agrava com o congelamento do financiamento dos Estados Unidos. O UNICEF conseguiu uma isenção humanitária para continuar distribuindo alimentos terapêuticos a crianças gravemente desnutridas, mas sem novos repasses, os serviços de emergência acabarão em junho de 2025. O Departamento de Estado dos EUA anunciou que 80% dos programas da USAID estão sendo encerrados, reduzindo drasticamente a resposta humanitária na região.
O corte nos recursos afeta áreas essenciais: clínicas estão fechando, vacinações foram interrompidas, e o fornecimento de água potável e saneamento está em colapso. "Sem ação imediata, surtos mortais se espalharão. Estamos falando de um genocídio por negligência", alertou Flowers.
António Guterres, Secretário-Geral da ONU, deve visitar Bangladesh ainda esta semana e se reunir com refugiados em Cox’s Bazar como parte de sua agenda de solidariedade no Ramadã. Mas visitas não alimentam crianças. E a cada dia de incerteza, mais vidas são enterradas sob os escombros de um mundo que optou por esquecer os rohingyas.




















































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