ONU alerta que avanço da fome ameaça a estabilidade econômica global
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- 21 de jan.
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Agências da ONU alertaram, nesta semana, no Fórum Econômico Mundial de Davos, que o crescimento da fome e dos deslocamentos forçados deixou de ser apenas uma crise humanitária e passou a representar um risco direto à economia global. Com 318 milhões de pessoas em situação crítica de insegurança alimentar, a ONU aponta falta de recursos e pede maior envolvimento do setor privado.

O aumento da fome e dos deslocamentos forçados já afeta não apenas populações vulneráveis, mas também a estabilidade dos mercados e o crescimento econômico global. O alerta foi feito por agências das Nações Unidas durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, que reúne líderes políticos, empresariais e especialistas entre os dias 19 e 23 de janeiro.
Segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA), cerca de 318 milhões de pessoas em todo o mundo enfrentam níveis críticos de fome ou condições ainda mais graves, incluindo situações próximas à fome extrema. De acordo com a agência, centenas de milhares já vivem em cenários considerados alarmantes por padrões humanitários internacionais.
O PMA advertiu que a escassez de financiamento ameaça agravar ainda mais o cenário. As projeções indicam que o orçamento da agência para 2026 deve alcançar menos da metade dos US$ 13 bilhões necessários, limitando o atendimento a cerca de 110 milhões de pessoas — aproximadamente um terço da população que necessita de ajuda alimentar urgente.
A diretora-executiva adjunta de Parcerias e Inovação do PMA, Rania Dagash-Kamara, afirmou que a fome gera deslocamentos, conflitos e instabilidade, com impactos diretos sobre os mercados globais. Segundo ela, esses fatores afetam cadeias produtivas, reduzem a força de trabalho e comprometem a previsibilidade econômica necessária para o setor privado.
Dagash-Kamara destacou que empresas e investidores têm interesse direto no enfrentamento da insegurança alimentar e defendeu maior participação do setor privado em soluções voltadas à inovação, tecnologia e fortalecimento das cadeias de suprimentos, especialmente em regiões mais frágeis economicamente.
Além da fome, a migração também foi apontada como tema central nos debates em Davos. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) defendeu uma mudança de perspectiva, destacando que a mobilidade humana pode funcionar como motor de crescimento e desenvolvimento quando gerida de forma responsável.
A diretora-geral da OIM, Amy Pope, afirmou que a migração tem potencial para impulsionar economias, fortalecer comunidades e gerar soluções duradouras para o deslocamento forçado, desde que respeite a soberania nacional e os direitos humanos. Segundo ela, políticas bem estruturadas podem transformar a mobilidade em um ativo econômico.
A OIM ressaltou que parcerias com o setor privado e fundações já vêm produzindo resultados, incluindo o uso de inteligência artificial para melhorar exames de saúde e políticas de mercado de trabalho, além de programas de capacitação profissional, empreendedorismo e integração econômica de pessoas deslocadas.
Outro ponto destacado foi o papel das comunidades da diáspora no desenvolvimento econômico. A agência afirmou que o uso estratégico de remessas e investimentos da diáspora pode ampliar o acesso financeiro digital, estimular a criação de empresas e gerar empregos, contribuindo para a autossuficiência de comunidades vulneráveis.
Além dos representantes do PMA e da OIM, participaram do fórum outros altos dirigentes da ONU, como a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock; o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus; o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Alexander De Croo; o alto comissário da ONU para Refugiados, Barham Salih; e o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Mariano Grossi.



















































