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O leitor não rouba e o ladrão não lê

Confesso que, certa vez, tive em mãos uma verdadeira preciosidade literária da qual não queria me separar. O problema? O livro não era meu, mas de uma biblioteca pública abandonada, onde raramente se via alguém. Pensei e repensei, e por pouco não decidi ficar com ele. Eu poderia facilmente inventar que o havia molhado, perdido, ou até que meu cachorro o havia comido por confundi-lo com um dever de casa. Pagaria uma multa simbólica e pronto, tudo estaria resolvido.


Porém, me veio à mente um ditado árabe: “o leitor não rouba e o ladrão não lê”.


Lembrei-me de como, no Iraque, os livreiros da rua Mutanabbi, em Bagdá, deixam seus livros ao relento durante a noite, confiantes de que ninguém os levará. E também me lembrei da vez em que estivemos em um bairro copta no Cairo, onde os livros estavam todos disponíveis, ao alcance de qualquer um que quisesse ler – ou roubar. Mas não: leitores não roubam, e ladrões não leem.


Assim, devolvi o livro. Afinal, é por a biblioteca da cidade estar vazia que o índice de criminalidade só cresce...


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