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Líderes em Davos alertam para ruptura da ordem global

Discursos no Fórum Econômico Mundial, em Davos, evidenciaram preocupação de líderes globais com mudanças na ordem internacional diante das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexar a Groenlândia. Autoridades do Canadá, Europa e China defenderam cooperação multilateral, rejeitaram pressões comerciais e alertaram para riscos à estabilidade geopolítica.


Donald Trump
Donald Trump

Líderes políticos e econômicos reunidos nesta terça-feira (21) no Fórum Econômico Mundial (FEM), em Davos, expressaram apreensão com o rumo da ordem internacional após recentes declarações e ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As falas apontaram para um cenário de maior instabilidade, com questionamentos ao multilateralismo e ao sistema global construído nas últimas décadas.


O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que o modelo internacional liderado pelos Estados Unidos atravessa uma “ruptura” e não apenas uma fase de transição. Segundo ele, potências médias correm o risco de marginalização caso não atuem de forma coordenada diante da coerção exercida por países mais poderosos. Carney destacou que antigas suposições sobre segurança e prosperidade deixaram de ser válidas.


As declarações ocorreram em meio à reação internacional às ameaças de Trump de anexar a Groenlândia, inclusive com o uso de tarifas comerciais para pressionar aliados europeus. O tema dominou debates em Davos e levou representantes da União Europeia a classificarem esse tipo de medida como um erro estratégico, por afetar a soberania territorial e as relações entre aliados.


Durante as discussões, também foi lembrada a operação militar conduzida pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, que resultou no sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e teve repercussão global. O episódio foi citado como exemplo do uso da força para atingir objetivos políticos, ampliando críticas à condução da política externa norte-americana.

O presidente da França, Emmanuel Macron, usou seu discurso para condenar o uso de tarifas como instrumento de pressão geopolítica. Segundo ele, a imposição de barreiras comerciais para influenciar decisões soberanas é inaceitável e contribui para um mundo mais instável. Macron alertou para o aumento de conflitos globais e defendeu uma Europa mais forte, capaz de proteger seus interesses e valores.


Macron também ressaltou que a Europa deve combinar instrumentos de defesa comercial com a atração de investimentos externos, inclusive da China, desde que haja transferência de tecnologia e benefícios ao crescimento europeu. Em relação à Groenlândia, afirmou que a França apoia exercícios conjuntos no Ártico em cooperação com aliados, sem ameaças ou coerção.


A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que choques geopolíticos recentes obrigam a União Europeia a buscar maior autonomia estratégica. Ela destacou avanços em áreas como energia, defesa e digitalização, mas alertou que a nostalgia não trará de volta a antiga ordem global. Von der Leyen reiterou que a soberania da Dinamarca e da Groenlândia é inegociável.


Von der Leyen também anunciou que a UE está próxima de concluir um acordo de livre comércio com a Índia, que poderá criar um mercado envolvendo cerca de 2 bilhões de pessoas. Além disso, informou que o bloco prepara um pacote de investimentos para reforçar a segurança do Ártico e apoiar o desenvolvimento econômico da Groenlândia.

Representando a China, o vice-primeiro-ministro He Lifeng afirmou que o crescimento chinês deve ser visto como uma oportunidade para a economia global, e não como uma ameaça. Ele defendeu a resolução de disputas comerciais por meio do diálogo e reafirmou o compromisso de Pequim com a abertura econômica e com regras internacionais de alto padrão.


Os discursos em Davos indicaram convergência entre diferentes líderes quanto à necessidade de cooperação internacional diante de um ambiente geopolítico mais fragmentado. Apesar das divergências, o tom predominante foi o de alerta para os riscos de um mundo com menos regras e maior uso de pressões unilaterais nas relações internacionais.

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