Latinos e africanos não: EUA avaliam conceder asilo a judeus britânicos devido ao “aumento do antissemitismo”
- www.jornalclandestino.org

- 20 de jan.
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Integrantes da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discutiram a possibilidade de oferecer asilo a judeus do Reino Unido, segundo um advogado ligado ao governo. A proposta, apresentada como resposta a um suposto aumento do antissemitismo, gerou críticas por misturar dissidência política com ódio religioso e por reforçar narrativas islamofóbicas.
Observação: O editorial do Jornal Clandestino buscou registros fotográficos de agressões ocorridas no Reino Unido, mas não encontrou imagens disponíveis. Diante disso, optou-se por utilizar fotografias de arquivo que retratam judeus ultraortodoxos sendo agredidos pela polícia israelense. Arquivo: The Telegraph.

Membros do governo dos EUA analisaram, de forma preliminar, a ideia de conceder asilo a judeus britânicos, conforme revelou Robert Garson, advogado do presidente Donald Trump, em entrevista ao jornal conservador *The Telegraph*. Garson afirmou ter tratado do tema com autoridades do Departamento de Estado, alegando que o Reino Unido teria se tornado “inseguro” para a comunidade judaica diante do que classificou como crescimento do antissemitismo.
Nascido no Reino Unido, Garson responsabilizou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, por supostamente permitir a disseminação do antissemitismo e criticou o governo por não adotar medidas mais duras contra protestos pró-Palestina e o que chamou de “Islã político”. As declarações foram recebidas com ressalvas por especialistas e organizações de direitos humanos.
Críticos afirmam que a proposta se insere em uma tendência de setores pró-Israel que classificam como antissemitas as críticas às políticas do governo israelense, incluindo a condução da guerra em Gaza. Acadêmicos, grupos judaicos e entidades internacionais de defesa dos direitos humanos contestam essa leitura, ressaltando que a oposição ao sionismo ou às ações de um Estado não equivale a ódio contra judeus.
Procurado, o Departamento de Estado dos EUA evitou comentar diretamente a iniciativa, mas declarou esperar que “parceiros e aliados protejam indivíduos e comunidades judaicas do antissemitismo e da violência”. A resposta não confirmou nem descartou a existência de um plano formal de asilo.
Garson também é alvo de críticas por declarações anteriores nas quais descreveu manifestantes pró-Palestina nos Estados Unidos como “multidões saqueadoras clamando por sangue judeu”, linguagem que, segundo organizações civis, contribui para a estigmatização de comunidades muçulmanas e alimenta a islamofobia.


Na entrevista, o advogado disse ter abordado o tema com Yehuda Kaploun, enviado do governo Trump para questões relacionadas ao antissemitismo e integrante do conselho do Memorial do Holocausto dos EUA. Garson afirmou ter sugerido que o presidente considerasse formalmente a oferta de asilo a judeus britânicos.
Ao defender a possível migração para os Estados Unidos, Garson descreveu a iniciativa como vantajosa, destacando que os potenciais imigrantes seriam falantes de inglês e bem escolarizados. Para críticos, o argumento reproduz visões seletivas e racializadas sobre imigração.

A proposta contrasta com a política migratória mais ampla da administração Trump, marcada por restrições severas à entrada de refugiados, endurecimento de vistos e detenções em massa, com exceções pontuais para grupos alinhados às prioridades políticas do governo.
Além disso, a ideia diverge dos objetivos declarados do atual governo israelense, que busca estimular a imigração judaica para Israel diante do aumento da insegurança em países ocidentais. Dados oficiais indicam que, embora as chegadas a Israel a partir do Ocidente tenham crescido em 2025, o total de imigrantes diminuiu devido à queda no fluxo vindo da Rússia.



















































