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Israel demole complexo da ONU em Jerusalém Oriental

As forças israelenses iniciaram nesta terça-feira (20) a demolição de edifícios da Agência das Nações Unidas para Refugiados da Palestina (UNRWA) em Jerusalém Oriental ocupada. A ação ocorre em meio ao endurecimento de medidas do governo israelense contra organizações humanitárias que atuam junto à população palestina, especialmente na Faixa de Gaza, e provocou reações da ONU e da Autoridade Palestina.


Foto de arquivo. ©WAFA
Foto de arquivo. ©WAFA

Israel começou a demolir estruturas localizadas no complexo da UNRWA no bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental ocupada. Segundo a agência da ONU, militares israelenses entraram na sede, confiscaram equipamentos eletrônicos dos funcionários e os retiraram à força do local antes do início das demolições.


Em comunicado, a UNRWA classificou a ação como uma violação grave do direito internacional e dos privilégios e imunidades das Nações Unidas. A agência afirmou que o episódio representa um precedente perigoso para o funcionamento de missões internacionais e diplomáticas em diferentes partes do mundo.


A Autoridade Palestina, com sede em Ramallah, condenou a operação e declarou que a medida faz parte de uma escalada deliberada para enfraquecer o mandato da UNRWA e o sistema internacional de proteção aos refugiados palestinos. Para o governo palestino, a ofensiva busca comprometer o reconhecimento da identidade e dos direitos dos refugiados.


Relatos de fontes locais indicam que o Exército israelense isolou as ruas ao redor do complexo antes da chegada de tratores e veículos militares. No mesmo dia, forças israelenses também lançaram gás lacrimogêneo contra uma escola profissionalizante palestina, em outro ataque a uma instalação vinculada à ONU na Jerusalém Oriental ocupada.


O comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, afirmou que parlamentares israelenses e integrantes do governo acompanharam a operação. Segundo ele, a demolição ocorre após uma série de medidas destinadas a apagar símbolos ligados à condição de refugiados palestinos e alertou que outras organizações internacionais podem enfrentar ações semelhantes.


O governo israelense sustenta que a demolição cumpre uma nova legislação que proíbe a atuação da UNRWA em Israel. Autoridades israelenses acusam a agência de parcialidade política e de vínculos com grupos armados palestinos, acusações que a UNRWA nega reiteradamente, afirmando não haver provas que as sustentem.


Nas últimas semanas, Israel também revogou licenças de funcionamento de 37 organizações humanitárias internacionais, incluindo Médicos Sem Fronteiras e o Conselho Norueguês para Refugiados. As novas regras exigem que ONGs forneçam dados detalhados sobre funcionários, financiamento e operações em Gaza e na Cisjordânia ocupada.


A escalada ocorre após meses de intensificação das operações militares israelenses em áreas palestinas, incluindo demolições de casas, estradas e ações em campos de refugiados. Observadores apontam que essas medidas são vistas por parte da comunidade internacional como tentativas de alterar o significado histórico e político desses locais.


Na semana passada, o secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de que Israel pode ser levado ao Tribunal Internacional de Justiça caso não revogue as leis que restringem a atuação da UNRWA e devolva propriedades confiscadas. A ONU considera Jerusalém Oriental território ocupado, posição rejeitada por Israel, que reivindica toda a cidade como parte de seu território.

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