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Uso de gás lacrimogêneo por agentes do ICE deixa bebê de seis meses hospitalizado em Minneapolis

Um bebê de seis meses foi levado ao hospital após agentes federais de imigração utilizarem granadas de efeito moral e agentes químicos durante uma operação em Minneapolis, nos Estados Unidos. O caso ocorreu na noite de quarta-feira (14), quando uma família ficou presa entre manifestantes e forças federais ao retornar para casa. Segundo relatos, o gás lacrimogêneo invadiu o carro da família, provocando dificuldades respiratórias em adultos e crianças. O episódio se soma a uma série de ocorrências recentes envolvendo o uso de agentes químicos em áreas com presença de menores de idade. As ações fazem parte das políticas de imigração do governo do presidente Donald Trump e têm gerado críticas de comunidades locais, sindicatos e organizações civis.


Minneapolis, EUA. ©TIM EVANS I REUTERS
Minneapolis, EUA. ©TIM EVANS I REUTERS

De acordo com a família, agentes lançaram uma granada de luz e utilizaram um irritante químico próximo ao veículo, fazendo com que o interior do carro se enchesse de gás. Vários membros da família precisaram ser hospitalizados, incluindo o bebê de seis meses.


“Tudo o que ouvimos foi BOOM e todos os airbags acionados”, afirmou Destiny Jackson, mãe da criança, em entrevista à emissora local KARE 11 News. Ela relatou que tentou retirar os filhos do carro, mas ouviu deles que não conseguiam se mover nem respirar. Pessoas que passavam pelo local correram para ajudar, enquanto Destiny procurava desesperadamente pela filha mais nova.


“Ele estava sem vida, como se tivesse espuma na boca”, disse Destiny Jackson, referindo-se ao bebê. “Ele tinha lágrimas saindo dos olhos. Eu estava fazendo respiração boca a boca, lembro de parar e disse: ‘Vou te dar todo o meu fôlego até você recuperar o seu’.” Em outro momento, visivelmente emocionada, ela declarou: “Ninguém quer ver seus filhos assim”, ao comentar o impacto psicológico do episódio.

Após o ocorrido, Destiny Jackson classificou a experiência como “muito traumática” em uma publicação na plataforma GoFundMe, afirmando que “nunca em um milhão de anos” imaginou que algo semelhante pudesse acontecer com sua família. O Departamento de Segurança Interna (DHS), por sua vez, publicou — e posteriormente removeu — uma mensagem na rede X sugerindo que a família seria responsável pela situação. Na postagem, o órgão afirmou: “É horrível ver agitadores radicais levando crianças para seus distúrbios violentos”, acrescentando:


“POR FAVOR, PAREM DE COLOCAR SEUS FILHOS EM RISCO.”

O caso não é isolado. Registros recentes indicam um padrão de uso de agentes químicos por forças federais de imigração em contextos que atingem crianças, seja durante operações direcionadas a familiares, seja em protestos ou em áreas próximas a escolas. Em Minneapolis, apenas uma semana antes, agentes da Patrulha de Fronteira dos EUA entraram na Roosevelt High School após protestos, algemaram funcionários e, segundo a Minnesota Public Radio, liberaram agentes químicos no local. O DHS negou o uso de gás lacrimogêneo, enquanto a Federação de Professores de Minneapolis afirmou que um irritante químico foi utilizado.


Manifestações em Minneapolis. Janeiro de 2026. BOZEMAN DAILY CHRONICLE
Manifestações em Minneapolis. Janeiro de 2026. BOZEMAN DAILY CHRONICLE

As consequências do episódio levaram as Escolas Públicas de Minneapolis a cancelarem as aulas presenciais no restante da semana, estendendo posteriormente o ensino remoto até pelo menos 12 de fevereiro. Segundo um porta-voz do distrito escolar, a decisão ocorreu após o recebimento de “múltiplas ameaças afetando várias escolas”. Uma escola charter frequentada por um dos filhos de Renée Nicole Good — mulher morta a tiros por um agente do ICE dias antes — também migrou para o ensino online após ataques atribuídos à extrema direita, de acordo com o Sahan Journal.


Outros episódios semelhantes foram registrados em diferentes regiões do país. Em julho de 2025, vídeos mostraram crianças fugindo de um agente químico acionado pelo ICE durante uma operação contra trabalhadores rurais no sul da Califórnia. Em agosto, uma escola primária de Portland anunciou mudança temporária de endereço como “medida de emergência” devido às condições consideradas perigosas ao redor de uma instalação do ICE próxima. À época, o diretor executivo interino afirmou que a escola era “impactada principalmente por armas químicas usadas contra manifestantes”, relatando ainda a presença frequente de “munições” no parquinho.


No outono, incidentes envolvendo crianças também foram relatados em Chicago. No final de outubro, agentes da Patrulha de Fronteira teriam interrompido um desfile infantil de Halloween no noroeste da cidade, dispersando agentes químicos e prendendo várias pessoas, inclusive cidadãos norte-americanos, segundo moradores e vídeos verificados pela ABC News. Dias depois, no bairro de Logan Square, agentes federais lançaram um irritante químico em uma rua movimentada próxima a uma escola primária, alegando que manifestantes obstruíam uma operação em andamento. Reportagem da ABC 7 informou que crianças brincavam no pátio da escola minutos antes da ação.


Em novembro, em um subúrbio de Chicago, um vídeo mostrou o que aparentava ser um agente federal borrifando um irritante químico de dentro de um caminhão contra um carro em movimento. No veículo estavam Rafael Veraza, sua esposa e a filha de um ano, que teria sido atingida pelo produto. “Minha filha estava tentando abrir os olhos”, disse Veraza em entrevista coletiva. “Ela estava lutando para respirar.” Ele acrescentou: “Nós, como adultos, a gente aguenta. Mas quando crianças, não deveriam mirar em crianças.”



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