Documentos vazados indicam possível financiamento dos EUA para nova fábrica de blindados em Israel
- www.jornalclandestino.org

- 14 de jan.
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Documentos do governo dos Estados Unidos citados pela imprensa israelense indicam que Washington avalia financiar, com recursos de ajuda militar, a construção de uma nova fábrica de veículos blindados em Israel. O projeto, estimado em até US$ 2 bilhões, teria como objetivo ampliar a produção de tanques e veículos militares israelenses ao longo dos próximos cinco anos.

Documentos vazados dos Estados Unidos revelam que Washington pode participar do financiamento, do projeto e da construção de uma nova fábrica israelense de veículos blindados, utilizando recursos de ajuda militar norte-americana. As informações foram divulgadas pelo jornal Haaretz, que teve acesso a apresentações internas do Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA (USACE).
Segundo o material citado, o empreendimento é chamado de “Centro de Fabricação de Sistemas Conjuntos” e integra o chamado “Projeto de Aceleração de Veículos Blindados”, aprovado no ano passado por um painel ministerial israelense responsável por aquisições de defesa. A iniciativa busca aumentar a capacidade de produção do tanque Merkava e dos veículos de transporte de pessoal Namer e Eitan.
As apresentações do USACE indicam que o projeto pode atingir um valor de vários bilhões de dólares. Em um dos documentos, o Exército dos EUA afirma estar “explorando o potencial de um projeto de grande escala” que seria considerado estratégico para os objetivos industriais e militares de Israel.
Inicialmente, o custo estimado da nova fábrica era de cerca de US$ 1,5 bilhão. Em agosto do ano passado, reportagens do jornal Jerusalem Post apontavam que os anúncios oficiais do projeto não mencionavam financiamento estrangeiro, o que indica uma possível mudança de estratégia na fase atual do planejamento.

Caso o financiamento seja confirmado, o valor se somaria ao pacote anual de ajuda militar dos Estados Unidos a Israel, que atualmente é de aproximadamente US$ 3,8 bilhões. Além desse montante regular, os EUA já concederam dezenas de bilhões de dólares em assistência militar adicional desde o início do genocídio israelense na Faixa de Gaza, segundo dados divulgados pela própria imprensa israelense.
A divulgação dos documentos ocorre poucos dias após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmar em entrevista à revista The Economist que o país pretende reduzir, ao longo da próxima década, sua dependência da ajuda militar norte-americana, investindo no fortalecimento de sua própria indústria de defesa.
O relatório também surge em meio a um embate entre o governo israelense e o jornal Haaretz. O veículo tem sido acusado por autoridades de “prejudicar o esforço de guerra” em razão de sua cobertura crítica sobre as operações militares em Gaza. O governo chegou a emitir, em novembro de 2024, uma ordem para que ministérios suspendessem contatos institucionais com o jornal.
Nesta semana, o governo apresentou uma declaração ao Tribunal Superior de Justiça de Israel, reiterando acusações de que o Haaretz teria causado danos à imagem internacional do país e às Forças de "Defesa" de Israel. O jornal, por sua vez, nega as acusações e afirma que as medidas representam uma tentativa de silenciar o jornalismo crítico e independente.
Além do caso envolvendo o Haaretz, autoridades israelenses também anunciaram ações contra outros veículos de comunicação, incluindo a Rádio do Exército, alegando preocupação com o impacto das reportagens sobre o moral das tropas e o andamento das operações militares.



















































