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Israel pressiona EUA para excluir Turquia e Catar do conselho internacional que planeja o "pós-guerra em Gaza"

Israel solicitou formalmente a Washington que impeça a Turquia e o Catar de integrarem o órgão responsável pela governança de Gaza após o "conflito", além de vetar qualquer presença militar desses países em uma eventual força internacional de estabilização. A informação foi confirmada por autoridades israelenses e ocorre poucos dias após a Casa Branca anunciar a composição do novo arranjo político-administrativo para o território palestino.


Na sexta-feira (16), os Estados Unidos nomearam o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, e o diplomata catariano Ali al-Thawadi para o Conselho Executivo de Gaza, um painel de 11 integrantes encarregado de supervisionar um comitê palestino que deverá administrar a Faixa após o fim da guerra. Tanto Ancara quanto Doha sinalizaram disposição em contribuir com tropas e recursos para a Força Internacional de Estabilização proposta por Washington.


Diante disso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, orientou seu chanceler a apresentar objeções diretas ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Em discurso no Knesset, Netanyahu afirmou de forma categórica que não aceitará a presença militar turca ou catariana em Gaza. Segundo ele, a segunda fase do plano apresentado por Donald Trump prevê o desarmamento do Hamas e a completa desmilitarização do território.


Dolnald Trump e Benjamin Netanyahu
Dolnald Trump e Benjamin Netanyahu

A administração Trump anunciou recentemente a criação de um comitê palestino composto por 15 membros, que substituiria o Hamas na gestão de Gaza, além de um conselho executivo liderado pelo diplomata búlgaro Nickolay Mladenov. A estrutura está subordinada ao chamado “Conselho de Paz” do presidente dos EUA e integra um plano mais amplo de 20 pontos para encerrar o "conflito".


O conselho executivo reúne nomes de diferentes países e setores, incluindo os empresários ligados a Israel Yakir Gabay e Marc Rowan, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o chefe da inteligência egípcia Hassan Rashad, a ministra de Estado dos Emirados Árabes Unidos Reem al-Hashimy, além dos assessores da Casa Branca Steve Witkoff e Jared Kushner. O general norte-americano Jasper Jeffers foi designado para comandar a força internacional, que enfrenta resistência de países árabes e muçulmanos, temerosos de que a missão seja usada para desarmar o Hamas à força.


Desde o anúncio do plano, Netanyahu tem criticado publicamente a Casa Branca por, segundo ele, não ter coordenado as decisões com Israel. Ao mesmo tempo, ministros de extrema-direita do governo israelense defendem a anexação do território e o reassentamento de Gaza, o que amplia o impasse político.


De acordo com a imprensa israelense, autoridades do país reagiram bloqueando a entrada de representantes palestinos em Gaza e mantendo fechada a passagem de Rafah. O comitê palestino, que deveria assumir a administração do território nesta semana, foi impedido de entrar na Faixa e segue se reunindo no Cairo, enquanto tenta negociar com os Estados Unidos e outros mediadores o acesso até o fim do mês.


O conselho executivo foi instituído dentro da segunda fase do cessar-fogo anunciado por Washington, que prevê a retirada das forças israelenses após a transferência de poder ao comitê palestino e a entrega das armas pelo Hamas. O grupo afirmou estar disposto a discutir a transição de autoridade e o armazenamento de seu armamento.


Israel, porém, é acusado por autoridades palestinas de não cumprir integralmente os compromissos da primeira fase do cessar-fogo, mantendo operações militares e restringindo a entrada de ajuda humanitária. Durante o período de trégua de três meses, mais de 460 palestinos teriam sido mortos e outros 1.287 feridos em ataques quase diários.

Desde o início do genocídio, em 7 de outubro de 2023, ofensivas israelenses resultaram na morte de pelo menos 71.550 palestinos e na destruição de grande parte da infraestrutura da Faixa de Gaza, segundo balanços de autoridades locais.

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