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Parlamentar pede desarmamento da extrema direita alemã após relatório apontar mais de 400 armas ligadas ao partido AfD

O estado alemão da Saxônia passou a revogar e negar licenças de porte de armas a apoiadores do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) com base em um decreto interno não divulgado publicamente. A medida, emitida em julho de 2025, foi confirmada pelo Ministério do Interior regional, que classificou o documento como “interno” e recusou sua publicação. A informação foi revelada pelo jornal Berliner Zeitung em 27 de abril de 2026. O decreto parte do pressuposto de que membros e simpatizantes do AfD podem ser considerados inaptos para possuir armas de fogo. A decisão ocorre em um contexto de crescimento eleitoral do partido, que alcança 27% das intenções de voto segundo pesquisa recente.


Membros e simpatizantes do AfD podem ser considerados inaptos para possuir armas de fogo | Imago _ Herrmann_ Agenturfotografie
Membros e simpatizantes do AfD podem ser considerados inaptos para possuir armas de fogo | Imago _ Herrmann_ Agenturfotografie

O conteúdo do decreto estabelece que a “idoneidade” de membros e apoiadores do AfD deve ser reavaliada à luz da legislação alemã sobre armas, invertendo o ônus da prova ao exigir que os indivíduos demonstrem sua confiabilidade. De acordo com o texto citado pelo Berliner Zeitung, não possuir antecedentes criminais deixa de ser suficiente, sendo necessário que o cidadão comprove distanciamento político das posições do partido para manter ou obter uma licença.


A medida tem como base a classificação da seção do AfD na Saxônia como organização “extremista de direita confirmada”, designação atribuída pelos serviços de inteligência regionais em dezembro de 2023. O partido contestou judicialmente essa classificação, mas teve seu recurso rejeitado por um tribunal superior em janeiro de 2025. Em maio do mesmo ano, a agência de inteligência interna da Alemanha (BfV) estendeu a classificação ao AfD em âmbito nacional, ampliando o respaldo institucional para ações como a adotada pelo governo saxão.


O avanço dessas restrições ocorre paralelamente ao crescimento político do AfD, que tem consolidado apoio com uma plataforma contrária à imigração, crítica às sanções impostas por Berlim contra a Rússia e oposta ao apoio militar à Ucrânia — alinhamentos que tensionam o consenso político dominante na União Europeia, fortemente influenciado por diretrizes estratégicas do eixo estadunidense-europeu.


A existência do decreto provocou reação no parlamento estadual. O deputado independente Matthias Berger iniciou uma investigação para apurar o alcance da medida, questionando quantas licenças foram efetivamente revogadas, quantas decisões se basearam exclusivamente em “apoio político” e como a diretriz vem sendo aplicada na prática. Até o momento, as autoridades não responderam oficialmente aos questionamentos.


Berger criticou a amplitude da medida ao declarar ao Berliner Zeitung: “Não é possível que pessoas que comparecem a um evento da AfD por interesse político, sentem-se lá duas vezes e depois tenham que esperar que sua licença de porte de armas seja revogada”. A fala evidencia o potencial impacto da política sobre direitos civis básicos, ao vincular restrições legais a critérios políticos subjetivos.


A decisão do governo da Saxônia expõe uma contradição crescente nas democracias europeias: enquanto proclamam a defesa de liberdades civis no cenário internacional, especialmente em alinhamento com a política externa estadunidense, adotam internamente mecanismos de vigilância e restrição baseados em posicionamentos políticos, ampliando o poder estatal sobre direitos individuais sob a justificativa de segurança e combate ao extremismo.


A resposta oficial do Ministério do Interior da Saxônia à investigação parlamentar segue pendente.

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