ONU prometem manter apuração sobre "possíveis" crimes de guerra em Gaza
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Especialistas independentes ligados ao Conselho de Direitos Humanos da ONU anunciaram, em Genebra, que manterão as investigações sobre "possíveis" crimes de guerra e violações de direitos humanos relacionados ao genocídio em Gaza. A decisão ocorre em meio ao lançamento de um plano internacional para Gaza e ao agravamento da crise humanitária no território.

A Comissão de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental e Israel, afirmou nesta quinta-feira (22) que seguirá cumprindo seu mandato de apurar violações de direitos humanos associadas à guerra, com o objetivo de promover justiça e responsabilização para todas as partes envolvidas.
O posicionamento foi divulgado no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou o plano do Conselho Internacional de Paz para Gaza, iniciativa, segundo ele, que busca estabelecer uma administração de transição e supervisionar a reconstrução do território após a destruição causada pelo conflito.
Segundo o presidente da Comissão, Srinivasan Muralidhar, o Conselho de Paz foi criado com base em um plano submetido, votado e aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU. Ele destacou que, apesar das mudanças políticas e institucionais, o trabalho investigativo da Comissão permanece inalterado.
Muralidhar ressaltou que a Comissão entende como sua principal função investigar violações de direitos humanos, conforme o mandato concedido pela ONU. Criado em maio de 2021 pelos 47 Estados-membros do Conselho de Direitos Humanos, o órgão é considerado um dos principais mecanismos internacionais de apuração sobre o conflito.
Em novembro do ano passado, o Conselho de Segurança aprovou a Resolução 2803, que saudou a criação do Conselho de Paz como uma administração de transição responsável por acompanhar a reconstrução de Gaza, em meio a um cenário de colapso de infraestrutura e emergência humanitária.

Em setembro passado, a então presidente da Comissão, Navi Pillay, declarou que Israel teria cometido genocídio contra os palestinos em Gaza. Israel rejeitou de forma veemente a acusação. A declaração aumentou a atenção internacional sobre o trabalho da Comissão e intensificou debates diplomáticos.
De acordo com Muralidhar, a Comissão busca investigar violações cometidas por todos os responsáveis e em ambos os territórios, na expectativa de que suas conclusões contribuam para processos judiciais capazes de oferecer justiça duradoura às populações afetadas.
Para 2026, o painel planeja aprofundar investigações sobre ataques de milícias palestinas armadas contra terceiros, mantendo, segundo o presidente, sua atuação independente e baseada em padrões internacionais de apuração.
Durante coletiva de imprensa em Genebra, os especialistas também condenaram o assassinato relatado de três jornalistas palestinos no centro da Faixa de Gaza, atribuído a um ataque aéreo israelense ocorrido na quarta-feira. A comissária Florence Mumba afirmou que a morte de jornalistas compromete a transparência e a liberdade de informação em contextos de guerra.
Outro ponto abordado foi a destruição da sede da UNRWA, agência da ONU voltada aos refugiados palestinos, na Jerusalém Oriental ocupada. Os comissários destacaram o papel histórico da agência no fornecimento de educação, saúde e assistência humanitária à população palestina ao longo de décadas.
Chris Sidoti afirmou que a rejeição ao trabalho da UNRWA pode gerar consequências diretas para os direitos humanos, especialmente no acesso de crianças à educação e no direito da população ao mais alto padrão possível de saúde física e mental.
A Comissão passou por mudanças recentes em sua composição. Navi Pillay se aposentou em outubro passado, aos 83 anos. Em novembro, o Conselho de Direitos Humanos nomeou um novo painel, reintegrando Sidoti e incluindo Srinivasan Muralidhar, da Índia, e Florence Mumba, da Zâmbia.
Apesar da continuidade dos trabalhos, Muralidhar reconheceu que a falta de recursos financeiros tem limitado o alcance das investigações. Segundo ele, a escassez de financiamento impediu o painel de avançar em apurações sobre fornecimento de armas e violência de colonos, temas que fazem parte do mandato original da Comissão.






























































