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Documentos vazados indicam possível financiamento dos EUA para nova fábrica de blindados em Israel

Documentos do governo dos Estados Unidos citados pela imprensa israelense indicam que Washington avalia financiar, com recursos de ajuda militar, a construção de uma nova fábrica de veículos blindados em Israel. O projeto, estimado em até US$ 2 bilhões, teria como objetivo ampliar a produção de tanques e veículos militares israelenses ao longo dos próximos cinco anos.


Trump e Netanyahu ©WHITE HOUSE
Trump e Netanyahu ©WHITE HOUSE

Documentos vazados dos Estados Unidos revelam que Washington pode participar do financiamento, do projeto e da construção de uma nova fábrica israelense de veículos blindados, utilizando recursos de ajuda militar norte-americana. As informações foram divulgadas pelo jornal Haaretz, que teve acesso a apresentações internas do Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA (USACE).


Segundo o material citado, o empreendimento é chamado de “Centro de Fabricação de Sistemas Conjuntos” e integra o chamado “Projeto de Aceleração de Veículos Blindados”, aprovado no ano passado por um painel ministerial israelense responsável por aquisições de defesa. A iniciativa busca aumentar a capacidade de produção do tanque Merkava e dos veículos de transporte de pessoal Namer e Eitan.


As apresentações do USACE indicam que o projeto pode atingir um valor de vários bilhões de dólares. Em um dos documentos, o Exército dos EUA afirma estar “explorando o potencial de um projeto de grande escala” que seria considerado estratégico para os objetivos industriais e militares de Israel.


Inicialmente, o custo estimado da nova fábrica era de cerca de US$ 1,5 bilhão. Em agosto do ano passado, reportagens do jornal Jerusalem Post apontavam que os anúncios oficiais do projeto não mencionavam financiamento estrangeiro, o que indica uma possível mudança de estratégia na fase atual do planejamento.


Trump e Netanyahu ©WHITE HOUSE
Trump e Netanyahu ©WHITE HOUSE

Caso o financiamento seja confirmado, o valor se somaria ao pacote anual de ajuda militar dos Estados Unidos a Israel, que atualmente é de aproximadamente US$ 3,8 bilhões. Além desse montante regular, os EUA já concederam dezenas de bilhões de dólares em assistência militar adicional desde o início do genocídio israelense na Faixa de Gaza, segundo dados divulgados pela própria imprensa israelense.


A divulgação dos documentos ocorre poucos dias após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmar em entrevista à revista The Economist que o país pretende reduzir, ao longo da próxima década, sua dependência da ajuda militar norte-americana, investindo no fortalecimento de sua própria indústria de defesa.


O relatório também surge em meio a um embate entre o governo israelense e o jornal Haaretz. O veículo tem sido acusado por autoridades de “prejudicar o esforço de guerra” em razão de sua cobertura crítica sobre as operações militares em Gaza. O governo chegou a emitir, em novembro de 2024, uma ordem para que ministérios suspendessem contatos institucionais com o jornal.

Nesta semana, o governo apresentou uma declaração ao Tribunal Superior de Justiça de Israel, reiterando acusações de que o Haaretz teria causado danos à imagem internacional do país e às Forças de "Defesa" de Israel. O jornal, por sua vez, nega as acusações e afirma que as medidas representam uma tentativa de silenciar o jornalismo crítico e independente.


Além do caso envolvendo o Haaretz, autoridades israelenses também anunciaram ações contra outros veículos de comunicação, incluindo a Rádio do Exército, alegando preocupação com o impacto das reportagens sobre o moral das tropas e o andamento das operações militares.

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