Crise no Departamento de Justiça: onda de renúncias atinge Procuradoria em Minnesota após morte de Renée Good
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- 19 de jan.
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A Procuradoria dos Estados Unidos em Minnesota enfrenta uma nova onda de renúncias de promotores federais em meio a críticas internas à condução do Departamento de Justiça no caso da morte de Renée Good, baleada por um agente do ICE em Minneapolis. As saídas ocorrem após decisões administrativas que deslocaram o foco investigativo e acirraram tensões no órgão.

Ao menos cinco promotores federais anunciaram renúncia nesta semana na Procuradoria dos EUA em Minnesota, segundo fontes ligadas ao órgão. Entre os desligamentos está o do procurador adjunto Joseph Thompson, segundo na hierarquia local, responsável por investigações de fraude em programas de assistência social. Novas saídas são esperadas, conforme comunicações internas obtidas pela imprensa.
A movimentação ocorre após a reação do Departamento de Justiça ao assassinato de Renée Good, ocorrido em 7 de janeiro, durante uma operação de imigração em Minneapolis. A vítima, de 37 anos, foi baleada na cabeça e no tórax por Jonathan Ross, agente do ICE, enquanto estava em seu veículo. O caso gerou protestos em diversas cidades dos Estados Unidos.
Promotores que deixaram o cargo não apresentaram justificativas públicas, mas as renúncias sucederam uma ordem do Departamento de Justiça para que o escritório local priorizasse a apuração de condutas relacionadas à esposa de Good, presente no local, em detrimento da investigação sobre o agente e o disparo fatal. Especialistas ouvidos pela imprensa classificaram a situação como incomum e institucionalmente grave.
Vídeos gravados por testemunhas e pelo próprio agente registraram o episódio. Em uma das gravações, uma voz identificada como sendo de Ross é ouvida insultando a vítima após os disparos. Análises independentes das imagens indicam que Good se afastava do agente no momento em que foi atingida, contrariando a versão oficial inicial de que teria tentado atropelá-lo.
A administração federal defendeu a atuação do agente e retirou o Bureau de Apreensão Criminal de Minnesota da investigação, o que, segundo autoridades estaduais, dificultou a coleta de provas. Relatos internos indicam que membros da Procuradoria assistiram às imagens em vídeo com forte abalo emocional diante da morte e da resposta institucional adotada.

Desde a reeleição do presidente Donald Trump, o escritório em Minnesota registra uma redução significativa de pessoal. Quase 50 dos cerca de 135 funcionários teriam deixado seus cargos, incluindo saídas ocorridas durante iniciativas de redução da força de trabalho federal e após o reforço de operações do ICE na região metropolitana de Minneapolis.
A chamada Operação Metro Surge, conduzida nas Twin Cities, resultou na detenção de mais de 2.400 pessoas, segundo números divulgados por autoridades federais. Com o quadro reduzido, a Procuradoria passou a receber apoio de advogados militares do corpo de Juízes Advogados-Gerais (JAGs), e o Pentágono planeja ampliar esse contingente.
Paralelamente, vídeos que mostram ações consideradas violentas por agentes federais — incluindo abordagens a pessoas com deficiência, uso de granadas de efeito moral e detenções de indivíduos inconscientes — ampliaram a pressão por responsabilização. No entanto, para a abertura de ações de direitos civis contra agentes federais, é necessária autorização de instâncias superiores em Washington, o que integrantes do órgão consideram improvável no atual contexto.
Ex-dirigentes do escritório afirmam que a saída simultânea de promotores de carreira é rara e pode comprometer investigações em andamento, como apurações de fraudes em programas estaduais e casos de homicídio de grande repercussão. Alguns dos profissionais que pediram demissão pretendiam permanecer temporariamente para auxiliar na transição, mas tiveram suas credenciais bloqueadas e foram desligados imediatamente.
Com menos de 30 promotores ativos, número inferior à metade do quadro considerado necessário, especialistas avaliam que a Procuradoria enfrentará dificuldades para recompor sua equipe diante do ambiente político e institucional. A expectativa é de que os impactos da crise se estendam por anos, afetando a capacidade do órgão de conduzir processos complexos e sensíveis.



















































