Denúncias se multiplicam sobre ações do ICE em Minneapolis
- www.jornalclandestino.org

- 20 de jan.
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Relatos de imigrantes detidos em Minneapolis indicam práticas severas e potencialmente abusivas por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) durante operações da atual administração do presidente Donald Trump. As denúncias incluem prisões em residências e no trabalho, uso de força, exposição ao frio extremo e registros fotográficos feitos por agentes, enquanto protestos cobram responsabilização do Departamento de Segurança Interna.

A intensificação das ações de deportação em Minneapolis tem gerado novas denúncias de tratamento cruel durante detenções realizadas por agentes federais de imigração. Imigrantes e familiares relatam prisões em casas, abordagens no trânsito e no ambiente de trabalho, além do uso de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e granadas de efeito moral em operações recentes na cidade.
Segundo reportagens locais, três funcionários de um restaurante mexicano familiar foram detidos horas depois de agentes federais terem jantado no estabelecimento. Após o fechamento do local, os trabalhadores teriam sido seguidos e presos. Casos semelhantes já haviam sido registrados, com agentes se passando por clientes antes de efetuar detenções.
Um dos detidos afirmou que agentes fizeram “fotos de troféu” durante a prisão, usando celulares pessoais e posando ao seu lado. A declaração foi reforçada em entrevista coletiva por Garrison Gibson, de 38 anos, libertado após intervenção judicial. Ele relatou que agentes foram repetidas vezes à sua residência e, por fim, arrombaram a porta com um aríete para efetuar a prisão.
Gibson disse que, após ser levado sob escolta armada, agentes demonstraram satisfação com a detenção e registraram imagens ao seu lado. De acordo com a Minnesota Public Radio, ele não teve permissão para trocar de roupa ou vestir um casaco antes de ser levado ao frio intenso do inverno, com temperatura próxima a 16 graus negativos.
O homem foi transferido para El Paso, no Texas, e posteriormente retornou a Minnesota por decisão de um juiz federal. Apesar de ter conseguido voltar para casa a tempo do aniversário da filha, ele ainda enfrenta um processo de deportação para a Libéria, país que deixou aos seis anos de idade ao fugir de uma guerra civil.
Outro caso envolve um casal parado por agentes federais quando seguia para o hospital. Bonfilia Sanchez Dominguez sentia fortes dores nas costas e era levada ao pronto-socorro pelo marido, Libório Parral Ortiz. Segundo a filha do casal, agentes abordaram o veículo, abriram as portas e retiraram o motorista sem apresentar explicações.
Ortiz foi detido e enviado rapidamente para El Paso, conforme registros do sistema de custódia do ICE. A família afirma que o acesso à paciente no hospital foi restringido, incluindo a entrada do advogado e do pastor da família. Para a filha, a abordagem foi motivada por perfilamento racial e resultou em detenção sem informações claras sobre o destino.
As denúncias ocorrem em meio a protestos crescentes em Minneapolis, onde manifes
tantes exigem apuração independente e responsabilização por táticas consideradas violentas do Departamento de Segurança Interna. Organizações de direitos civis cobram transparência nas operações e respeito às garantias legais durante ações de imigração.



















































